Economia

6 de outubro de 2001

Bombas: Demanda ativa projeta bons negócios para 2002

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    O setor das bombas industriais no País deve fechar 2001 com um faturamento estimado em R$ 550 milhões, empatando com o do ano anterior. As previsões são do presidente da Câmara Setorial de Bombas e Motobombas (CSBM), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), Gilberto Chiarelli, também diretor comercial da KSB. “Esperávamos para 2001 um crescimento de 5% a 7%, mas já consideramos positivo não ter havido nenhum decréscimo”, avaliou, evando em conta os efeitos negativos causados pela crise energética do primeiro trimestre, a derrocada Argentina e o terrorismo de setembro, marcado pelo ataque às torres do World Trade Center, em Nova Iorque, EUA.

    Química e Derivados: Bombas: Chiarelli - câmbio favoreceu exportação.

    Chiarelli – câmbio favoreceu exportação.

    Neste mês, porém, a indústria brasileira de bombas industriais dá indício de haver retomado o bom rumo dos negócios ditado pelas perspectivas de investimentos.

    O certo é que os segmentos não deixaram de investir. Os de papel e celulose, mineração, petróleo e petroquímica continuam fortes e até ensaiam ampliação. A Petrobrás manteve seus investimentos implementados e alavancados com os projetos das termoelétricas.

    Para os irmãos Corrado e Marzio Vallo, da Omel, os responsáveis pelo crescimento de 20% a 25% do seu faturamento também foram os setores energéticos e de petróleo.

    Com relação à crise de energia, houve uma adaptação do empresariado com mudanças de turnos, remanejamento dos postos de trabalho e investimentos em geradores. Na opinião de Marzio, a atual conjuntura internacional atrapalhou o mercado: “Fizemos uma série de orçamentos no setor de petróleo, mas nem tudo se realizou. As pessoas estão com medo de investir; se os Estados Unidos entram em crise, reflete aqui. O ano que vem é uma incógnita”, observa.

    O gerente de marketing da Sulzer Marcos Koyama discorda de Marzio. Para ele, o impacto dessa crise tem sido neutro nos negócios da empresa. Cauteloso, Marzio diz que tem tomado extremo cuidado na área financeira. “Passamos a controlar com mais rigor as despesas, contratações e compras”, enfatiza.

    Química e Derivados: Bombas: Marzio (d.) e Corrado Vallo - crescimento superior a 20%.

    Marzio (d.) e Corrado Vallo – crescimento superior a 20%.

    De acordo com Koyama, o problema de energia no País fez deslanchar os investimentos nacionais na geração termoelétrica e cogeracão. Outro ponto positivo é que as exportações de bombas na alimentação de caldeiras, para plantas de ciclo combinado, especialmente para o mercado norte-americano, foram maiores em 2001. Para ele, “esses dois fatores combinados trouxeram um aumento significativo nas encomendas”. O câmbio também contribuiu para um resultado favorável nas exportações, que cresceram 50%.

    A Sulzer atua na linha de bombas de processo API 610 de um e múltiplos estágios, bombas de alta pressão na alimentação de caldeiras para cogeração e termoelétricas de ciclo combinado, bombas de extração de condensado, as verticais de grande vazão para aplicação em saneamento, irrigação, resfriamento, bombas bipartidas de médio e grande porte para saneamento e indústria. Koyama conta que as encomendas cresceram 30%, por causa dos investimentos realizados pela Petrobrás, tanto em produção, como em refino.

    O setor petrolífero tem merecido destaque e atenção especial. Tanto assim que o Grupo Netzsch resolveu separar as atividades da área em uma nova empresa. Com sede na Alemanha, tem como presidente o também gerente-geral da Netzsch do Brasil Silvio Beneduzzi Filho. O primeiro aniversário da nova empresa foi comemorado em agosto de 2001 e, segundo seu presidente, já atingiu o ponto de equilíbrio. Conta que tem 48 bombas vendidas para os Estados Unidos e Canadá, com entrega marcada entre março e maio de 2002. “Nosso produto pode ser encontrado a uma temperatura de – 45ºC, na Sibéria, ou permanentemente, a +45ºC, em Omã ou Catar”, disse. Para ter essa flexibilidade é preciso fazer adaptações, adotando óleos específicos para lubrificação. Motor e gaxeta também devem ser ajustados para atender uma ou outra opção climática. “É um produto brasileiro colocado no exterior por meio de uma empresa centrada na Alemanha”, explicou.

    Química e Derivados: Bombas: Koyama - difícil conversar com empresas de EPC.

    Koyama – difícil conversar com empresas de EPC.

    Beneduzzi comentou que a Netzsch iniciou parceria com a Petrobrás há 20 anos. Comercializaram bombas horizontais, oleodutos e até as atuais bombas de exploração nas quais o acionamento fica na superfície e pode extrair petróleo até mil metros de profundidade. A novidade está por conta da linha NM…L, bomba com vazão de até 500 m³/h e pressão de 4 ou 6 bar, capaz de atuar em temperaturas de –40°C até 200ºC. Essa bomba helicoidal de cavidade progressiva apresenta fluxo contínuo, sem pulsação, é compatível com alta viscosidade e alto teor de sólidos, tem bom desempenho no transporte de meios abrasivos, alto rendimento mesmo em baixas velocidades, boa capacidade de aspiração, e não necessita de válvulas. Além disso, deve ter flexibilidade na montagem e baixo valor NPSH requerido. Só na Petrobrás, afirma Beneduzzi, têm mais de mil unidades.

    Além da helicoidal, a Netzsch produz as bombas centrífugas sanitárias, de lóbulos, de fusos e dosadoras. As de fusos são usadas nas hidroelétricas, em lubrificação de turbinas, mercado animado com a crise energética no País. Beneduzzi conta que há tempo a empresa operava nesse setor. As usinas iniciadas a partir do racionamento vão demorar para entrar em funcionamento. Ele explica que uma turbina leva de 24 a 36 meses para ser produzida, além de todo sistema de lubrificação, limpeza e balanceamento. “Muitos clientes nossos fecharam contrato de geração de energia com a Petrobrás e certamente vão precisar de bombas, mas só de 2003 para frente”, conta.


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