Farmácia e Biotecnologia

22 de abril de 2017

Biotecnologia: Micro-organismos selecionados abrem rotas mais sustentáveis para a indústria química

Mais artigos por »
Publicado por: Marcelo Fairbanks
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Química e Derivados, Placa de Petri com cepas de Saccharomyces sp em crescimento

    Placa de Petri com cepas de Saccharomyces sp em crescimento

    Bactérias, algas, fungos e leveduras selecionados são utilizados para produzir substâncias variadas, a exemplo de etanol, butanol, polímeros (acrílico, poliéster) e outros, mediante o desenvolvimento dos processos biotecnológicos. Apontados como a próxima onda de evolução do setor químico, esses processos encontram ambiente adequado para crescer aqui no Brasil, pela disponibilidade de materiais contendo carbono (biomassa, especificamente, mas também óleos e extratos vegetais), clima favorável ao desenvolvimento dos microorganismos e áreas livres.

    Enquanto as condições naturais favorecem o seu avanço, entraves burocráticos atuam contra a atividade biotecnológica. A obtenção de licenças para desenvolver as pesquisas, a demora na obtenção de privilégios de patente e o peso excessivo dos tributos conspiram contra as iniciativas nessa vanguarda tecnológica.

    Microorganismos geneticamente modificados são um recurso de extrema importância para a biotecnologia, mas dependem de aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para serem multiplicados e comercializados. São verdadeiras usinas de produtos químicos, com a vantagem adicional de permitir economia de energia (operam a baixas temperaturas) e vantagens ambientais, por representarem menor emissão de gases geradores do efeito estufa e baixa geração de subprodutos de menor interesse econômico.

    O potencial da biotecnologia brasileira já foi apontado no estudo desenvolvido pela Bain & Co. para a Abiquim, em 2014, com a recomendação de receber incentivos econômicos, além de uma revisão de mecanismos burocráticos e de política tributária para inovação. De lá para cá, pouca coisa mudou, infelizmente. Também o relatório de 2016 do National Renewable Energy Laboratory (NREL), dos EUA, aponta como promissora a produção de químicos a partir de biomassa, apostando na evolução das biorrefinarias para substituir os derivados de petróleo como insumo básico dessa indústria. Porém, o NREL destacou a influência negativa do shale gas, mais competitivo economicamente. Dessa forma, o laboratório enxerga melhores oportunidades nas cadeias C4 e C5, ou superiores, ou seja, na linha do butadieno ou do isopreno, geralmente supridos por ckackers de nafta.

    Nos Estados Unidos, dois programas incentivam o maior consumo de produtos de origem biotecnológica. O Departamento de Agricultura daquele país, pelo BioPreferred, de 2002, identificou 97 categorias de bioprodutos cuja aquisição deve ser preferida pelos órgãos oficiais americanos, em detrimento das fontes derivadas do petróleo. O programa Snap, criado pela agência ambiental EPA em 1994, pretende substituir produtos que atacam a camada de ozônio.

    Química e Derivados, Janeiro: programa RenovaBio já começou a dar resultados

    Janeiro: programa RenovaBio já começou a dar resultados

    A produção de etanol é um campo de largo emprego da biotecnologia. O desenvolvimento de cepas mais produtivas de leveduras é realizado há décadas. Há alguns anos, o aproveitamento do bagaço e da palha de cana-de-açúcar motiva pesquisas para a produção do etanol de segunda geração (E2G). Foi preciso desenvolver um caminho para separar a lignina (um composto fenólico não fermentável) da celulose e hemicelulose, todos esses produtos constituintes das paredes das células vegetais, seguida da hidrólise da celulose em açúcares menores, capazes de alimentar as leveduras que os converterão em etanol. Essa hidrólise era realizada com ácidos, mas está sendo substituída por enzimas, que oferecem melhor rendimento e operação a baixa temperatura.

    Dada a elevada disponibilidade de bagaço e palha de cana, há duas instalações comerciais de produção de E2G no Brasil – da Raízen e da GranBio –, além de uma unidade de demonstração do Centro de Tecnologia Canavieira S/A (CTC), instalada em São Manoel-SP. “A produção de etanol 2G está crescendo no Brasil, seguindo uma curva de aprendizagem natural para uma tecnologia inovadora”, avaliou Viler Correa Janeiro, presidente do conselho da Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial (ABBI) e diretor de negócios do CTC. “No nosso caso, a unidade de São Manoel está gerando uma grande quantidade de dados que ajudarão a viabilizar uma futura instalação em escala comercial.”


    Página 1 de 512345

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *