Química

15 de março de 2010

Biodiesel – Gaúchos querem produzir e exportar etanol de cana a partir de 2013

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    cana-de-açúcar sempre foi uma cultura marginal no Rio Grande do Sul, estado dominado por grandes lavouras de soja, milho, arroz, trigo, frutas e uma pecuária extensiva, essa última de baixa produtividade para os padrões atuais. Mas há pelo menos dez anos a cana entrou no zoneamento agrícola. O estudo apontou como viável o plantio de 110 variedades em condições de vingar no clima frio das áreas da Região das Missões, no noroeste gaúcho.

    Com isso, o estado que não tinha sequer uma usina de álcool de grande porte deverá inaugurar sua primeira unidade até meados de 2013, no município de São Luiz Gonzaga, a 500 quilômetros de Porto Alegre. A planta industrial responderá, em seu pico produtivo, por 120 milhões de litros anuais, demandando investimentos de R$ 300 milhões.

    Do total imobilizado, R$ 70 milhões correspondem aos equipamentos projetados exclusivamente para as lavouras da cana, tais como tratores especiais, colheitadeiras e máquinas de corte que transformam o caule em pequenos tocos, facilitando o transporte da lavoura até a usina em caminhões. No Rio Grande do Sul é proibida a queimada no campo. Dessa forma, a medida serve para inibir a emissão de dióxido de carbono, causador do efeito estufa. A mecanização atende também a questões sociais ao eliminar a possibilidade de trabalho infantil e degradante.

    Inicialmente, a usina irá processar 650 mil t/ano de cana para fazer 60 milhões de litros de etanol. Depois de quatro anos, a contar do começo das operações, serão 1,4 milhão de t/ano, com aproveitamento da capacidade total, além de suprir um sistema de cogeração de 28 megawatts de eletricidade. A efetivação do projeto da nova usina de álcool gaúcha – já existem pequenas unidades em sistema cooperativado – exigiu incentivos fiscais concedidos pelo governo estadual, que permitiu a criação da Norobios – Noroesthe Bioenergética, formada por um pool de três razões sociais originárias de setores completamente diferentes, proprietárias do projeto.

    Uma dessas firmas é a Sultepa, uma das principais empresas de construção pesada do sul do país. O outro integrante da sociedade responde pelo nome de Rede Energia, uma bandeira de postos de combustíveis espalhados pelo interior do estado. O terceiro sócio é um grupo formado por 72 agricultores, os quais vinham plantando cana-de-açúcar há alguns anos com a supervisão de técnicos do governo estadual, responsáveis pelo zoneamento da cana-de-açúcar.

    A principal dificuldade desses agricultores foi dimensionar o volume necessário de plantio e corte para suportar a operação da usina, que demanda 18 mil hectares cortados a cada ano, em seis períodos diferenciados, quando estiver em atividade plena. Há ainda outras questões técnicas. O limite operacional das colheitadeiras se restringe a 12 graus de inclinação do solo. É preciso ainda tirar a cana das regiões de geada até junho. Com isso, não é possível cultivá-la em minifúndios sem condições de acompanhamento do manejo e dividindo o terreno com outras culturas.

    O zoneamento sucroalcooleiro do Rio Grande do Sul aponta 280 municípios capazes de oferecer um milhão e meio de hectares – quase 800 campos de futebol – para a cana-de-açúcar, sendo que 150 mil hectares de terra cultivável seriam suficientes para produzir um volume de álcool equivalente ao comprado pelo estado de outros produtores, principalmente São Paulo e Mato Grosso do Sul. Atualmente, incluindo as lavouras da Norobios, não há mais do que 40 mil hectares de cana plantada, de acordo com informações de técnicos da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul.

    Química e Derivados, Projeto de usina, Biodiesel - Gaúchos querem produzir e exportar etanol de cana a partir de 2013

    Projeto de usina uniu plantadores e empresários no RS

    Já houve problemas com uma parcela de agricultores que cultiva o produto agrícola pelo método primitivo e o transforma em ração animal e melaço. Por conta dessa mentalidade desconectada com as transformações da economia, a primeira tentativa de implantação de uma fábrica de álcool e açúcar no litoral norte do estado em meados dos anos 70 e 80, no auge do Proálcool, não deu certo. Sem matéria-prima suficiente e falida, a unidade foi vendida a uma beneficiadora de arroz.

    Entretanto, para os fundadores da Norobios o problema de fornecimento da cana está solucionado pelo modelo empresarial adotado. “Nós estudamos muito bem e nos cercamos de agricultores comprometidos com o negócio que são nossos parceiros estratégicos”, garante o diretor-presidente da empresa, Cláudio Luís Morari.

    Morari considera a produção de etanol um negócio potencialmente promissor no Rio Grande do Sul, pois atualmente o estado importa 1,3 bilhão de litros do biocombustível, embora tenha terra suficiente para se tornar exportador. Com a entrada da planta de eteno verde da Braskem, em 2011, no polo Petroquímico de Triunfo, serão necessários mais 500 milhões de l/ano. Por enquanto, o consumidor é quem paga a conta desse atraso da matriz gaúcha de combustíveis. No começo de fevereiro deste ano, o litro do etanol nas bombas custava R$ 2,40, em média, o mesmo valor da gasolina comum e apenas 20 centavos a menos do que a aditivada. Que venham as usinas modernas e o segundo ciclo da cana-de-açúcar do Rio Grande do Sul.



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