Química

15 de março de 2010

Biodiesel – Crescimento de consumo do biodiesel supera o dos demais combustíveis usados no país

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Publicado por: Denis Cardoso
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    busca pelo sucesso pleno do mercado brasileiro de biocombustíveis, que tem hoje o álcool derivado da cana como vitrine, passa necessariamente pela evolução do biodiesel, combustível renovável elaborado pela reação de transesterificação de óleos vegetais e gorduras animais com metanol ou etanol. No futuro, o biodiesel poderá até substituir o diesel mineral, como o álcool substitui a gasolina. Uma das vantagens do biocombustível é a sua adaptação aos motores potentes de ciclo diesel, como os de caminhões e ônibus. Outro ponto favorável está relacionado ao meio ambiente: por ser biodegradável, atóxico e livre de enxofre, o seu consumo resulta numa redução expressiva da emissão de substâncias poluentes.

    Em 2009, o consumo brasileiro de biodiesel apresentou o maior crescimento relativo entre os combustíveis regulados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Foram consumidos 1,565 bilhão de litros do produto, 39% acima dos 1,125 bilhão de litros registrados em 2008. Por sua vez, o consumo de óleo diesel caiu 1%, passando de 44,764 bilhões de litros em 2008 para 44,298 bilhões de litros no ano passado. A adição obrigatória de 4% de biodiesel ao óleo diesel (a mistura B4) significou uma economia para o país de US$ 1,3 bilhão em divisas que seriam gastas na importação do derivado de petróleo.

    Em outubro de 2009, o governo federal autorizou a antecipação em três anos do aumento da adição obrigatória do biodiesel ao diesel de 4% para 5% (B5), que estava prevista para 2013, mas entrou em vigor no dia 1º de janeiro deste ano. Essa medida, segundo expectativa da ANP, elevará o consumo do produto renovável no Brasil para 2,4 bilhões de litros em 2010. Desse montante, de acordo com a ANP, 80% será fornecido por unidades produtoras detentoras do Selo Combustível Social, instrumento criado pelo governo para possibilitar a participação combinada da agricultura familiar e do agronegócio na cadeia produtiva do biodiesel. Por meio do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, lançado oficialmente em 2004, os fabricantes de biodiesel recebem benefícios tributários desde que tenham esse selo. Para adquiri-lo, a indústria precisa comprar matéria-prima de agricultores familiares. A obtenção de financiamentos para a construção das usinas também está vinculada ao selo social.

    No entanto, apesar do esforço do governo federal para integrar os agricultores familiares ao programa de incentivo ao combustível renovável, o que se vê no mercado brasileiro ainda é o predomínio da soja como matéria-prima para a produção de biodiesel, grão cultivado sobretudo pelos grandes produtores e que apresenta melhor performance entre as oleaginosas disponíveis. Essa situação tem trazido incômodo ao governo, que cobra dos fabricantes uma maior diversificação das matérias-primas utilizadas na produção, dando prioridade para culturas plantadas por pequenos produtores, como o dendê e a mamona.

    O aumento da adição de biodiesel (para 5%), segundo a ANP, tornará o Brasil o segundo maior produtor de biocombustíveis do mundo, perdendo apenas para a Alemanha. Hoje, o Brasil é o quarto produtor, atrás também dos Estados Unidos e da França. No momento, as vendas do biodiesel nacional ao exterior são irrisórias, abastecendo quase que exclusivamente o mercado interno.

    Atualmente, o país tem uma capacidade instalada para produção de biodiesel de 4,1 bilhões de litros por ano, ou seja, 1,7 milhão a mais do que a demanda estimada (2,4 bilhões de litros) para este ano, com cerca de 65 usinas existentes. Animados, os produtores de biodiesel já negociam com o governo o aumento da mistura ao diesel para 20% nos grandes centros urbanos e para 10%, no restante do país, até 2015. Porém, o governo avalia com cautela esse pleito, preferindo focar as atenções na busca de soluções para diversificar o uso de matérias-primas utilizadas na produção.

    Petrobras busca a liderança – Desde o lançamento do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, em 2004, a Petrobras tem sido uma forte aliada dos produtores de biodiesel. Nos últimos anos, a estatal brasileira colocou em prática um plano de expansão de sua produção própria, que tem por meta chegar a 640 milhões de litros em 2013 e abocanhar 25% do mercado brasileiro.

    Ancorada nos incentivos à agricultura familiar, a Petrobras Biocombustível alega ter dominado o processo tecnológico de biodiesel derivado de mamona, além de ter programas de pesquisa com diversas matérias-primas. Em janeiro, a estatal anunciou investimentos de R$ 66 milhões para duplicar a capacidade de produção de biodiesel na usina de Candeias-BA, a primeira das três unidades de produção da empresa, inaugurada em julho de 2008. Dos atuais 108,6 milhões de litros produzidos anualmente, a produção nessa fábrica saltará para 217,2 milhões de litros/ano a partir de 2011. Antes de decidir pela expansão da usina de Candeias, a companhia já havia ampliado em 90% a capacidade de produção anual em cada uma das duas outras unidades, as de Quixadá-CE e Montes Claros-MG, que passou de 57 milhões para 108 milhões de litros.

    No ano passado, a Petrobras produziu 157 milhões de litros de biodiesel em suas três usinas. Em novembro de 2009, a empresa também adquiriu 50% das ações da BSBios, de Marialva-PR, por R$ 55 milhões. A unidade tem capacidade para produzir 120 milhões de litros de biodiesel por ano e a previsão é de colocá-la em operação comercial ainda neste semestre. Foi o primeiro empreendimento em parceria da estatal, que pretende anunciar outros projetos similares nos próximos anos.



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