Petróleo & Energia

13 de abril de 2015

Biocombustíveis: Etanol celulósico enfrenta crise setorial e petróleo mais barato

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Publicado por: Domingos Zaparolli
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    Os últimos meses foram pródigos em novidades relacionadas à produção industrial de etanol de segunda geração (2G), elaborado a partir de materiais celulósicos. Em setembro de 2014, a GranBio inaugurou em São Miguel dos Campos-AL a primeira usina do Hemisfério Sul a utilizar palha e bagaço de cana-de-açúcar como matéria-prima. A fábrica, batizada de Bioflex 1, consumiu US$ 190 milhões e tem capacidade para produzir 82 milhões de litros do biocombustível por ano. A GranBio também anunciou uma parceria com o grupo belga Solvay em um projeto de bioquímica para a produção de bio n-butanol a partir do insumo. Em novembro, após investimentos de R$ 237 milhões, entrou em produção uma unidade da Raízen, em Piracicaba-SP, com capacidade para 40 milhões de litros por ano de etanol 2G.

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    Um pouco antes das brasileiras, a holandesa DSM e a americana Poet deram a partida em uma fábrica em Iowa, nos Estados Unidos, capaz de produzir 75 milhões de litros de etanol celulósico de resíduos da colheita de milho, como sabugo, folha, cascas e talos. A unidade consumiu US$ 275 milhões. Recuando o calendário até outubro de 2013, chega-se a inauguração da primeira fábrica de etanol 2G em escala comercial do mundo. Em operação na região do Piemonte, na Itália, a unidade custou US$ 200 milhões e tem capacidade para 75 milhões de litros por ano, resultado de uma parceria entre a Beta Renewables, ligada ao grupo italiano Mossi Ghisolfi (M&G), e a dinamarquesa Novozymes. O etanol é produzido com resíduos, como palha de trigo, arroz e Arundo donax, planta conhecida como cana-do-reino. A M&G também anunciou, em julho de 2014, a formação de outra joint venture, dessa feita com a chinesa Anhui Guozhen Co., para construir, por US$ 325 milhões, a maior usina de etanol 2G do mundo. A unidade prevista para Fuyang, China, poderá produzir aproximadamente 235 milhões de litros de etanol por ano, mediante o processamento de palha e outros resíduos agrícolas ainda não detalhados. A previsão é de iniciar a operação da usina em 2016.

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    O “batismo de fogo” do etanol 2G, porém, se dá em um cenário adverso. O preço do petróleo apresenta-se volátil em 2015. O barril do Brent, sempre acima dos US$ 100 nos últimos anos, chegou a ser comercializado na casa dos US$ 50 em janeiro e US$ 60 em fevereiro. O preço menor da commodity desestimula e, em alguns casos, pode inviabilizar investimentos em fontes alternativas de combustíveis.

    No Brasil, onde o 2G é produzido com resíduos da cana-de-açúcar, a nova tecnologia enfrenta ainda um problema extra: o desestímulo ao investimento no setor canavieiro, gerado por uma política governamental de controle dos preços dos combustíveis. Nos últimos seis anos, 83 usinas de etanol optaram por interromper suas atividades devido ao baixo retorno comercial da atividade, segundo levantamento da consultoria especializada Datagro.

    Sebastian Soderberg, vice-presidente global da Novozymes, empresa que desenvolve enzimas para a conversão de biomassa em biocombustível, diz que a indústria mundial de etanol 2G entrou em uma fase crítica de validação. “Já há um certo número de plantas em operação e este é um marco importante para a indústria. A validação técnica e econômica, no entanto, precisa ser confirmada, ou seja, as usinas precisam demonstrar que podem operar em capacidade máxima, de maneira plena e robusta”, afirma. Para o executivo, tão logo essa validação técnica e econômica ocorra, deve haver uma nova onda de investimentos.

    A Novozymes, no entanto, adotou oficialmente em janeiro uma posição cautelosa em relação ao progresso do 2G para os próximos anos. A companhia, que trabalhava com a expectativa de fornecer sua tecnologia de conversão de biomassa para 15 usinas de etanol celulósico até 2017, passou a trabalhar com um horizonte mais elástico, no qual essa meta seria alcançada apenas em 2020. “As fases de construção e crescimento para essa primeira onda de usinas operando em escala comercial têm levado mais tempo que o esperado. E a validação técnica e econômica necessária para impulsionar uma nova onda de investimentos foi adiada, mas continuamos vendo potencial nessa indústria”, diz Soderberg.


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