Petróleo & Energia

16 de março de 2009

Biocombustíveis – Demanda internacional fica aquém do previsto e preços despencam

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Biocombustíveis

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    mbora projete um futuro brilhante, o setor sucroalcooleiro tem um presente difícil. Animado pelo interesse manifesto dos países desenvolvidos em adotar o etanol como combustível automotivo ou, pelo menos, como aditivo oxigenado de origem renovável para a gasolina de origem fóssil, o setor manteve nos últimos anos um ritmo frenético de investimentos para ampliar a capacidade produtiva. A tecnologia de motores bicombustíveis afastou os temores de desabastecimento e fez crescer o mercado interno do combustível “verde”. Porém, a evolução explosiva dos embarques do álcool para o exterior não se concretizou. A produção excedente segurou os preços em um patamar pouco atraente, gerando um desequilíbrio que motiva a consolidar a atividade em grandes players.

    Antonio de Pádua Rodrigues, Diretor-técnico da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Única), Biocombustíveis

    Antonio de Pádua Rodrigues: Exportação do açúcar cresce, mas não salva o setor

    “Não temos expectativas de aumento no mercado externo”, afirmou Antonio de Pádua Rodrigues, diretor-técnico da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Única), entidade representativa dos produtores de açúcar e álcool do estado. A exportação de álcool na safra 2008/09 (termina em março, ao fim da produção do Nordeste) ficou perto de 5 bilhões de litros, mas a previsão para a próxima safra é de um recuo de um bilhão de litros. Registre-se que a produção norte-americana de etanol, feita com milho, cresceu para mais de 30 bilhões de litros/ano em 2008, mas deverá cair em 2009. A crise econômica afetou os produtores americanos, muitos dos quais paralisaram investimentos e operações. Além disso, o consumo de combustíveis automotivos deverá cair significativamente. De outro ângulo, o preço do petróleo despencou dos quase US$ 150/barril para a faixa de US$ 40/barril, entre setembro de 2008 até o início de março deste ano. A mistura de gasolina barata (nos EUA) com milho caro deverá se refletir no menor consumo de álcool, um argumento a mais para que não sejam eliminadas as pesadas barreiras tarifárias às importações de etanol brasileiro.

    Os usineiros do Brasil não estão muito pessimistas. Como usam a cana como matéria-prima, eles podem direcionar parte da sacarose extraída para a fabricação de açúcar. “Nas últimas safras, a exportação de açúcar cresceu e ainda há espaço para vender mais”, afirmou Pádua.

    O bom desempenho internacional do açúcar brasileiro deve ser atribuído às quebras de produção na Índia, por motivos climáticos. Segundo o diretor da Única, o mercado estava ofertado há alguns anos, mas essas quebras reverteram o quadro. “O Brasil é o único país do mundo capaz de suprir o mercado mundial com rapidez”, explicou Pádua. Apesar disso, ele salienta que as exportações de açúcar não são suficientes para sustentar o setor na atual circunstância. “Ajuda, com certeza, mas falta crédito até mesmo para bancar essas exportações”, disse. Sem acesso aos contratos de antecipação de câmbio (ACC), os usineiros podem ter de vender mais álcool no mercado interno para bancar a operação internacional. Isso deprimiria ainda mais as cotações do etanol.

    O diretor-técnico salientou os esforços empreendidos para manter a liderança tecnológica mundial no setor. A produtividade atual na Região Sudeste chega a invejáveis 7 mil litros de álcool por hectare em cada safra. Para 2018, a meta setorial é de alcançar 12 mil litros/ha, considerando os ganhos na parte agrícola e na industrial.

    A safra em fase de encerramento (2008/09) deverá superar a produção de 27 bilhões de litros de etanol (nas formas anídrica e hidratada) no Brasil, sendo quase 25 bilhões de litros oriundos da chamada região Centro-Sul (principalmente Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás) e 2,4 bilhões de litros nas regiões Norte e Nordeste (destaque para Alagoas e Pernambuco). “No próximo ano, a produção deve aumentar para 30 bilhões de litros”, calculou Pádua.

    Pelos números apresentados e considerando que a produção de 2007/08 foi de 22,5 bilhões de litros, verifica-se o crescimento aproximado de 20%. A previsão de 30 bilhões de litros para a safra que começará em abril indica a expectativa de crescimento de 11% na oferta de etanol. “O crescimento na safra 2008/09 foi muito grande, contando com a entrada em operação de vários empreendimentos”, comentou Pádua. “Na safra que vai começar isso não deve se repetir na mesma intensidade.” Em 2008, cerca de 30 usinas iniciaram produção no Brasil, número que ficará entre 15 e 20 durante 2009. Algumas usinas entraram em produção no segundo semestre do ano passado e, como tinham cana madura, permaneceram em produção durante o tradicional período de entressafra na região Centro-Sul, de novembro a março. “A maioria dessas estreantes foram projetadas para produzir álcool para exportação”, comentou.


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