Laboratório e Análises

5 de agosto de 2001

Biocidas: Legionelose ganha controle químico

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Famosa por ter sido a causadora da morte do ministro das comunicações, Sérgio Motta, em 1998, a legionelose, um tipo grave de pneumonia provocada pelas bactérias Legionella pneumophila, ganhou uma solução química de prevenção. Muito freqüente em sistemas de resfriamento de prédios e fábricas, onde pode infectar as pessoas por meio do ar condicionado ou nas proximidades das torres, e em quaisquer sistemas de água, as bactérias podem agora ser combatidas por programas de desinfecção desenvolvidos por grandes empresas de tratamento de água, como Ondeo Nalco e BetzDearborn.

    Química e Derivados: Biocidas: Fernandes - combate inclui cloro, bromo e biocidas.

    Fernandes – combate inclui cloro, bromo e biocidas.

    “Seria prudente incentivar o tratamento regular por meio de produtos químicos testados e que tenham demonstrado eficácia na prevenção de lodo, corrosão e incrustação, algas ou populações numerosas de bactérias”, explica o gerente de marketing da BetzDearborn, Ricardo Fernandes. A minimização dos riscos causados pela bactéria Legionella requer, além da aplicação de produtos químicos, a realização de uma série de medidas preventivas de segurança. A BetzDearborn desenvolveu um conjunto de medidas e de recomendações específicas.

    Em suma, o tratamento engloba a aplicação contínua de cloro ou de bromo, com residual de cloro ou bromo livre, conforme o grau de sujeira do sistema. Para sistemas limpos, por exemplo, o ideal é a manutenção de cloro livre de 0,5 a 1,0 ppm continuamente. Adicionalmente, recomenda-se a aplicação de biocidas não-oxidantes, principalmente em sistemas potencialmente suscetíveis ao crescimento de bactérias não-oxidantes. “As recomendações encontram-se em plena conformidade com as normas do CTI – Cooling Technology Institute”, lembra Fernandes.

    A desinfecção – Para sobreviver, a Legionella requer umidade, propagando-se por meio das gotículas de aerossol contidas no ar que sai de torres de resfriamento, podendo ser inaladas pelos seres humanos que se encontram próximos a esses locais. Segundo Fernandes, a contaminação ocorre pela pela água de reposição. Normalmente elas não se proliferam na água de resfriamento, embora a quantidade de bactérias existentes na água possa aumentar devido a evaporação. Sabe-se atualmente que a Legionella se prolifera basicamente dentro de protozoários, encontrados principalmente nas áreas biocontaminadas. Estas áreas são caracterizadas por lodo microbiano, sedimentos lodosos e a existência de água estagnada nas áreas sem saída.

    Há casos em que a desinfecção precisa ser feita em caráter de emergência. Fernandes recomenda que ela seja realizada quando existirem níveis muito elevados de Legionella (ou seja, >1.000CFU/ml). Mas também quando há casos comprovados ou suspeitos de doença do Legionário possivelmente associados à torre de resfriamento ou ainda se voltarem a ocorrer contagens microbianas totais demasiadamente elevadas (>100.000CFU/ml) 24 horas após uma desinfecção rotineira.

    Nessas emergências, deve-se remover a carga térmica do sistema de resfriamento, desligar todos os ventiladores e a descarga do sistema. Mantêm-se, por outro lado, as válvulas de água de reposição abertas e fecha-se entradas de ar do edifício nas áreas vizinhas à torre de resfriamento (especialmente as que estiverem localizadas a favor do vento) até terminar a limpeza. Com as bombas de recirculação de água em operação, adiciona-se biocida em quantidade suficiente para obter 25 a 50 ppm de halogênio residual livre e um biodispersante adequado (e um antiespumante, se necessário).

    Em conjunto, deve-se manter 10 ppm de halogênio residual livre durante 24 horas e adicionar mais biocida, conforme necessário, para manter um residual de 10 ppm. É importante também monitorar o pH do sistema. Como a taxa de desinfecção por halogênio diminui com a elevação do pH, pode-se adicionar ácido e/ou reduzir os ciclos a fim de alcançar e manter um pH menor do que 8 (para biocidas à base de cloro) ou 8,5 (para biocidas à base de bromo).

    O dreno do sistema segue para um esgoto sanitário. Se a unidade tiver licença para descarregar para água superficial, será necessário efetuar a desalogenação. Após isso, repete-se todos os procedimentos anteriores e inspeciona-se após a segunda etapa de drenagem. Se existir um biofilme, haverá a necessidade de nova desinfecção. Quando não for notado nenhum biofilme, limpa-se mecanicamente o enchimento, os suportes da torre, as divisórias das células e o reservatório da torre. Por fim, deve-se encher novamente a torre e recarregar o sistema para obter 10 ppm de halogênio residual livre e carregar o sistema com os produtos adequados para controle de corrosão e depósito, recolocando a torre de resfriamento em funcionamento.

    37 espécies – Legionella é o nome dado a um gênero de bactérias para o qual já foram identificadas pelo menos 37 espécies diferentes. A Legionella pneumophila é a espécie mais comum, associada a surtos de doença. São bactérias em forma de bastão, muito comuns em fontes de água natural, tendo sido encontradas em rios, lagos e correntes; amostras de lama e solo; água e lodo das torres de resfriamento; além de outros sistemas de água construídos pelo homem.

    Essa variedade de espécies já foi detectada em muitas fontes de água potável, inclusive água de poço, resultando em contaminação de diversos sistemas públicos e privados que utilizam essas águas. Os microrganismos encontrados nas águas não tratadas (tais como algas, amebas e outras bactérias), ou em águas submetidas a um tratamento ineficaz, também propiciam a proliferação da pneumophila. Alguns protozoários servem de hospedeiros para essa bactéria, o que permite sua rápida propagação.


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