Produtos Químicos e Especialidades

5 de julho de 2001
 

Biocidas: Garantia de qualidade anima vendas

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Uso de biocidas aumenta para prevenir o ataque microbiológico a diversos produtos. Conjuntura favorece o uso de blends em vez do lançamento de novas moléculas

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    demanda por biocidas segue firme, alimentada pela preocupação crescente das indústrias em garantir a qualidade de seus produtos. Além disso, a queda dos preços internacionais de muitos princípios ativos com poder microbicida incentiva a incrementar as fórmulas, oferecendo maior espectro de proteção e maior durabilidade do tratamento.

    A maior procura pelos biocidas também apresenta justificativa indireta. Alguns setores industriais, como o de tintas, alteraram radicalmente sua composição química, principalmente ao adotar emulsões ou dispersões aquosas em substituição aos antigos sistemas com base em solventes orgânicos. Em outros casos, como nos produtos de higiene e beleza pessoal, a palavra de ordem foi substituir ingredientes sintéticos pelos de origem natural, derivados de óleos vegetais e gorduras animais. Em ambas as situações houve favorecimento da multiplicação de microorganismos diversos, além de, muitas vezes, introduzir contaminações elevadas nas formulações.

    Diversos são os resultados da proliferação microbiológica nesses sistemas de natureza orgânica. No aspecto físico, a mais evidente alteração é a desestabilização das emulsões, com a separação visual das fases. Freqüentemente observa-se variação de cor, situação indesejável nas tintas, por exemplo. Na composição química, a liberação de enzimas pelos micróbios provoca o fracionamento de cadeias poliméricas, gerando moléculas curtas, de mais fácil digestão ou assimilação pelas colônias. O resultado final é a liberação de gases, como o CO2, além dos fétidos sulfurosos. Lotes contaminados precisam ser descartados ou retrabalhados, elevando custos ou criando inconvenientes para os usuários finais.

    Química e Derivados: Biocidas: Dora Alice - mercado atual pede blends eficientes com baixo custo.

    Dora Alice – mercado atual pede blends eficientes com baixo custo.

    País com a maior parte do território na região tropical, o Brasil apresenta indiscutíveis qualidades para a proliferação de microorganismos, exigindo o uso intensivo de conservantes biocidas. Existem muitas aplicações praticamente inexploradas pelos formuladores, como as tintas para madeira ou mesmo as linhas para ambientes de alta umidade (banheiros, por exemplo), que só há poucos anos passou a contar com produtos específicos. Mesmo nos cosméticos, a fabricação local de artigos de qualidade superior só deslanchou a partir do Plano Real, em 1994.

    Embora o potencial de demanda seja promissor, há dificuldades no caminho dos fornecedores de ingredientes ativos. A reestruturação mundial da indústria química, em curso há quase cinco anos, cindiu alguns dos maiores grupos do setor. A tendência foi a separação dos negócios das ciências da vida (linhas farmacêuticas, veterinárias, de biotecnologia e agroquímicos) das linhas da chamadas química básica tradicional. Os biocidas ficaram nesse grupo. “Antes contávamos com laboratório específico para a pesquisa e desenvolvimento de novas moléculas para controle microbiológico, um custo inaceitável hoje em dia”, comentou um executivo de empresa internacional do ramo, situação confirmada por alguns de seus concorrentes. Ainda surgem novos produtos, em ritmo bem menos acelerado do que há cinco anos, e, em geral, são frutos de pequenas alterações químicas nas moléculas disponíveis. “Além do custo elevado de pesquisa é preciso computar também os caríssimos estudos para conseguir a aprovação do EPA e FDA, nos Estados Unidos, e até da Vigilância Sanitária brasileira”, comentou outro executivo.

    Ao mesmo tempo, várias moléculas sobejamente conhecidas e com patentes caducas continuam sendo eficientes em muitas aplicações. Como são fabricadas em vários lugares do mundo, seus preços estão em declínio, para alegria dos compradores e preocupação da indústria química. Afinal, sem contar com margens razoáveis, torna-se impossível investir em inovações e há forte incentivo para a reestruturação das atividades. “Pode ocorrer nova onda de fusões e aquisições nos próximos anos”, comentou Dora Alice F. Campos, diretora da área de proteção e higiene da Avecia (ex-Zeneca, ex-ICI).

    Atualmente já acontecem acordos entre fornecedores para somar princípios ativos de modo a obstar iniciativas de concorrentes. “A tendência atual é o desenvolvimento de blends mais eficientes e econômicos, em vez lançar moléculas multifuncionais”, avaliou.

    Química e Derivados: Biocidas: Campos espera crescer nas tintas com pacote amplo de insumos.

    Campos espera crescer nas tintas com pacote amplo de insumos.

    A mesma opinião tem o gerente regional de vendas de químicos funcionais da Clariant, Dimas Carlos de Campos. “A tendência é inovar nos blends, como forma de prestar serviço aos cientes, incluindo o controle microbiológico em todas as etapas do processo e até dos produtos finais nos pontos de venda”, comentou.

    Com a aquisição, em 1999, do grupo BTP, controlador da Nipa, tradicional fornecedor mundial de parabenos (ésteres do ácido p-hidroxibenzóico), a Clariant consolidou posição estratégica favorável, atuando em todas as áreas industriais.

    “Já tínhamos atuação ampla na área de surfactantes, que nos permite abrir mercados em muitos negócios.” Os parabenos são muito usados na indústria cosmética, sob as denominações de Nipagin e Nipasol. A linha anterior da Clariant enfatizava as aminas quaternárias, área na qual conta com acordo mundial de cooperação com a Lonza, esta mais forte no campo dos domissanitários.

    Ele ressaltou que a formulação de blends apresenta complexidade, a ponto de alguns países, como os Estados Unidos, oferecerem aos produtoresproteção contra cópias desautorizadas. “Os países desenvolvidos também protegem seus mercados internos, nos quais praticam preços mais elevados”, afirmou.


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