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15 de março de 2011

Biocidas – Cresce oferta por substitutos de liberadores de formol

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Publicado por: Antonio C. Santomauro
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    Química e Derivados, Biocidas - Liberadores de formol

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    arecem ainda muito sutis as mudanças na conjuntura que há tempos inibe o uso mais intenso, no Brasil, de biocidas para tintas ambientalmente mais sustentáveis. Livres de restrições por falta de uma regulamentação adequada, segue fácil o acesso a modalidades ambientalmente agressivas desses produtos – porém, baratas e eficazes –, e se mantém exacerbada uma competitividade própria para reduzir as margens de lucros das empresas desse mercado e, consequentemente, suas verbas para pesquisas. Há até quem note o retorno, nesse gênero de aplicação, de produtos aparentemente relegados ao passado, como o formol inibido.

    Mantém-se, porém, enfático o discurso do setor sobre a necessidade de desenvolvimento de produtos mais amigáveis ao meio ambiente, mesmo porque, embora no Brasil as multinacionais fabricantes de tintas ainda aceitem produtos já recusados em outros países, elas devem consolidar políticas globais de uso de insumos. Além disso, é crescente o cerceamento internacional a biocidas em cujas fórmulas apareçam alguns dos componentes qualificados como mais danosos à vida no planeta.

    Nessa busca por produtos mais sustentáveis, destaca-se hoje a oferta de substitutos para os liberadores de formol, no Brasil quase onipresentes nos bactericidas destinados a manter intacta a tinta nas latas (proteção in can). Combinados com moléculas do grupo das isotiazolinonas – em maior escala, a chamada combinação CMIT/MIT, clorometil e metil isotiazolinona –, esses doadores de formol ajudam a assegurar determinado tempo de vida útil às tintas, especialmente para aquelas produzidas com a água como base, hoje amplamente hegemônicas entre as tintas imobiliárias, e em expansão em outros segmentos desse mercado.

    A Arch, de origem norte-americana, que no Brasil mantém uma planta de biocidas em Salto-SP, esforça-se para ampliar os negócios com substitutos para os liberadores de formol, muitos deles também isotiazolinonas. É o caso da benzoisotiazolinona e da clorometilisotiazolinona (ambas moléculas mais nobres desse grupo).

    Química e Derivados - Fabio Couto Forastieri - Arch do Brasil, biocidas, formol

    Forastieri: Brasil deve seguir restrições aos doadores de formol

    No mercado nacional, explica Fabio Couto Forastieri, gerente de vendas da Arch no Brasil, os doadores de formol são ainda usados em larga escala porque, além de não haver restrições legais a seu emprego, constituem produtos extremamente eficazes, embora ambientalmente agressivos. “Mas no exterior já há restrições a seu uso, e isso deve chegar também ao Brasil”, prevê.

    Na opinião de Forastieri, deve crescer o aproveitamento de biocidas mais sustentáveis também no segmento ligado à película seca (dry film), cujos produtos conferem proteção fungicida e algicida – e em alguns casos também bactericida – ao filme de tinta já aplicado e curado. “Nesse caso, destaco o piritionato de zinco, já bastante aplicado na indústria de cosméticos para controle de caspa, e em início de utilização no segmento das tintas, ao qual confere proteção contra fungos, algas e bactérias superficiais”, exemplifica.

    Inteligência e conscientização – “A busca por sustentabilidade favorecerá também o uso de polímeros, mais pesados e mais estáveis que as moléculas atualmente em uso”, projeta Luiz Wilson Pereira Leite, diretor de marketing e negócios internacionais da Ipel. Ele conta que a empresa desenvolveu um biocida obtido do polímero PMHG (polihexametileno guanidina), ainda não colocado diretamente em tintas por questões relativas a custos, mas já empregado por seus fabricantes na desinfecção dos equipamentos e das plantas produtivas.

    Base desse polímero, as guanidinas, destaca Leite, “em função de sua baixa toxicidade constituem campo hoje importante para a pesquisa de biocidas”. Agora, ele prossegue, a Ipel prepara o lançamento de um biocida não sintético, desenvolvido com extratos vegetais naturais, inicialmente aproveitados em setores como cosméticos e produtos de limpeza. “Mas ele pode ser utilizado também em tintas, o único obstáculo atual para esse uso é seu custo.”

    De acordo com Leite, outra ênfase da atual busca dessa indústria pela sustentabilidade é a substituição do cloro, não mais aceito em segmentos específicos do mercado de tintas, especialmente naqueles cujos produtos têm contato mais direto com a pele dos usuários, como guaches e tintas infantis. “Esses produtos também não contêm mais nenhum formol, substituído por versões mais nobres das isotiazolinonas”, complementa o diretor da Ipel.

    Se já há biocidas totalmente isentos de formol, existe também quem perceba o regresso do formol inibido em formulações de biocidas: caso de Karina Zanetti, assistente técnica da Miracema-Nuodex, para quem o retorno ao uso dessa substância – aparentemente banida em prol dos mais estáveis liberadores de formol – constitui “uma regressão”.

    Na Miracema-Nuodex, conta Karina, a busca por produtos mais sustentáveis foca o desenvolvimento de “biocidas inteligentes”, compostos por ativos de menor toxicidade, passíveis de uso em quantidades menores, e com atuação mais especificamente direcionada aos micro-organismos aos quais devem combater.


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