Máquinas e Equipamentos

15 de abril de 2011

Bens de Capital – Dados da Abimaq indicam desindustrialização

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Publicado por: Jose P. Sant Anna
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    indústria fabricante de máquinas e equipamentos apresentou faturamento bruto deflacionado de R$ 5,81 bilhões em fevereiro. O valor representa aumento de 12% sobre janeiro e 11,8% de crescimento em relação ao mês de fevereiro de 2010. O acumulado do primeiro bimestre ficou na casa dos R$ 11 bilhões, valor 10,9% superior ao do mesmo período do ano passado. Entre os segmentos com resultados mais positivos ligados à indústria de petróleo, petroquímica e química, destaque para os de bombas e motobombas, cujas vendas cresceram 29,9% no bimestre, quando comparadas com as do primeiro bimestre do ano passado. Os bens sob encomenda, cujos negócios estão muito ligados às indústrias de petróleo, petroquímica e química, aumentaram 15,5%, considerando-se os mesmos períodos. O de válvulas, também significativo, caiu 0,5%.

    À primeira vista, os números parecem positivos. O bom momento do setor, no entanto, recebe sérias ressalvas da liderança da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). “Quando comparamos os resultados de 2011 com os de 2008, antes da crise econômica mundial, notamos que o nosso faturamento ainda está 7,2% inferior. Recuperamos terreno, mas ainda estamos abaixo dos índices alcançados no passado”, lamenta Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq.

    Um dos grandes problemas, de acordo com o dirigente da entidade, encontra-se na “invasão asiática” ocorrida nos últimos tempos. Concorrem para o cenário vários fatores, entre os quais a desvalorização do dólar talvez seja o mais sério. Para agravar o problema do câmbio, o preço demasiadamente reduzido praticado pelos fabricantes de equipamentos de “olhos puxados”, em especial os da China e Coreia do Sul, prejudica os produtos nacionais. Sem falar nas velhas queixas contra o chamado “custo Brasil”. Também sobram reclamações para a diferença de critérios de um grande comprador, a Petrobras. “Os fabricantes nacionais, para vender para a Petrobras, precisam atender a uma série de exigências.” Os fabricantes asiáticos precisam atender às mesmas exigências. “Mas os produtos importados não são vistoriados com o mesmo rigor, queremos ser tratados com isonomia”, reclama.

    A consequência mais perversa da maior chegada dos importados é o aumento do déficit da balança comercial. No bimestre, as exportações alcançaram US$ 1,66 bilhão, valor 61,3% maior do que o do primeiro bimestre de 2010. “Esse crescimento, embora significativo, deve-se muito às exportações intercompanies, feitas por filiais brasileiras de empresas multinacionais para suas matrizes”, adverte Aubert. As importações no período ficaram na casa dos US$ 4,11 bilhões, 30,6% acima do resultado do mesmo período do ano passado. O prejuízo ficou na casa dos US$ 2,45 bilhões. De acordo com estimativas da entidade, o déficit desse ano pode chegar aos US$ 30 bilhões, o dobro de 2010.

    No período de 2004 a 2011, o déficit foi de US$ 47,6 bilhões. Para o dirigente, o crescimento da economia no período não foi aproveitado como deveria pelos fabricantes do setor. “No passado, de cada dez máquinas vendidas por aqui, seis eram nacionais. Hoje, esse número caiu para quatro”, avalia. O nível de utilização da capacidade em fevereiro ficou na casa dos 80,6%. “Não temos problemas de aumentar a produção de forma rápida, se for necessário”, diz. Um dado positivo: o número de pessoas empregadas pelo setor em fevereiro chegou aos 253 mil, 0,7% superior ao de janeiro. Isso é explicado pelo aquecimento da economia. “O número de máquinas produzido aumentou, mas a produtividade de nossos fabricantes diminuiu”, ressalva.

    Merece análise a origem das importações. O país que mais vendeu para o Brasil foram os Estados Unidos, responsáveis por 25,2% do total dos negócios. Esse percentual, em 2004, era de 32,4%. A China, em 2004, ficava com apenas 2,1% das compras brasileiras. No primeiro bimestre, foi a segunda colocada, ficando com 16% da verba. No mesmo período, a Coreia do Sul saltou de 1,1% para 3,7%. Para o presidente da Abimaq, o que preocupa não é a importação de equipamentos sofisticados, capazes de aumentar a capacidade de produção dos compradores. O grande problema são os equipamentos de qualidade similar aos nacionais. Outro dado que faz pensar: em 2010, o índice de importação de componentes, a maior parte deles incorporada nos equipamentos novos fabricados no Brasil, cresceu 39,3%. “Estamos sofrendo um processo de desindustrialização”, resume.

    Química e Derivados, Bens de Capital - Luiz Aubert Neto - ABIMAQ

    Aubert: invasão de máquinas e de componentes asiáticos preocupa

    O destino de nossas exportações merece menção honrosa. No primeiro bimestre, os Estados Unidos foram os maiores compradores dos equipamentos brasileiros, com negócios no valor de US$ 271 milhões. Em seguida, ficaram Argentina (US$ 246 milhões), Holanda (US$ 131 milhões), Peru (US$ 104 milhões) e Alemanha (US$ 80 milhões). “Isso mostra a competitividade da nossa indústria, dos cinco maiores compradores, três são do primeiro mundo”, observa Aubert.

    Isenções – Diante das reclamações generalizadas das lideranças da Abimaq, duas notícias alvissareiras. A primeira é a prorrogação do programa Finame-PSI (Programa de Sustentação do Investimento), que se encerraria no final de março e será estendido até o dia 31 de dezembro de 2011. O programa prevê juros amigáveis para os compradores de máquinas e equipamentos nacionais. Houve alteração em algumas das taxas cobradas na fase anterior. Os juros cobrados das micros, pequenas e médias empresas na comercialização de bens de capital passam de 5,5% para 6,5% ao ano. O programa é considerado muito importante para aumentar a competitividade dos fabricantes nacionais.

    Outra boa nova é a manutenção, feita por parte do governo do estado de São Paulo, da queda da alíquota de ICMS de 18% para 12% para máquinas e equipamentos. A redução, instituída em 1989 com o objetivo de estimular os investimentos e a produtividade da indústria, havia sido revogada no ano passado. Sua restauração foi consolidada em janeiro, depois de longa e exaustiva negociação entre Abimaq e autoridades paulistas.



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