Economia

2 de dezembro de 2013

Bens de capital: Vendas de máquinas importadas crescem

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Aubert: dólar a R$ 2,40 não protege setor

    Aubert: dólar a R$ 2,40 não protege setor

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    indústria brasileira de bens de capital mecânicos prossegue navegando em águas turbulentas. Em julho, o consumo aparente de máquinas e equipamentos no país somou R$ 10,561 bilhões, valor 2% inferior ao registrado no mês anterior. Esse resultado interrompeu uma tendência de recuperação setorial iniciado em janeiro deste ano.

    A demanda acumulada desses bens de janeiro a julho chegou a R$ 69,162 bilhões, 5% acima do valor referente ao período idêntico de 2012. “Quando se elimina o efeito cambial, atitude necessária, o resultado dessa comparação fica negativo em 0,6%”, explicou Luiz Aubert Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

    Ao mesmo tempo em que a procura interna por bens de capital mecânicos encolheu, aumentou a participação dos produtos importados nesse mercado, chegando a 66% em julho. Como 16% do consumo aparente se refere a itens importados, porém faturados por empresas nacionais, a venda de máquinas e equipamentos genuinamente feitos no Brasil atendeu a apenas 18% da demanda brasileira em julho. “Somando tudo isso, talvez 2013 nos traga resultados piores do que os de 2012”, lamentou Aubert.

    O dirigente setorial aponta o “tripé do mal” como responsável pelo péssimo desempenho da indústria. O termo se refere a uma combinação de câmbio defasado, juros elevados e tributos escorchantes. “O câmbio é o pior desses fatores, tanto que a importação vem assumindo participação maior no nosso mercado desde 2007”, criticou.

    Na avaliação da Abimaq, a desvalorização do real em relação ao dólar de R$ 2,00 para R$ 2,40 ajudará um pouco a recuperar a produção local daqui a alguns meses. “Porém, ninguém consegue dizer se o dólar vai ficar mesmo em R$ 2,40, vai subir ou vai cair, e essa instabilidade bloqueia investimentos na produção”, considerou Aubert. Ele também comentou que a cotação do dólar a R$ 2,40 é a mesma de há quatros anos, mas nesse intervalo os custos de produção subiram muito. Isso fica claro quando se compara o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor no Atacado) e o IPP (Índice de Preços do Produtor) de máquinas.

    Química e Derivados, Bens de capital: Vendas de máquinas importadas crescemComo a economia global ainda se recupera dos abalos de 2008, a demanda total permanece fraca, havendo ampla oferta para suprir eventuais surtos de aquisições em qualquer parte do mundo. Daí a importância capital de ser competitivo para garantir a sobrevivência do setor. Mas isso é difícil para a indústria brasileira. “O chamado custo Brasil torna qualquer produto feito aqui 37% mais caro que outro idêntico fabricado na Europa e nos Estados Unidos”, apontou Mário Bernardini, diretor de competitividade da Abimaq, que liderou um estudo amplo sobre isso.

    A cotação ideal do dólar para estimular a produção nacional ficaria situada entre R$ 2,60 e R$ 2,70 e, mesmo assim, não seria capaz de brecar a entrada dos produtos asiáticos. Aubert salienta que a valorização do real entre 2010 e 2011 conteve o reajuste dos preços dos bens de capital, mas a atual desvalorização ainda é insuficiente para compensar os prejuízos havidos. “Além disso, o dólar está se valorizando mundialmente, quase todas as moedas ficaram mais fracas, ou seja, não houve vantagem cambial relativa entre o Brasil e esses nossos concorrentes”, salientou.

    Ele também relata a elevação dos preços internos dos principais insumos consumidos pela cadeia produtiva metal-mecânica. “O aço brasileiro chega a ser 30% a 40% mais caro que o alemão, por exemplo”, comparou.

    Importações crescem – O resultado da conjugação desses fatores aparece na balança comercial do setor. De janeiro a julho deste ano, as importações cresceram 20,6%, em comparação com jan-jul de 2012, formando um déficit de US$ 12,379 bilhões. As importações no período registraram aumento de 7%, alcançando o total de US$ 19,027 bilhões, enquanto as exportações, nesses mesmos termos de comparação, sofreram queda de 11,6%, com um total de US$ 6,648 bilhões. Apesar disso, a Abimaq considera que o resultado de julho, com vendas ao exterior de US$ 1,118 bilhão, confirma a tendência de recuperação, chegando perto da média histórica de um terço do faturamento setorial. Os maiores clientes dos bens de capital brasileiros são os países da América Latina, seguidos pela Europa e Estados Unidos. Nossos maiores fornecedores internacionais continuam sendo os EUA, com a China em segundo lugar. “Em tonelagem, as importações chinesas já superam com folga as provenientes dos Estados Unidos”, disse Aubert.


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