Automação Industrial

10 de setembro de 2000
 

Automação: Sistemas cortam custos e ligam fábrica à diretoria

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Redução de variabilidades permite otimizar os processos químicos e recuperar rentabilidade, mas exige investimento nos sistemas de controle

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    s investimentos em automação de processos produtivos de qualquer setor econômico devem considerar duas necessidades básicas: a melhoria contínua de qualidade, produtividade e rentabilidade das operações, bem como a comunicação imediata do chão-de-fábrica à alta direção das companhias. Apesar de óbvia, a primeira é freqüentemente negligenciada, permitindo que instrumentos de campo de baixa precisão e confiabilidade sejam colocados na linha apenas por serem mais baratos. Já a segunda, constitui o fundamento de tendência cada vez mais forte em todo o mundo: participar do e-business, os negócios via Internet.

    A julgar pelas vendas de instrumentos e sistemas de controle e automação de processos no Brasil, a demanda está em fase de recuperação. “Depois do ajuste cambial, as empresas tiveram estímulo para investir na modernização de fábricas e aumentar a produção nacional, reduzindo importações”, comentou Nelson Ninin, diretor da Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee) e presidente da Yokogawa América do Sul. Pelas estatísticas da Abinee, o volume de negócios da área em 2000 deve crescer 10%, perfazendo o total de R$ 600 milhões, em prognóstico conservador.

    Químia e Derivados - Automação - Ninim clientes querem integração global.

    Ninim clientes querem integração global.

    Para Ninin, o segundo semestre revela-se muito mais ativo para negócios que o anterior, no qual houve queda de pedidos nos meses de abril e maio, retomando o ritmo aquecido em junho. “É possível ter havido uma etapa de revisão de projetos, agora já superada”, afirmou. O dirigente setorial pondera que os recentes bons resultados de venda de produtos de consumo não se refletem necessariamente em investimentos na área produtiva, por haver capacidade ociosa a ocupar.

    Da parte dos fornecedores de instrumentos e sistemas de medição, controle e automação operantes no País, a capacidade de atendimento ao mercado em ebulição é suficiente, sem sobressaltos. Para isso concorre a recente abertura de grande número de empresas qualificadas para elaborar projetos e instalar sistemas. Em geral, essas empresas foram constituídas pelo pessoal técnico especializado antes empregado pelos próprios fornecedores desses produtos, ou por seus clientes, cujos empregos foram cortados na onda da reengenharia que varreu o País nos anos 90.

    Química e Derivados - Automação - Sistema moderno controla cada ponto da fábrica e troca dados com programas de ERP, superando o antigo painel.

    Sistema moderno controla cada ponto da fábrica e troca dados com programas de ERP, superando o antigo painel.

    “A tendência atual de mercado respeita o desejo dos clientes de contar com um sistema global, que compreenda a fábrica e o escritório, tecnologicamente atualizado”, afirmou Ninin. Ao sentir o crescimento da tendência, a Yokogawa mundial movimentou-se para atuar como provedora de soluções tecnológicas empresariais (enterprise technology solutions, ETS). Comprou várias empresas a fim de ampliar o portfólio de produtos e serviços, atualmente contando com sensores, instrumentos de controle de processos, controladores lógico-programáveis (CLP), sistemas de segurança, programas gerenciais, controle avançado e otimização de processos entre outros. “Agora estamos entrando na tecnologia da informação (IT) que vai ser fundamental para a próxima década”, explicou. O foco recai na criação de ambiente onde os dados estejam disponíveis na mesma velocidade do e-business.

    Para o dirigente, o primeiro passo deve ser dado dentro das empresas, pela implantação de sistemas ERP (enterprise resource planning). Atualmente a Yokogawa oferece sistemas de acompanhamento até o nível gerencial, dotados de drives (saída de dados) para os complexos sistemas ERP. “Já temos instalado um sistema que opera terminais de refinaria de petróleo”, comentou.

    Química e Derivados - Automação - Monteiro empresas terão uma só base de dados.

    Monteiro empresas terão uma só base de dados.

    A tecnologia da informação também se tornou prioridade na ABB (Asea Brown Boveri). “A idéia é compartilhar uma base de dados única em toda a empresa, com atualização imediata”, afirmou Wilson Monteiro Jr., gerente geral da área de petróleo, química e offshore, da divisão de automação da ABB. Segundo avaliou, atualmente há bons sistemas disponíveis nas pontas da atividade, ou seja, próximos dos controles de campo ou perto da alta gerência. “Mas há uma grande lacuna entre esses extremos”, observou. Para Monteiro, a sobrevivência dos fornecedores da área de controle e automação de processos está diretamente ligada à capacidade de permitir a integração total das atividades dos clientes.

    Contando com tecnologia aportada pelas adquiridas Bailey e Hartmann Braun, a ABB desenvolveu a linha Industrial IT, nova geração de equipamentos de controle de processos competitiva com os sistemas CLP e DCS. A novidade gera e permite o fluxo de grande volume de informações sobre o processo e seu entorno. Usa protocolos abertos de comunicação, sendo compatível com as linhas Profibus, Foundation Fieldbus e Hart, os mais demandados. “Os novos produtos são totalmente compatíveis com nossas linhas anteriores e podem ‘conversar’ com sistemas de ERP, como BaaN, Oracle ou SAP, por exemplo”, disse Monteiro. Segundo o executivo, atualmente a troca de informação entre a produção e a alta gerência ainda é tênue. Um exemplo de mudança possível pela melhoria do fluxo de informações pode ser visto na área de manutenção. “É possível planejar melhor as intervenções e coordenar as ordens de compra de materiais de reposição para que estes estejam disponíveis na hora certa”, disse. O desenvolvimento de sistemas para a área de manutenção contou com o conhecimento técnico da ABB Service, que comprou em 1999 a Central de Manutenção (Ceman) da Copene.


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