Economia

6 de outubro de 2001

Automação: Mercado nacional cresce 10% ao ano

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados: Automação: Angioletti - Distrito 4 coordena ISA Show 2002 para crescer.

    Angioletti – Distrito 4 coordena ISA Show 2002 para crescer.

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    ais de 110 expositores receberam quase 15 mil visitantes durante o ISA Show Brasil 2001, de 23 a 26 de outubro, no Expo Center Norte. Ao final da promoção, já foi confirmado o próximo encontro para 19 a 22 de novembro de 2002, desta vez organizado e coordenado exclusivamente pelo Distrito 4 (América do Sul) da Instrumentation, Systems and Automation Society (ISA), com o objetivo de ocupar o International Trade Mart (ITM), na Vila Leopoldina, em São Paulo. A ISA/Distrito 4 alerta que esta é a única exposição chancelada pela entidade a ser promovida em 2002 na capital paulista.

    O mercado brasileiro de instrumentação, controle e automação de processos é estimado em US$ 600 milhões para 2001. “Somando as importações de sistemas completos em unidades turn key, pode-se passar de US$ 800 milhões”, comentou Stéfano Angioletti, presidente do Distrito 4 da ISA e diretor-executivo da Soft Brasil Sistemas de Gestão. Estatísticas do setor apontam crescimento contínuo do mercado doméstico por volta de 10% ao ano, refletindo enorme potencial da região. Em termos internacionais, basta mencionar que as vendas no Brasil representam mais ou menos 10% do mercado dos Estados Unidos.

    Empregador de 3,5 mil pessoas, em geral de alta qualificação, o setor apresenta exportações pífias, ao redor de US$ 60 milhões por ano. “Trata-se de setor de desenvolvimento tecnológico muito rápido, que exige disponibilidade de capital e escala produtiva para acompanhar, coisa que apenas poucas empresas brasileiras conseguem”, afirmou Angioletti.

    A exportação porém está na ordem do dia, tanto das companhias nacionais, como das multinacionais, estas interessadas em evitar as conseqüências da desvalorização cambial em seus negócios. “Nós da Yokogawa já produzimos e exportamos vários produtos a partir da operação brasileira”, afirmou Nelson Ninin, presidente da multinacional de origem japonesa, presidente do ISA Show e diretor de automação da Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee). “O custo de produção nos países desenvolvidos já pode ser considerado alto, com a possibilidade de transferir a fabricação para outros centros”, comentou.

    “No entanto, o custo Brasil é um problema, ainda mais com os impostos elevados que reduzem a atratividade do País.” No papel de executivo de multinacional, Ninin procura “vender” a imagem do Brasil como alternativa para abrigar linhas globais de produtos.

    Química e Derivados: Automação: Ninim - Brasil poderá produzir linhas globais.

    Ninim – Brasil poderá produzir linhas globais.

    “Para atrair investimentos, o País precisa ter mercado relevante e honrar seus compromissos internacionais, além de ser competitivo e oferecer a possibilidade de lucro para os empreendimentos”, resumiu Carlos Liboni, diretor da divisão internacional da Smar Equipamentos Industriais e 1º vice-presidente da Fiesp/Ciesp. Ele considera que o mundo vive uma fase de transição, mensurável em três dimensões: espaço, tempo e meios.

    Por espaço, Liboni avalia a disponibilidade de capital para investimentos, tradicionalmente baixa no País. “Automação industrial precisa mais de cérebros que de dinheiro, não é setor capital-intensivo, portanto pode se desenvolver por aqui”, explicou. Quanto ao tempo, ele vê atrasos locais em adotar tecnologias mais avançadas, expostas, por exemplo, no ISA Show. “Se não houver investimentos nas linhas mais avançadas, haverá prejuízo a longo prazo no desenvolvimento industrial”, disse. Já nos meios, Liboni identifica na automação uma fonte de incremento de produtividade, fator básico para aumentar as exportações nacionais. Por isso, ele recomenda desenvolver o setor localmente.

    Stéfano Angioletti concorda com a argumentação e a complementa citando que, para cada dólar investido em instrumentos e sistemas (hardware) é preciso aplicar um dólar em serviços (instalação, suporte técnico, trienamento, etc.). “O Brasil já comprovou ter plena competência para promover a integração entre programas e instrumentos”, mencionou. Além disso, o custo dos profissionais técnicos no País chega a ser três vezes mais em conta que nos EUA, por exemplo. “Daí a importância fundamental dos integradores de sistemas, que são os vetores de tecnologia, formando uma rede ampla para criar, desenvolver e multiplicar idéias”, disse Liboni.

    Manter a posição de destaque na tecnologia de aplicação de produtos exige esforços combinados. A ISA se caracteriza como entidade internacional, mantida pelas indústrias, com finalidade essencialmente educacional, com trabalhos desenvolvidos por voluntários. Durante o show, 400 profissionais deram cursos e treinamento para visitantes. Em âmbito mundial, a ISA conta com 43 mil membros espalhados por 110 países, publicando livros e normas técnicas, além de promover feiras e cursos. “Nos EUA somos certificadores de profissionais”, disse Robert Bailliet, presidente da ISA. Aliás, refletindo a tendência de globalização da entidade foi reestruturada no ano passado, culminando com a mudança de denominação. Da antiga Instruments Society of America, com 55 anos de vida, passou-se à Instrumentation, System and Automation Society. “Antigamente, existia a ISA nacional [dos EUA] e a ISA International, que foram unificadas”, comentou.

    O Distrito 4 está em fase de reestruturação, profissionalizando o staff, de modo a aprimorar o trabalho regional. A meta da região é voltar ao patamar de 2 mil associados, partindo dos atuais mil. “A região já teve 2 mil sócios, mas houve uma redução, aliás, em escala mundial”, disse Angioletti. A redução do número de sócios pode ser explicada pelos processos de fusão e aquisição de companhias, que redundou em redução do quadro de profissionais, além da perda de poder aquisitivo desses profissionais.


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