Automação Industrial

14 de dezembro de 2002

Automação: Expectativa de aumento de negócios a partir de 2003

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    ano de 2003 ainda representa uma grande incógnita para os empresários ligados ao setor de instrumentação de controle e automação industrial. Segundo Nelson Ninin, diretor da Associação Brasileira da Indústria Eletro-eletrônica (Abinee) e recém-eleito presidente do Distrito 4 da ISA (Instrumentation, Systems and Automation Society), com base em estudos contratados pela associação, espera crescimento da ordem de 2,5% do Produto Interno Bruto.

    “Caso isso se concretize, com certeza a área de automação e instrumentação crescerá um múltiplo desse valor”, afirmou, sem precisar a magnitude do multiplicador. A visão é otimista, mas não muito, e reflete a recente melhora da imagem do novo Presidente da República e do Partido dos Trabalhadores junto aos investidores e instituições financeiras internacionais. “Há, também, uma expectativa muito positiva por parte da população nacional”, constatou.

    Química e Derivados: Automação: Ninin - turn-key fechado prejudica setor.

    Ninin – turn-key fechado prejudica setor.

    Ninin recomenda ao novo governo oferecer incentivos para o segmento de controle e automação, embora não se trate de atividade intensiva em mão-de-obra. “Porém o segmento contribui muito para melhorar a qualidade e a produtividade de grande número de setores, principalmente os exportadores”, explicou. Ele salientou que a demanda interna não é grande o suficiente para justificar investimentos na criação de tecnologia local de produtos. Além disso, a globalização de negócios determina a especialização das fábricas, concentrando-as em poucos países. “Mas o Brasil tem capacidade excelente para desenvolver aplicações e gerar complementos aos produtos disponíveis”, afirmou.

    Uma das formas de incentivar essa atividade seria o combate aos projetos tipo turn key fechados. “Isso tira o espaço dos prestadores locais de serviços”, criticou. Com projetos abertos, as empresas locais, muito bem qualificadas, poderiam atuar mais em engenharia básica e detalhamento, evitando a remessa de recursos ao exterior.

    O dirigente setorial descarta a adoção de qualquer forma de reserva de mercado, mas exige que o tratamento dado aos fabricantes nacionais seja isonômico com os estrangeiros. “Não é possível que comprar no Brasil seja mais caro que importar”, criticou, pedindo urgência para a reforma tributária e a redução dos juros para atividades produtivas.

    Para os próximos anos, Ninin espera que as áreas de siderurgia, mineração e petróleo/gás mantenham pesados investimentos, beneficiando inclusive a área de automação e controle industrial. Só a Petrobrás, com planos de aplicar no segmento US$ 600 milhões até 2006, trará contribuição enorme para o desempenho setorial.

    A crise de eletricidade vivida em 2001 não tirou negócios da área de automação e controle. “Pelo contrário, todas as empresas foram obrigadas a investir nisso para economizar energia e produzir com mais eficiência”, explicou Ninin. A própria geração elétrica e linhas de transmissão, que tinham reduzido seus investimentos, foram obrigadas a reativá-los, mantendo aberto um mercado de grandes dimensões, dada a necessidade de construir plantas novas (inclusive termelétricas), além de atualizar os sistemas já instalados.

    Especificamente na área de automação e controle, em que pese o grande desenvolvimento tecnológico havido nos últimos anos, Ninin ainda vê alguns temas que precisam ser melhor discutidos e aperfeiçoados. “É o caso do controle industrial por network, o uso de redes de campo, além da crescente aplicação das tecnologias de informação nos sistemas”, afirmou.

    Resultados instáveis – O ano de 2002 foi pródigo em surpresas e sobressaltos, ficando marcado pelas instabilidades de mercado. Munido de números levantados pela Abinee, Ninin apontou como indicador o nível de ocupação de capacidade produtiva do setor, que repetiu os mesmos 82% de 2001. “Porém, essa ocupação variou muito durante o ano; de janeiro a julho não passamos de 70%”, comentou.

    Considerando a soma de componentes, serviços e softwares, quando aplicados aos sistemas de automação e controle de processos, o mercado nacional pode ser estimado em R$ 1,45 bilhão, superando o R$ 1,2 bilhão do ano anterior. A estimativa inicial da entidade era repetir o faturamento setorial, mas a alta do dólar influenciou o resultado a partir de junho.

    Nas importações, a queda foi sensível. De R$ 792 milhões registrados em 2001, o mercado brasileiro trouxe do exterior apenas R$ 595 milhões em 2002. “Ainda há importações dentro de pacotes tipo turn key que não foram computadas”, comentou o dirigente.



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