Química

15 de julho de 2010

Atualidades – Tensoativos: Estudos comprovam segurança no uso do LAS

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    alquilbenzeno linear sulfonato de sódio, mais conhecido pela sigla LAS, é o segundo mais importante tensoativo mundial, perdendo apenas em volume de consumo para o velho sabão. E deve permanecer nesta posição por muitos anos, apoiado por estudos internacionais que comprovam sua segurança aos seres humanos e ao meio ambiente, além de apresentar uma imbatível relação de custo/benefício na lavagem de roupas e louças.

    O nome já informa se tratar de um anel benzênico bissubstituído por uma cadeia carbônica linear de origem parafínica, contendo de 10 a 13 átomos de carbono (11,6, em média), e com um sulfonato de sódio na posição “para”, que lhe atribui o caráter aniônico. Foi lançado mundialmente há mais de quarenta anos para substituir os tensoativos aniônicos ramificados que dominavam o mercado, porém eram pouco susceptíveis à degradação biológica, constituindo um problema ambiental. “A indústria química criou o LAS como solução para esse aspecto, que só mais tarde veio a ser alvo de legislação restritiva aos ramificados”, comentou Ignácio López Serrano, gerente de pesquisas da espanhola Cepsa Química, dona da Deten (Camaçari-BA), maior produtora global do LAS, durante palestra proferida durante a Household Autocare 2010, realizada de 16 a 18 de junho, em São Paulo.

    Trata-se de uma molécula simples e engenhosa. Sua base reside no alquilbenzeno linear, o LAB, que é insolúvel em água. A sulfonação lhe confere propriedades tensoativas, porém gera um produto altamente corrosivo. Isso exige a neutralização com soda cáustica, potassa ou monoetanolamina, geralmente a primeira, originando o sal sódico seguro e eficiente chamado LAS.

    Química e Derivados, Ignácio López Serrano, Gerente de pesquisas da Cepsa Química, Atualidades - Tensoativos: Estudos comprovam segurança no uso do LAS

    López: tensoativo pode compor várias formulações de produtos de limpeza

    Segundo López, nesses quarenta anos, a produção industrial do tensoativo evoluiu muito, sobretudo nos catalisadores usados na alquilação do benzeno. O cloreto de alumínio usado nos primórdios da tecnologia deu lugar ao ácido fluorídrico. Recentemente, a tecnologia Detal de catálise heterogênea em leito fixo assumiu o estado da arte na alquilação, fruto do desenvolvimento conjunto entre UOP e Cepsa.

    A etapa de sulfonação também passou por aprimoramentos, deixando de usar o ácido sulfúrico concentrado (oleum) para ser realizada em reatores de filme descendente (FFR), com injeção de SO3. Esses aprimoramentos melhoraram a pureza do LAS e, com ela, foi alcançado um alto grau de transparência no tensoativo.

    Do ponto de vista industrial, o LAS oferece vantagens para os formuladores de produtos de limpeza. “Ele permite compor formulações de produtos com grande facilidade, admitindo vários cotensoativos e aditivos, sem problemas, além de resistir às temperaturas típicas dos spray dryers aplicados na produção de produtos em pó”, explicou López.

    Essas características mostram que o LAS acompanha as mais modernas tendências do mercado de tensoativos. “Nos líquidos, mais fáceis de dosar e manipular, a tendência mundial é usar produtos cada vez mais concentrados”, comentou Francisco Díaz, vice-presidente de desenvolvimento de negócios e inovação da Cepsa. “Nos pós também se busca aumentar a concentração dos ingredientes ativos, para reduzir o tamanho das embalagens”, explicou.

    Outra tendência é aplicar tensoativos que funcionem bem mesmo em baixas temperaturas, típicas de países do Hemisfério Norte, pois 80% da energia gasta nestes países para lavar roupas está relacionada com o aquecimento da água. Segundo Díaz, a temperatura média europeia para lavagem fica entre 40ºC e 50ºC, porém na Alemanha ela passa dos 80ºC. “Essas exigências são atendidas com um coquetel de tensoativos, incluindo o LAS, e enzimas”, explicou.

    No Brasil, o consumo anual de LAS se situa na faixa de 140 mil toneladas, atendido pela produção da Deten Química, capaz de gerar 220 mil t/ano do tensoativo, em cadeia integrada. “Tivemos um ampliação e atualização recentes, e parte da produção é exportada para vários países”, afirmou o diretor-geral da Deten, José Luis de Almeida. Mesmo no Brasil, o uso de cosurfactantes está se tornando trivial, o que pode reduzir um pouco o consumo do LAS, mas melhora o desempenho geral dos produtos finais.

    O Brasil é um mercado importante para o LAS, pois enquanto domina uma fatia expressiva na lavagem de roupas, também participa da limpeza de louças, talheres e utensílios de cozinha, que por aqui ainda é feita manualmente. “As máquinas de lavar louça não usam tensoativos, mas um pó abrasivo que remove a sujeira, porém tira o brilho das peças lavadas”, explicou.

    De vilão a mocinho – Criado para reduzir o impacto ambiental dos produtos de limpeza, o LAS passou a ser associado à formação de espuma em rios e lagos, exatamente o problema que pretendia combater. “É uma fama injusta, que não se sustenta cientificamente”, contestou López. Apoiado por extensivos estudos produzidos pela Human And Environmental Risk Assessment On Ingredients Of European Household Cleaning Products (Hera), ele explicou que metade do LAS descartado na rede de coleta de esgoto sofre degradação imediata, ou seja, nem chega às estações de tratamento ou, eventualmente, aos corpos de água, no caso dos lançamentos diretos.

    A sequência de biodegradação começa pela transformação do LAS em sulfofenilcarboxilatos, compostos que não são tensoativos, ou seja, não formam espuma, além de não prejudicarem a fauna e a flora ambiental. Em seguida, o anel benzênico e as cadeias lineares são “cortados” pelos micro-organismos que, em etapa posterior, absorvem os elementos necessários à sua vida. “A degradação das cadeias carbônicas passa de 98%, em condições ambientais”, afirmou López.


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