Tecnologia Ambiental

18 de setembro de 2010

Atualidades – Tecnologia – Planos para obter energia das algas e cianobactérias

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Publicado por: Hilton Libos
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    a corrida entre centros de pesquisa e desenvolvimento dos países da Europa e dos Estados Unidos para viabilizar economicamente a tecnologia de uso das microalgas e cianobactérias como fonte primária para a obtenção de energias renováveis em alta escala, a direção da Algae Biotecnologia (grupo Ecogeo), pioneira no cultivo desses organismos no Brasil e na América Latina, anunciou seus avanços em relação à concorrência.

    A pesquisa da Algae partiu de um trabalho do National Renewable Laboratory (dos EUA) para a produção de biocombustíveis, engavetado na década de 1980. Como missão, estabelecida logo nas primeiras fases do trabalho, ficou definida esta alternativa energética, adaptável à realidade brasileira. A empresa biotecnológica decidiu formar parcerias com instituições acadêmico-científicas nacionais, como a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em meados de 2007, centralizando o planejamento e a elaboração numa equipe própria de pesquisadores. “A busca pelo equilíbrio financeiro das soluções técnicas propostas por nós e a sua aplicabilidade em países em desenvolvimento são focos permanentes da pesquisa”, afirmou o engenheiro agrônomo Sérgio Goldemberg, sócio-diretor da Algae.

    Com um braço na área acadêmica, a Algae estendeu o outro para a linha de produção, entabulando intercâmbios e acordos com o setor sucroalcooleiro para aproveitar os resíduos dessa agroindústria, como a vinhaça, que serve de alimento na fase de multiplicação das microalgas. Neste ano, a empresa biotecnológica participou dos encontros da Commercial Aviation Alternative Fuels Initiative (CAAFI) e da Algal Biomass Summit, ambos nos EUA. “Estamos no lugar e na hora certos, prontos para tirar vantagem de nossa posição estratégica e com vocação forte para a produção de energias limpas”, comentou Goldemberg.

    No cômputo de desenvolvimento da pesquisa, a fase de escalonamento do conhecimento acumulado sobre a nova tecnologia já foi concluída e, atualmente, o projeto de pesquisa está diante de dois desafios: um no terreno da engenharia e outro na área biológica. Neste caso, o trabalho agora se concentra na identificação das espécies com taxas mais favoráveis de crescimento em resíduos, identificando os micro-organismos com a maior capacidade de transformação fotossintética em energia.

    Em relação às questões envolvendo a área de engenharia, Goldemberg complementa que a tarefa da equipe é desenhar, projetar e implantar sistemas de baixo custo para o cultivo e extração da biomassa e do óleo das microalgas, por meio do processo de transesterificação.

    Química e Derivados, Atualidades - Tecnologia - Planos para obter energia das algas e cianobactérias

    Goldemberg: algas consomem CO2 para gerar biodiesel e bioquerosene

    Sequestro de CO2 – A experiência de Goldemberg com as facetas técnico-econômicas do agronegócio no decorrer das últimas duas décadas, período em que trabalhou na gerência técnica e comercial de fabricantes de sistemas para irrigação agrícola e para usinas de etanol no mercado exterior, agora está sendo útil para lidar com os cálculos de viabilidade econômica e de sustentabilidade. Água e terra são as outras duas variáveis da sustentabilidade no projeto, que pode ser executado em glebas impróprias para o plantio, enquanto até a água salina ou salobra é apropriada para o cultivo de micro-organismos – mais um ponto em favor de uma postura ambientalmente correta na preservação dos ciclos hidrogeológicos.

    “O potencial para a produção de biocombustíveis mediante sequestro de CO2 nas reações destes micro-organismos é imensurável”, afirma Goldemberg. Nos processos em desenvolvimento pela Algae, o foco foi fixado no potencial de sequestro de carbono pelas microalgas, de olho na possibilidade de inclusão do projeto no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). “Quando os micro-organismos crescem, seu regime fotossintético consome CO2 , que pode ser oriundo das emissões industriais. Dessa forma, alia-se o benefício da produção de óleo com o sequestro de um poluente”, detalha Goldemberg. O engenheiro ressalva que, na verdade, a tecnologia de cultivo de microalgas já é conhecida desde os anos 50 do século passado: “O problema é que os cultivos sempre foram destinados a produtos de alto valor, como os compostos nutracêuticos para alimentação humana”, informou.

    Resultados próximos – Goldemberg estima que, nos próximos três anos, a equipe da Algae poderá atingir os seus propósitos e chegar a resultados satisfatórios: “Poderei dizer que estou produzindo o óleo ideal no dia em que o produto obtido estiver nos mesmos patamares dos obtidos com óleos de origem vegetal”, comentou. O sucesso da empreitada não depende apenas da concentração no desenvolvimento do produto em si, mas de alinhar todos os componentes para a produção de óleo, o tratamento de resíduos líquidos e o sequestro de carbono. Essa integração deve ser promovida entre os cultivos de microalgas e as unidades de produção de biogás do grupo Ecogeo.


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