15 de março de 2000

Atualidades – Segurança: PqU e Cut assinam pacto contra benzeno

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Segurança, Pelo acordo, a PqU deverá acabar com os vazamentos nas bombas (no detalhe)

    Pelo acordo, a PqU deverá acabar com os vazamentos nas bombas (no detalhe)

    Mais preocupado agora com a geração de emprego e a manutenção da força econômica da região, o movimento sindical do ABC paulista tem provado ser possível entrar em entendimento com a indústria. Prova última foi o acordo sobre saúde, segurança e meio ambiente assinado no dia 10 de maio entre o sindicato dos químicos do ABC, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), e a Petroquímica União (PqU), de Santo André-SP. Além de visar o aumento do nível de segurança industrial, de preservação ambiental e de melhorar as relações sindicais, o objetivo do documento assinado é acima de tudo aperfeiçoar a proteção dos trabalhadores contra os efeitos nocivos do benzeno.

    Mais difícil de ocorrer no passado, quando as relações entre sindicato-empresa eram menos cordiais, o acordo é bastante abrangente e inclui ainda a formação do Sistema Único de Representação (SUR). Trata-se de um comitê interno de funcionários, que amplia as atividades dos membros da CIPA para além da questão de acidentes, atingindo também as relações trabalhistas com a empresa. “Discursos fáceis de combatividade não contribuem mais para a solução dos problemas estruturais de ordem ambiental, social e econômica, hoje em dia precisamos procurar o consenso”, sintetiza a nova metodologia de trabalho o presidente do sindicato Sérgio Novais.

    Com a colaboração mais efetiva do chão-de-fábrica, Novais acredita que não só os trabalhadores ganharão, mas também a empresa. “Vários acidentes e conflitos serão evitados e a produtividade aumentará”, diz. Mesmo essa participação tendo sido provocada pela insistência do sindicato, a idéia é também colaborar para o aumento de competitividade da PqU. “Nossas sugestões são feitas à luz da conjuntura econômica e social do país e da região, que tem perdido muitas indústrias”, afirma o dirigente.

    Química e Derivados, Segurança, Vazamentos nas bombas

    Vazamentos nas bombas

    Mesmo com o tom conciliatório, o acordo entra em detalhes nas atitudes a serem tomadas e estipula alguns prazos para implementações de melhorias. Logo no ínicio do documento, por exemplo, fica determinado que em um ano a PqU deverá concluir o sistema de drenagem fechada em suas linhas de aromáticos e olefinas, especificando ainda procedimentos futuros de verificação de estanqueidade e de monitoração do sistema.

    Quando se envolve o benzeno, motivo principal do documento, as determinações são ainda mais específicas e visam aprofundar o compromisso da empresa no disposto no Acordo Nacional Tripartite do Benzeno, firmado em dezembro de 1995 entre centrais sindicais, governo e empresários. Assinando o acordo, a PqU se compromete com várias medidas para minimizar o impacto desse aromático causador de leucemia mielóide e outras doenças no fígado e no sangue e para melhorar o atendimento a trabalhadores anteriormente expostos.

    Para tanto, a PqU deverá finalizar em 20 meses um programa de modernização de bombas que operem com fluidos com nível de benzeno superior a 30%, utilizando equipamentos com vedação total. Em um prazo menor, de apenas um mês, a empresa precisará reformular seu procedimento com a coleta de amostras de produtos, proibindo a reutilização de septos dos frascos, identificando o conteúdo da amostra e ainda tomando providências em caso de transbordo. No mesmo prazo, precisará treinar o pessoal envolvido nas coletas.

    Foi acordado ainda o envio de relatórios ao sindicato das avaliações de exposição individuais ao benzeno nos diferentes setores da fábrica, bem como a implementação de procedimentos de manutenção periódica de equipamentos e instrumentais das áreas de benzeno. Também precisarão ser monitorados os tanques com presença do produto. Faz parte ainda das exigências o treinamento e a realização de cursos informativos sobre o risco e exames de sangue gratuitos em funcionários da ativa e aposentados que foram expostos ao produto.

    Afora essas questões de segurança e as de cunho ambiental, outro compromisso vem a calhar na nova visão do sindicato de manutenção de emprego na região. A PqU se comprometeu a manter um efetivo mínimo de pessoal na área ocupacional e de manutenção até dezembro de 2000. Aliás, para sustentar essa determinação, bem como as demais contidas nas dez cláusulas do acordo, o sindicato do químicos do ABC tem um trunfo: em caso de descumprimento de algum item, a PqU pagará multa de 500 mil reais por infração.



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