Petroquímica

20 de julho de 2007

Atualidades – Petroquímica – Petrobrás compra Suzano para acelerar o Comperj

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    A Petrobrás assinou em 3 de agosto um contrato para adquirir a totalidade das ações da Suzano Petroquímica em poder da Suzano Holding por R$ 2,1 bilhões. A estatal anunciou oferta pública de R$ 600 milhões pelas ações em poder dos minoritários, a ser empreendida nos próximos meses. A intenção declarada da companhia consiste em reforçar sua posição estratégica no mercado petroquímico, além de estimular a criação da Petroquímica do Sudeste, empresa que congregaria os interesses setoriais na região, tornando-se uma concorrente com porte semelhante ao da Braskem.

    Na semana seguinte, Petrobrás e Unipar iniciaram tratativas para unir seus ativos petroquímicos regionais e criar a Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS). Até o dia 14 de agosto, porém, ainda não haviam sido definidas as participações de cada acionista, nem a participação de terceiros na complexa operação. O desejo manifestado pelas partes é de respeitar o modelo de liderança privada, que teria 60% do capital votante. Para tanto, porém, seria preciso que a Unipar exercesse o direito de preferência na compra de uma participação na Suzano Petroquímica. A modelagem financeira dessa etapa está em negociação, dependendo do apoio do BNDES ou do aporte de recursos de fundos de pensão de estatais.

    O anunciado respeito ao modelo de liderança privada na CPS deve tranqüilizar o setor, temeroso de uma reestatização. Porém, a possível participação dos fundos no capital do parceiro privado não pode ser considerada alentadora. Essas manobras começam a ser vistas no setor como decisões de interesse governamental, uma forma de desencadear investimentos pesados no setor.

    Embora representem uma etapa necessária à consolidação de ativos regionais e sejam coerentes com o panorama mundial, esses movimentos também sinalizam mudanças estratégicas da poderosa estatal, que pode voltar a ser o principal player petroquímico nacional, papel desenvolvido até 1990. Até o ano passado, os planos estratégicos da companhia para a petroquímica tinham por Norte uma participação minoritária, porém relevante, nos empreendimentos. A proposta em gestação pode ampliar o controle das operações, direto ou indireto.

    O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli de Azevedo, afirmou que a aquisição da Suzano precisa ser interpretada dentro de um contexto mais amplo, incluindo o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em gestação. “A Petroquímica do Sudeste precisa ser grande, forte e contar com capacidade financeira para se tornar um player global”, disse. Ele defendeu a montagem de negócios que contemplem a participação acionária de empresas privadas.

    Pelo discurso de Gabrielli, a estatal considera um modelo petroquímico nacional com duas grandes companhias: a Braskem (com ativos no Nordeste e no Sul) e a Petroquímica Sudeste, esta em negociação, em especial com o grupo Unipar, principal acionista da Petroquímica União (PqU). O executivo defendeu que o mercado relevante para o setor é o internacional, no qual a participação brasileira é irrisória. Além disso, ele acredita que essas duas grandes empresas não serão necessariamente concorrentes, por usarem matérias-primas diferentes. Atualmente isso não é verdadeiro, porém, se efetivado, o Comperj mudará radicalmente o perfil, por consumir apenas o óleo pesado extraído na Bacia de Campos. Colocado em um “mega-FCC”, esse óleo dará origem a combustíveis e a insumos petroquímicos (eteno, propeno, benzeno, xilenos). “O Comperj é uma quebra de paradigma tão importante como foi a produção de petróleo em águas profundas”, considerou o diretor de abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa.

    A compra – A aquisição da Suzano Petroquímica deve ser concluída em prazo mínimo de dois meses, tempo necessário para absorver as posições minoritárias. O presidente da Petroquisa, subsidiária da estatal para o setor petroquímico, José Lima de Andrade Neto, explicou que a empresa adquirida não deixará de existir, mas seu registro em bolsa será cancelado. “Ela servirá de base para outras negociações”, afirmou.

    O desembolso de R$ 2,7 bilhões, além de mais de R$ 1,5 bilhão em dívidas assumidas, será bancado pelo caixa da estatal, cujos lucros do primeiro semestre de 2007 foram superiores a R$ 10 bilhões. Ao comprar o braço petroquímico da Suzano, que está no ramo desde1974, aPetrobrás assume a maior produtora de polipropileno da América Latina, com 685 mil t/ano de capacidade atual, com expansões em andamento para chegar a 875 t/ano até 2008. O grupo também detém 33,3% do capital total da RioPol, produtora de polietilenos que utiliza gás natural fluminense, 20,1% da Petroflex e 6,8% da PqU. Ao final do processo, sem considerar eventual exercício de preferência da Unipar, a Petrobrás, somando as aquisições com sua posição atual, assumirá o comando da RioPol e terá participação mais relevante na PqU (24%).

    O valor da transação surpreendeu o mercado, por representar um múltiplo de aproximadamente onze vezes a margem líquida (EBITDA) da adquirida. Analistas consideram negócios similares aplicando múltiplos de cinco a sete vezes o valor do EBITDA. A operação foi feita num ciclo de alta da petroquímica mundial, próximo de um possível ponto de inflexão das curvas de resultados, segundo as consultorias internacionais do ramo, motivado pela entrada em operação de grandes produtoras de resinas termoplásticas no Oriente Médio, abastecidas com gás natural de baixo custo. Andrade Neto defendeu a operação nesse valor, apoiado por avaliação de consultores externos.


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