Petroquímica

14 de dezembro de 2007

Atualidades – Petroquímica – Consultoria analisa as tendências do setor

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    s principais transformações no cenário da indústria petroquímica internacional foram objeto de palestra, em novembro, da consultora internacional Rina Quijada,em Porto Alegre-RS. Nascidana Venezuela, formada em química e pós-doutorada nos Estados Unidos, onde reside, ela ofereceu uma visão clara do ambiente de negócios no âmbito da segunda e da terceira gerações petroquímicas, principalmente com relação à influência americana no mercado internacional.

    Por conta de sua experiência, Rina Quijada projetou as transformações pelas quais a indústria petroquímica atravessará nos próximos quatro anos. Ao expor suas considerações para uma platéia de aproximadamente cinqüenta lideranças empresariais vinculadas ao Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Estado Rio Grande do Sul (Sinplast), ela explicou que a cadeia petroquímica dos EUA não está preocupada em manter ativa a produção de manufaturados plásticos.

    De outro modo, é forte o interesse pelo comércio de etano ou de nafta, acompanhando a tendência do mercado global. Um cracker com predominância do processamento de eteno não é mais tão interessante, como analisou Rina, pois restringe a obtenção de polipropileno e poliestireno. No seu raciocínio, o mercado exige plantas multiplataforma e, por conta dessa exigência, o insumo básico mais interessante continua sendo a nafta, pois gera propeno, butadieno, benzeno, C4 em mistura, além do próprio eteno.

    Nos EUA, a petroquímica absorve 7% dos vinte milhões de barris de petróleo consumido por dia. Portanto, trata-se de um setor receptor de preços. Além disso, os monômeros potencialmente tendem a apresentar altos custos e isso se reflete nos polímeros. O polietileno de baixa densidade poderá faltar no mercado mundial, caso os projetos de novas plantas de eteno principalmente no Oriente Médio continuem atrasados. O polietileno de baixa densidade já é, neste momento, a commodity termoplástica mais cara.

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    Rina Quijada: EUA concentram interesses em matérias-primas

    Da mesma forma, não há novas ofertas de propeno e o polipropileno poderá perder aplicações que tomou do poliestireno nos últimos anos, como nos copos descartáveis. O mercado de estireno está ruim e o PS será a commodity com menos força para repassar acréscimos de custos.

    Ao traçar o cenário até 2011, Rina apresentou um quadro em que o consumo mundial de polipropileno, partindo de 19 milhões de toneladas em 2001, chegará a 33,4 milhões de t. Por sua vez, o polietileno, no mesmo período, saltará das 31,2 milhões de t em 2001 para 49,8 milhões de t.

    Na previsão de Rina Quijada, ocorrerá ainda uma modificação de liderança entre os principais players. A Exxon Mobil cederá lugar à Dow Chemical nos polietilenos. O terceiro lugar, hoje ocupado pela Chevron Phillips, será da Sabic, da Arábia Saudita. A Basell, hoje colocada como quarta maior processadora de polietilenos no mundo, não constará entre as dez maiores do segmento. Em compensação irá consolidar sua liderança mundial nos polipropilenos. A BP Química deverá ceder lugar para a Sinopec, da China.

    Os preços do gás natural na América do Norte dependerão das importações de gás liquefeito (GNL) e das reservas do Alasca, situadas em reservas ambientais. Os EUA não têm capacidade de produção adicional prevista, pois há anos não investem novas unidades. Venderam muito no período de preços baixos do insumo. Há também questões de fronteira a resolver, como no caso do gasoduto proveniente do Alasca que precisa atravessar o Canadá antes de abastecer os Estados Unidos. Além disso, os terminais para GNL são complexos e de alto custo, enquanto o transporte em navios especiais são demasiadamente caros. A Argentina, por sua vez, registrará aumento de demanda por gás natural, sem a oferta local correspondente do insumo. Assim, consolidará posição de forte importadora.

    Com relação aos artefatos plásticos, os principais consumidores corporativos, notadamente Carrefour, Wal Mar e Tesco, já pressionam os preços dos manufaturados para baixo. Ao mesmo tempo, existe uma repressão contra os produtos chineses por causa de sua qualidade questionável, evidenciada pelo recente problema com brinquedos, além do pouco caso daquele país quanto a aspectos ambientais e de saúde e segurança ocupacional e dos consumidores.

    “O Brasil está dentro do processo de reestruturação da petroquímica mundial”, sublinhou Rina Quijada, por conta das mega aquisições dos grupos Ipiranga e Suzano, com a participação decisiva da Petrobrás. Ao finalizar, reforçou que os principais negócios petroquímicos nos EUA estarão do lado das matérias-primas. A produção de resinas termoplásticas representará um esquema de faturamento adicional, ou complementar, favorecendo a transformação em outras regiões do planeta.



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