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31 de julho de 2013

Atualidades – Petroquímica: 1° trimestre registra vendas maiores

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Carlos Fadigas, Brakem: Comperj precisará de gás com preço próximo ao dos EUA

    Fadigas: Comperj precisará de gás com preço próximo ao dos EUA

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    Braskem fechou o primeiro trimestre de 2013 com a venda de suas resinas termoplásticas na casa das 921 mil toneladas, quantidade 6,2% superior à comercializada nos últimos três meses de 2012 e 8,8% maior que a do primeiro trimestre do ano passado. A companhia atribuiu o aumento à recomposição de estoques, em especial na Ásia, e à parada para manutenção de algumas fábricas ao redor do mundo.

    Por sua vez, a petroquímica brasileira conseguiu operar os seus crackers normalmente, com média de ocupação de 90%. Isso melhorou seus indicadores de eficiência e reduziu custos. Somados à recuperação das vendas e dos preços das resinas e petroquímicos básicos no mercado internacional (de 24% e 6%, respectivamente), o Ebitda do primeiro trimestre ficou em R$ 937 milhões, 6% maior que no período anterior. A receita líquida chegou a R$ 9,3 bilhões, com exportações de US$ 1 bilhão.

    Para uma estimativa de demanda brasileira por resinas termoplásticas de 1,3 milhão de t no trimestre (5,6% maiores que nos últimos três meses de 2012), as vendas de 921 mil t da Braskem representam 71%. “Considerando que o Brasil é um mercado aberto, esse percentual é adequado”, considerou Carlos Fadigas, presidente da Braskem. Ele recomendou observar o comportamento das vendas durante os próximos meses para verificar se o crescimento da demanda se sustenta.

    Dados apresentados por Fadigas indicam aumento de 3% na demanda doméstica de polietileno e de polipropileno, que somariam 994 mil t no trimestre, crescimento explicado pelo bom momento dos setores de alimentos, automotivo e agroindustrial, além da recomposição de estoques na cadeia. O PVC registrou crescimento de demanda de 15% no período, chegando a 311 mil t, refletindo o avanço da construção civil.

    Apesar da melhora da geração de caixa, a dívida líquida da Braskem alcançou US$ 7,4 bilhões, 8% acima do valor registrado ao final de 2012. “Uma parte dessa dívida é referente aos aportes que fizemos no projeto Etileno XXI, no México, que atingiram até março deste ano US$ 619 milhões”, explicou Fadigas. Esse projeto visa à construção de um cracker de etano e a subsequente produção de 1,05 t/ano de polietilenos de baixa e alta densidades. A Braskem detém 75% de participação no projeto, em parceria com a mexicana Idesa (25%). O valor do investimento foi orçado em US$ 3,2 bilhões, com estrutura de financiamento privado (project financing) aprovada em dezembro. Porém, a primeira parcela de recursos será liberada apenas em junho próximo, exigindo até lá desembolsos dos parceiros, que serão ressarcidos.

    Os investimentos previstos para esse ano pela Braskem somam R$ 2,2 bilhões, 70% dos quais destinados à manutenção, melhoria da produtividade e da confiabilidade dos ativos, incluindo a parada geral de manutenção por 30 dias em uma das linhas da central de Camaçari-BA, agendada para o quarto trimestre deste ano. Outros 25% serão alocados no projeto mexicano, e os 5% restantes apoiarão projetos em andamento, entre eles a construção da tubovia para levar propeno para a fábrica de ácido acrílico e derivados da Basf em Camaçari, em construção.

    A favor de seus resultados, a companhia será beneficiada pelo Regime Especial da Indústria Química (Reiq), oficializado em 8 de maio, que consiste na redução das alíquotas do PIS/Cofins para a aquisição de matérias-primas pelo setor químico, mantendo-se o crédito de 9,8%. Com isso, as compras de nafta, gases de refinaria, etano, propano e butano serão tributadas em 1%, em lugar dos 5,6% habituais. As compras de olefinas e aromáticos também serão taxadas em 1%, ante a alíquota anterior, de 9,25%. O Reiq terá validade até 2015, sendo o benefício reduzido gradualmente até 2018, quando se extinguirá. A Braskem ainda não conseguiu calcular o impacto da medida em seu balanço futuro, mas avalia em R$ 600 milhões o resultado direto da desoneração fiscal em suas compras.

    Além disso, a elevação da alíquota do imposto de importação sobre os polietilenos, de 14% para 20%, aplicada desde outubro, válida até mesmo para os respectivos transformados plásticos importados, também beneficiou a companhia. “Estavam sendo feitas importações predatórias de polietilenos, situação agravada pela existência da chamada guerra dos portos, na qual alguns estados praticamente isentavam de ICMS as importações feitas pelos seus portos, prejudicando toda a atividade petroquímica”, salientou.

    As medidas são favoráveis ao setor, mas insuficientes. “O gás natural está cotado a US$ 3,8 por milhão de BTU nos Estados Unidos, como resultado da descoberta do shale gas, enquanto nossas matérias-primas continuam muito caras”, avaliou Fadigas. “Precisamos manter a agenda estruturante para desonerar investimentos e usar mais gás natural em nossos processos.”

    Fadigas considera que o mundo ainda não saiu da crise iniciada em 2008. Enquanto os Estados Unidos apresentam uma lenta retomada, a Europa permanece com péssimos indicadores e há muita instabilidade nos mercados. “O cenário não favorece a elevação de preços nem aqui nem no exterior”, afirmou.


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