Química

15 de fevereiro de 2010

Atualidades: Petróleo – Indústria gaúcha quer vender para a Petrobras

Mais artigos por »
Publicado por: Fernando C. de Castro
+(reset)-
Compartilhe esta página
    A

    projeção de investimentos da Petrobras para o período entre 2009 e 2013 chega a US$ 174,4 bilhões, perfazendo a média anual de quase US$ 34 bilhões. Os números foram avaliados em um fórum realizado no final de dezembro em Porto Alegre-RS, com o objetivo de debater as oportunidades para a indústria gaúcha dominar uma fatia desse bolo. Longe das jazidas de petróleo e dos centros de decisão sobre o pré-sal, a participação do estado mais meridional do Brasil na venda de bens e serviços para o sistema petrolífero é pífia. Não chega a 1%, na média entre bens e serviços. O objetivo traçado pelas lideranças da indústria gaúcha é atingir 6% nos próximos cinco anos.

    O empresário Marcus Coester conhece bem as exigências de qualidade e segurança impostas a uma empresa para ser guindada ao cobiçado posto de fornecedora da bilionária indústria petroleira. Sua empresa, a Coester, é uma das raras exceções entre as gaúchas, operando no ramo de atuadores elétricos, redutores e conectores para válvulas de precisão, empregados nas mais diversas aplicações, desde as plataformas até as refinarias.

    Química e Derivados, Marcus Coester, empresário, Atualidades: Petróleo - Indústria gaúcha quer vender para a Petrobras

    Coester: empresa é uma das únicas habilitadas a vender para a estatal

    Coordenador do Comitê de Competitividade de Petróleo e Gás da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), e vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Coester lembra que a geopolítica do Atlântico Sul, em termos de exploração de petróleo, é um tema desafiador. Quando fala sobre o assunto, ele se entusiasma com os números. Explicou que as jazidas mais próximas encontram-se a 300 quilômetros da costa e que o helicóptero capaz de percorrer essa distância sem abastecimento sequer foi desenvolvido. Isso demandará inovação, desenvolvimento humano e criatividade. É possível prever a construção de navios e plataformas logísticas de abastecimento das aeronaves, desenvolvimento de plataformas de exploração e extração com enormes volumes de eletrônica embarcada, algumas inabitadas, outras com operação humana quase inexistente.

    Outro aspecto levantado por Coester diz respeito à estratégia do modelo de negócio. No seu entendimento, a exploração da camada do pré-sal deve seguir o modelo adotado na Inglaterra, Canadá e Dinamarca, onde a indústria petrolífera foi concebida de tal forma que criasse efeitos positivos em toda a economia, de forma bem distribuída.

    Por outro lado, devem ser evitados modelos de negócio associados à chamada maldição do petróleo, encontrados em regiões como Oriente Médio, México e Venezuela. Trata-se da indústria petrolífera baseada exclusivamente na exploração, extração e venda de óleo cru, embarcado em navios para a industrialização em outras partes do mundo. Nesse sistema, cresce a concentração de renda e se bloqueia o desenvolvimento sustentado da economia.

    Para Coester, a economia gaúcha e seus protagonistas devem enxergar na nova configuração da indústria do petróleo uma grande oportunidade e se agarrar aos seus pontos fortes, buscando a superação dos pontos fracos. Por exemplo: o Rio Grande do Sul produz aço, componentes eletrônicos, borracha, peças usinadas de precisão em aço e novos materiais. Pode construir tubulações, válvulas, bombas, compressores, microchips. Terá provavelmente a primeira fábrica de semicondutores do país e poderá participar de projetos de abrangência tecnológica por conta de suas universidades e centros de inovação.

    O empresário projeta uma expansão possível por parte das empresas de prestação de serviços. O Rio Grande do Sul possui uma forte indústria de transportes e logística. Dessa maneira, cabe ao setor procurar entender como participar do sistema de transporte de pessoal, equipamentos, insumos e víveres. Tal perspectiva requer diálogo conjunto entre o grupo de fornecedores, a indústria de construção de equipamentos e as petroleiras.

    Química e Derivados, Adelar Fochezatto, presidente da Fundação de Economia e Estatística, Atualidades: Petróleo - Indústria gaúcha quer vender para a Petrobras

    Fochezatto: pré-sal tem potencial para desenvolver indústria local

    Por ocasião do fórum sobre o pré-sal, o vice-presidente da Fiergs, Humberto Busnello, destacou a “forte cultura empreendedora” como o maior potencial dos gaúchos. “A indústria gaúcha precisa aproveitar o orçamento da Petrobras”, frisou, lembrando que para isso será necessário “eliminar alguns gargalos”. Busnello recomenda desonerar os investimentos para garantir a competitividade. “Precisamos de condições para que as empresas tenham desenvolvimento tecnológico”, pontuou.

    “Taxar investimentos é desfavorável para a competitividade”, avalia o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Álvaro Alves Teixeira. Para ele, a camada de pré-sal entre Santa Catarina e Espírito Santo se estende até a costa da África. Os países desse continente puxarão petróleo também, com a participação até mesmo de empresas brasileiras do ramo. “São os caprichos da geologia”, pondera Teixeira.

    Classificado como “bênção para o Brasil”, o pré-sal, segundo o presidente da Fundação de Economia e Estatística, Adelar Fochezatto, pode impactar o desenvolvimento da indústria. “Os principais efeitos recairiam sobre os setores diretamente ligados à cadeia produtiva do petróleo, de máquinas e equipamentos, produtos químicos, transporte, serviços industriais de utilidade pública, como energia e saneamento”, analisou. O desenvolvimento de novas tecnologias também foi um dos aspectos destacados no debate.

    Pequenos desconfiam – Apesar dos esforços para aproximar a mina de ouro do pré-sal à realidade do empreendedor gaúcho, essas oportunidades ainda geram descrença. A hipótese de desenvolvê-las passa por fora do horizonte das micro, pequenas e médias organizações. Guilherme Menezes, responsável do Sebrae pela área de aperfeiçoamento com vistas ao fornecimento para a cadeia de petróleo, gás e energia, afirma que a negociação direta com a Petrobras e com as futuras vencedoras dos leilões são temas para as grandes corporações.


    Página 1 de 212

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next