Química

18 de novembro de 2007

Atualidades – Nanotecnologia – Falta aproximar pesquisa e empresas

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Publicado por: Jose P. Sant Anna
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    s países avançados não estão dormindo de touca. A cada ano, órgãos governamentais e empresas aumentam os seus investimentos no desenvolvimento da ciência e da tecnologia ligadas ao universo nanométrico. O motivo desse envolvimento não poderia ser mais atrativo. Pesquisa realizada pela consultoria norte-americana Lux Research, pioneira no mundo no campo da nanotecnologia, revela que o mercado global de produtos dotados de algum tipo de material nanoparticulado em sua composição vai movimentar a bagatela de US$ 2,4 trilhões em todo o mundo no ano de 2014.

    No Brasil, de acordo com especialistas no assunto, o tema vem sendo tratado com algum entusiasmo no meio acadêmico. Os empresários, por sua vez, com raríssimas exceções, não têm demonstrado muita preocupação. Eles parecem não acreditar que daqui a alguns anos as empresas brasileiras ligadas aos mais variados segmentos da economia perderão competitividade ante os importados, ou que terão de pagar royalties para adquirir a tecnologia necessária para atualizar os seus produtos.

    A falta de iniciativa da indústria nacional em relação ao avanço internacional da nanotecnologia esquentou o clima nos debates da terceira edição do congresso Nanotec, que este ano, pela primeira vez, recebeu a denominação Nanotec Business. O evento foi organizado pela RJR Consultoria e Eventos e realizado nos dias 12 e 13 de novembro no Hotel Meliá Mofarrej, na cidade de São Paulo.

    Um dos mais duros críticos da falta de iniciativa dos empresários nacionais foi Ronaldo Marquese, diretor da RJR, empresa organizadora do encontro. Por dever de ofício, ele tem acompanhado o número enorme de lançamentos de matérias-primas e produtos finais com NANOTECNOLOGIA o componentes nanotecnológicos nos diversos cantos do planeta. Em sua palestra, não teve dúvidas de afirmar que os empresários brasileiros estão muito passivos. “Quero ver o que eles vão fazer quando começarem a chegar por aqui produtos com preços competitivos e desempenho bem superior. No exterior, esses produtos já estão conquistando o mercado”, exemplificou.

    A comunidade acadêmica também participou da discussão. Oswaldo Alves, cientista e professor titular do Instituto de Química da Universidade de Campinas-USP (Unicamp), lastimou a falta de relacionamento entre a academia e o setor produtivo, o que poderia estimular bastante o apoio à ciência e multiplicar os casos mercadológicos de sucesso. Ele lembrou que, dentro das suas possibilidades, a universidade tem tido um papel estratégico importante no desenvolvimento da nanotecnologia nacional, inclusive colecionando patentes sobre o tema.

    A falta de sintonia entre universidade e empresas também foi lamentada por Sergio Queiroz, coordenador de Promoção de Investimentos em Inovação da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo. Para justificar sua opinião, ele citou um levantamento que mostra que apenas 16% dos cientistas brasileiros estão envolvidos com as empresas. “Nos países avançados, esse número fica na faixa entre 70% e 80%”, disparou.

    Um aspecto interessante foi exposto pelo professor Henrique Toma, titular do Instituto de Química da Universidade de São Paulo e grande especialista no tema. Ele lembrou que hoje o desenvolvimento da ciência baseia-se em quatro pilares, que a cada dia se tornam mais convergentes. Esses pilares são biotecnologia, tecnologia da informação, neurociência e nanociência. No futuro, dominar o cruzamento do conhecimento desses pilares será a chave para um país interessado em ocupar um papel de destaque na economia mundial.

    Atenuantes – A crítica foi aceita por líderes empresariais acima de qualquer suspeita. Entre eles, José Ricardo Roriz Coelho, diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Decomtec/Fiesp). “Quando me perguntam como enfrentar os asiáticos, digo que a saída é a inovação. Mas esse é um assunto que tem se falado muito e feito pouco”, reconheceu.

    Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), concordou com o colega da Fiesp. Para citar um exemplo na sua área, ele salientou que a nanotecnologia deve causar uma revolução no campo da informática, especialmente em aplicações que permitam a miniaturização dos chips. “Não podemos nos dar ao luxo de ficar de fora desse progresso”, garantiu.

    Coelho deu um panorama sobre o desenvolvimento mundial da nanotecnologia, por enquanto quase todo concentrado nos países do Hemisfério Norte, além de ser fortemente incentivado na China e na Índia. Em todo o mundo, estima-se que os investimentos governamentais em pesquisa e desenvolvimento saltaram de cerca de US$ 500 milhões em 1997 para quase US$ 5 bilhões em 2006. No setor privado, com certeza, esse valor é muito superior.

    Só nos Estados Unidos, onde o assunto é visto como estratégico e administrado por órgãos diretamente ligados à Casa Branca, o Governo aplicou mais de US$ 1,3 bilhão em 2006. Em número de patentes, em 2005 os Estados Unidos já colecionavam 1,3 mil.

    Na União Européia, o programa de investimentos no período de 2002 a 2006 ficou próximo de US$ 1,6 bilhão. Para o período entre 2007 a 2013, estão previstos US$ 5 bilhões. Na China, estima- se que foram investidos entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões por ano no período entre 2002 e 2005. Em termos de patentes, no entanto, o país já ocupa a terceira colocação, atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão.


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