Química

20 de outubro de 2007

Atualidades – Indústria Química – Entidades setoriais estudam aproximação

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    esde 1º de setembro, Nelson Pereira dos Reis acumula dois dos mais relevantes cargos das entidades representativas da indústria química brasileira: a presidência do Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais e da Petroquímica no Estado de São Paulo (Sinproquim) e a vice-presidência executiva da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Não se trata de simples coincidência. O fato evidencia a maior aproximação entre as entidades, que deve ser ampliada com a participação dos demais sindicatos estaduais, como parte de um projeto de fortalecimento setorial.

    Desde o início do ano, Reis assumiu a presidência do Sinproquim, substituindo o sempre animado Décio de Paula Leite Novaes, um pioneiro da petroquímica brasileira que ainda comparece com freqüência na moderna sede da entidade, construída durante seus 22 anos de gestão. A posse de Reis na Abiquim decorreu da trágica morte do antecessor, Guilherme Duque Estrada de Moraes, vítima de um desastre aeronáutico em 17 de julho. “A convergência de atividades das entidades setoriais já estava em curso”, explicou o dirigente. “As conversações que mantínhamos com o Duque Estrada caminhavam nesse sentido.”

    Os entendimentos vêm de longa data. Reis participa há anos das diretorias das duas casas, representando a produtora de fertilizantes Copebrás, na qual recentemente deixou de exercer cargos executivos para assumir um assento no conselho de administração. “As entidades setoriais precisam aproveitar a sinergia entre suas atividades, evitando duplicar estruturas e aumentar custos para os associados”, afirmou. Um exemplo claro é o acompanhamento das atividades legislativas, um verdadeiro trabalho de Sísifo, no qual é preciso verificar as mudanças nas normas federais, estaduais e municipais de interesse para o setor. Atualmente, cada entidade possui um departamento específico. A idéia atual é manter o trabalho de alcance estadual e municipal com os sindicatos, deixando a legislação e o processo legislativo federal a cargo da Abiquim. Segundo Reis, os sindicatos podem formar uma rede de informações para auxiliar interessados em operações interestaduais. Ele ressalta que os sindicatos mantêm a função legal de representar o setor no âmbito trabalhista, papel exercido desde antes do aparecimento da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

    Química e Derivados, Nelson Pereira dos Reis, Presidente da Sinproquim e vice-presidente da Abiquim, Atualidades - Indústria Química - Entidades setoriais estudam aproximação

    Reis: eliminação de duplicidades reduzirá custos

    O plano de trabalho de Reis no Sinproquim será concentrado em quatro focos. O primeiro será o reconhecimento de quem constitui a indústria química paulista, depois de tantos movimentos de fusões, aquisições e transferências de instalações. “Hoje não conhecemos direito quem atua no setor, pois, diferentemente de outros Estados, temos uma pulverização muito grande, com várias pequenas e médias indústrias”, explicou. Embora essas empresas constem do cadastro sindical, até por exigência de lei, é preciso atualizar a base de dados e estabelecer diálogos mais freqüentes, a fim de identificar linhas de atuação para a entidade. O Sinproquim conta com 1.450 empresas arrecadadoras do imposto sindical, além de outras noventa companhias que contribuem voluntariamente para a entidade, da qual participam ativamente.

    Um segundo ponto focal consiste no reforço da imagem institucional da indústria química. Reis entende que o Estado de São Paulo, por ser o mais desenvolvido do País, possui características diferenciadas, entre as quais a maior preocupação com o meio ambiente e com a responsabilidade social das companhias. “Precisamos promover esse papel integrador da sociedade, sem ter uma posição meramente defensiva”, apontou.

    A terceira linha de ação diz respeito à modernização das relações de trabalho no setor químico. “Há novas situações surgindo e ainda persistem dúvidas sobre as existentes, sem falar em algumas decisões preocupantes por parte do Poder Executivo”, comentou Reis. O sindicato apoiará a qualificação dos profissionais dos setores jurídicos e de recursos humanos das empresas do setor, em especial as pequenas e médias, as mais vulneráveis. Além disso, a entidade promove vários seminários sobre novas regulamentações e quer influenciar mudanças nesse campo. “O governo Lula engavetou a idéia de tornar o negociado superior ao legislado, que era incentivada no governo Fernando Henrique”, afirmou Ênio Sperling Jaques, consultor jurídico do sindicato.

    Mesmo na área operacional do setor químico, identifica-se uma carência por profissionais qualificados. Isso se dá também pelo fato de a economia nacional estar em fase de crescimento, acirrando a disputa pelos profissionais especializados. Reis considera que o setor ficou muitos anos sem realizar grandes investimentos, por isso, perdeu para outras atividades o interesse dos jovens. A idéia atual da entidade consiste na aproximação com o Serviço Nacional da Indústria (Senai) para desenvolver novos cursos de nível médio (técnicos) e superior ligados à indústria química. “Podemos oferecer instalações para abrigar os cursos mais urgentes”, disse Reis.

    A indústria química do Estado de São Paulo emprega 300 mil pessoas e representa um terço do faturamento setorial no País, segundo Reis. No entanto, as pressões ambientais e custos incentivam as grandes companhias a migrar para outros Estados. “A legislação só autoriza novos investimentos em áreas nas quais os poluentes atmosféricos não tenham atingido o grau de saturação, o que é praticamente impossível no Estado”, criticou Reis. E os maiores vilões são os automóveis e as queimadas de cana-de-açúcar. O dirigente apontou 160 municípios acima do ponto de saturação, muitos dos quais nem sequer possuem indústrias. “É muito fácil atacar a indústria química”, lamentou.

    O Sinproquim propõe adotar um período de transição até 2012, para que o setor possa se adaptar à legislação mais restritiva sem prejudicar a economia estadual. Indústrias interessadas em ampliar suas instalações seriam obrigadas a comprovar o emprego da melhor tecnologia disponível. As novas empresas, no entanto, deveriam aderir a mecanismos de créditos e compensações ambientais, como se faz na Europa.

    Na área ambiental, o Sinproquim oferecerá o Preparar, uma configuração mais leve do Atuação Responsável, da Abiquim, desenhada para pequenas e médias indústrias. Além disso, o sindicato participa, por meio da Fiesp, de um acordo com o Brazilian Carbon Bureau, que avalia se projetos industriais podem gerar créditos de carbono no escopo do Protocolo de Kyoto. “No sindicato poderemos aglutinar várias empresas para a venda conjunta de créditos, operação que seria inviável isoladamente”, explicou Reis.



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