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18 de outubro de 2010

Atualidades – Fertilizantes – Tecnologia reduz perdas de nutrientes no campo

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    s pesquisadores da área de química agrícola estão preocupados com a estabilização do nitrogênio, do fósforo e do potássio, entre outros elementos químicos, empregados pela indústria de fertilizantes. Cientistas e técnicos do segmento alertam para a decomposição desses nutrientes em gases do efeito estufa, em sulfatos ou óxidos que se fixam ao solo, onde sobrem várias reações químicas.

    André Abichaquer, doutor em ciências do solo e coordenador do laboratório de química do solo da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), no Rio Grande do Sul, estuda o tema. Ele quer entender as formas possíveis para barrar a perda do nitrogênio por volatilização em forma de amônia (NH3). Mas o problema não termina nesse elemento. Ocorrem perdas do fósforo e do potássio aplicados na forma de adubos do tipo NPK (nitrogênio-fósforo-potássio), principalmente por lixiviação, mas também pela fixação no solo. A ureia também se degrada em amônia, ou sofre lixiviação na forma de sulfato, com perdas na casa dos 70%.

    As plantas não consomem todos os nutrientes de uma só vez, mas em etapas de seu ciclo de vida. Os produtos de liberação lenta surgem da ideia para tentar eliminar tais perdas, deixando os elementos químicos disponíveis no momento certo da sua absorção pelos cultivos, reduzindo as perdas. Questões econômicas e ambientais também entram neste tema. Cada vez que se entra numa plantação para aplicar um produto, ocorrem gastos com óleo diesel da máquina e a volatilização libera gases de efeito estufa. Existem também perdas de germinação. A pesquisa da indústria química no controle de libertação remonta aos anos 70, mas somente agora esses produtos começam a pipocar em escala comercial.

    Química e Derivados, Andre Abichaquer, doutor em ciência do solo e coordenador do laboratório de química do solo da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), Fertilizantes - Tecnologia reduz perdas de nutrientes no campo

    André Abichaquer estuda alternativas para conter fixação e volatização

    Uma tecnologia muito empregada atualmente é o aprisionamento dos grãos de ureia por polímeros, a exemplo do amido, que diminuem a velocidade de decomposição. A segunda possibilidade é modificar quimicamente o fertilizante, mas isso somente é possível para os solúveis em água. Existe uma terceira alternativa: criar uma membrana semipermeável, que atuaria como num sistema osmótico. Esse caso serve para os nutrientes e micronutrientes, como zinco e ferro. A desvantagem é o preço mais alto.

    Solução química – O engenheiro agrônomo Caio Giacomini Borges ressalta que desde 2004 o mercado nacional dispõe do primeiro estabilizador de ureia aprovado pelo Ministério da Agricultura, atuando pela inibição da enzima urease. Trata-se do Agrotain, produzido pela Agrotain Internacional LLC, com sede em Saint Louis, Estados Unidos, e vendido no Brasil com nome comercial Super N.

    Para Giacomini, em geral, são usados polímeros para encapsular os nutrientes e os liberar quando se rasgam, mas isso é uma barreira física. O avanço do Agrotain está no inibidor químico da urease, um segredo industrial. “Polímeros não são estabilizantes químicos, pois só formam barreira física”, reitera Giacomini. “Química fina em estabilização de fertilizantes é o que nós fazemos.”

    O aditivo líquido é misturado à ureia e é “puxado” para dentro dos grânulos do fertilizante. O Agrotain somente é liberado quimicamente para realizar a adubação na presença de água de irrigação, aumento da umidade relativa do ar num volume regulado pela fórmula, ou pela chuva propriamente dita. Não exige aplicação de plantio, sendo empregado quando a planta já germinou, característica que o diferencia dos fertilizantes tradicionais.

    Segundo o técnico da Agrotain, a empresa optou em desenvolver um estabilizador de nitrogênio exclusivamente para a ureia porque é o fertilizante mais popular da agricultura mundial. Isto não quer dizer que não se possa, no futuro, desenvolver algo semelhante para as demais famílias de adubos. O Super N desde que chegou ao mercado brasileiro tem sido importado na base de 50 contêineres por ano, contendo 18 bombonas de mil litros cada.

    Química e Derivados, Caio Giacomini Borges, engenheiro agrônomo, Fertilizantes - Tecnologia reduz perdas de nutrientes no campo

    Caio Giacomini Borges: inibição da enzima urease controla a liberação de nitrogênio

    De acordo com o técnico, por se constituir em produto quimicamente amigável, nos EUA, onde o produto já se popularizou, o governo distribui bônus para os agricultores que o adotam, pois ele reduz a formação de amônia que vai para a atmosfera. Existe ainda o viés econômico, pois a ureia que vira gás não vai para a planta. “Equivale a queimar dinheiro”, compara Giacomini. A atmosfera agradece.



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