Petroquímica

20 de julho de 2007

Atualidades – Estatal precisa definir seu papel

Mais artigos por »
Publicado por: Marcelo Fairbanks
+(reset)-
Compartilhe esta página

    “Queremos uma definição clara sobre as intenções da Petrobrás no setor petroquímico”, disse José Carlos Grubisich, presidente da Braskem. Até agosto, a estatal respeitou o acordo feito com investidores setoriais de assumir posição máxima de 40% nas empresas e projetos do setor, mas as transações atuais ameaçam esse equilíbrio. Segundo ele, a definição do papel da estatal é fundamental para a decisão de realizar novos investimentos.

    Grubisich ressalta que a estatal, mesmo como minoritária, não poderá ter o direito de vetar os planos de investimento de cada companhia, sob pena de criar conflitos de interesses, abalando a confiança do mercado no setor. Como exemplo, ele citou a hipótese de a Petrobrás ficar com 100% da Suzano e, ao mesmo tempo, deter 40% da unidade de produção de polipropileno que está sendo construída em Paulínia-SP. “Haveria um conflito evidente, o Cade não aprovaria”, disse.

    O executivo considera como hipótese provável a formação da CPS sob a liderança da Unipar, único grupo privado com posição regional relevante para tanto. Nesse modelo, não se descarta a agregação de outros sócios privados com interesses diretos.

    Resolvido esse problema, será a vez de discutir a modelagem societária do Comperj. “Solicitamos à Petrobrás mais detalhes sobre o projeto, principalmente se ele será integrado ou dividido em gerações”, explicou. A Braskem poderá se candidatar a produzir resinas termoplásticas, desde que garantido o preço adequado para as matérias-primas, óleo pesado (se integrado) ou olefinas (em gerações).

    Bons resultados – A Braskem apresentou seus resultados para o segundo trimestre de 2007, agora consolidando no balanço os números da Copesul e Ipiranga Petroquímica, adquiridas no início do ano. “Conseguimos um salto de qualidade e quantidade e nos tornamos relevantes em escala mundial”, afirmou Grubisich. A empresa obteve a segunda melhor margem líquida EBITDA (18,5%) do mundo, segundo informou, só perdendo para a poderosa Sabic, estatal integrada da Arábia Saudita.

    Considerando os últimos doze meses, usando uma aglutinação informal dos resultados das adquiridas, a empresa obteve receita bruta de R$ 23 bilhões (US$ 11 bilhões), receita líquida de R$ 18 bilhões (US$ 8,7 bilhões) e EBITDA de R$ 3,5 bilhões (US$ 1,7 bilhão).

    As vendas de resinas poliolefínicas (PE e PP) apresentaram crescimento em relação ao primeiro trimestre do ano, apoiado na abertura de novos mercados, especialmente no exterior. No período, o mercado nacional de polietilenos cresceu 4%, mas as vendas da Braskem ficaram estáveis, por causa do fraco desempenho do PEAD. As exportações dessas resinas foram incrementadas em 12%. No PP, as importações de resina brecaram a evolução das vendas nacionais da Braskem. Enquanto o mercado interno foi ampliado em 13%, as vendas da empresa foram apenas 2% maiores. A exportação, em compensação, cresceu em 21 mil t, ou seja, 109%.

    No PVC, a Braskem aumentou sua participação no mercado nacional de 53% para 56%, embora o mercado interno tenha se retraído por movimentos de redução de estoques em poder de distribuidores. Mas as importações também recuaram de 23% para 17%. As vendas da Braskem para o Brasil em vinílicos foram ampliadas em 16% no segundo trimestre deste ano, para um aumento de mercado de 9%, puxado pela construção civil.

    A nafta petroquímica, principal insumo da Braskem, teve alta de 21% em dólares (cotação média ARA) sobre o período anterior, alcançando a média de US$ 607/t. A Petrobrás forneceu 62% das 2.034 mil t de nafta consumidas pela Braskem (Bahia e RS), ou seja, 1.259 mil t. Outras 775 mil t foram adquiridas de fornecedores africanos (Libéria e Algéria) e argentinos. A falta de suprimento de gás natural na Bahia também impactou em R$ 24 milhões os custos de produção da Braskem no primeiro semestre, por exigir a queima de óleo combustível em suas caldeiras. Até o final do ano, espera-se a chegada do gás do campo de Manati à central de Camaçari, aliviando a despesa.

    O lucro líquido do segundo trimestre foi de R$ 281 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 55 milhões do mesmo período do ano anterior, explicado pelo melhor desempenho operacional. Em relação ao primeiro trimestre, o lucro cresceu R$ 154 milhões, explicado pela incorporação da Politeno.

    A rentabilidade petroquímica está em patamar elevado, cumprindo o que se espera dessa fase do ciclo setorial. Como as novas capacidades produtivas tardam a entrar em operação, a exemplo dos projetos iranianos, as fábricas operam com elevados índices de ocupação de capacidades. Sendo a oferta limitada e a demanda crescente, resulta o preço elevado dos produtos petroquímicos. A única ameaça aos bons resultados setoriais reside na possível majoração das cotações do petróleo e do gás natural nos próximos meses, capaz de apertar as margens. “Até o final de 2008 e início de 2009, não se espera mudança significativa no panorama mundial de negócios do setor”, afirmou Grubisich.

    Ele reafirmou o compromisso da Braskem em apoiar a cadeia produtiva do plástico no Brasil ao manter o estrito alinhamento de preços com os mercados internacionais. “Desde janeiro, os preços das resinas praticamente não subiram em reais”, comentou, sem desconsiderar a valorização da moeda em relação ao dólar. A ampliação do crédito aos consumidores finais e a melhor distribuição de renda são apontados como fatores importantes para o crescimento do mercado interno.

    A Braskem espera completar a integração de ativos comprados da Ipiranga até o final deste ano, dentro do cronograma previsto. A Petroquímica Paulínia mantém o ritmo de obras, com previsão de iniciar a produção de 350 mil t/ano em março de 2008. Prosseguem os estudos para a construção das unidades para a produção de olefinas utilizando gás natural, com unidades de polietilenos para mais de um milhão de t/ano e 450 mil t/ano de polipropileno, em parceria com a PDVSA/Pequiven, estatal da Venezuela, previstas para operar até o final de 2009. “Esses projetos nos colocarão entre as dez maiores petroquímicas mundiais”, disse Grubisich.

     

    Leia a reportagem principal:



    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next