Química

15 de abril de 2010

Atualidades – Empresas: Bayer superou a crise com produtos sustentáveis

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Publicado por: Hilton Libos
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    omo pano de fundo na apresentação das projeções de negócios até o final de 2010, após o balanço dos resultados do grupo em meio às convulsões econômicas globais do ano passado, a Bayer brasileira deixou estampada uma paisagem do planeta colorido na visão futurista de um menino de treze anos, Murilo Hideki Ashiguti, escolhida entre outras 2,4 milhões de pinturas de outras crianças de cem nacionalidades num concurso em parceria da empresa com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a Fundação para a Paz e Meio Ambiente (FGPE), corroborando o slogan publicitário da companhia aludindo a química para uma vida melhor.

    Da aparente abstração conceitual de uma filosofia de trabalho para a rotina da prática em pesquisa e desenvolvimento, dois projetos consolidando as megatendências tecnológicas globais nos laboratórios da Bayer atualmente servem como emblema desse esforço concreto nas suas divisões para a criação de produtos ambientalmente corretos para a produção de energia limpa – além de novos materiais, revestimentos e soluções originais para o setor agrícola e de saúde.

    Química e Derivados, Horstfried Laepple, presidente da Bayer brasileira, Atualidades - Empresas: Bayer superou a crise com produtos sustentáveis

    Laepple: BRICs representaram 14% do faturamento mundial em 2009

    A nanotecnologia e os polímeros estão na base desses chamados “megaprojetos de tendências globais” em desenvolvimento, como o Solar Impulse – um avião construído com placas de policarbonato e aplicações de espuma rígida de PU, que alcançou o máximo de leveza (1.660 kg) graças aos seus componentes estruturais e baterias à base de nanotubos de carbono. Com a mesma envergadura de um Boeing 747 – 63 metros –, o Solar Impulse será movido exclusivamente por meio de 12 mil células de captação de energia solar e está sendo programado para realizar seu primeiro voo ao redor do mundo dentro de quatro anos.

    A outra pesquisa da Bayer sobre as tendências tecnológicas globais desenvolve um conversor marítimo como solução factível para a geração, transmissão e distribuição limpa de energia elétrica – reduzindo os impactos sobre o clima a praticamente zero, em relação aos processos tradicionais. Os protótipos do conversor marítimo são fabricados com filmes de poliuretano com eletrodos elásticos e, entre 2013-14, deverão ser apresentados pela Bayer MaterialScience ao mercado.

    Inovação, alternativa anticrise – No balanço de desempenho da comercialização em 2009, os produtos e insumos embutindo os pressupostos de sustentabilidade ambiental foram determinantes para com sucesso as turbulências da crise global com seus inevitáveis reflexos no mercado nacional. A inconstância que se alojou na indústria durante 2009 por conta da drástica queda de demanda mundial e a desaceleração do compasso de produção industrial, segundo o presidente da Bayer MaterialScience, Ulrich Ostertag, demonstrou a necessidade de inovar aumentando a aplicação de matérias-primas renováveis nos produtos e, naturalmente, também as táticas e apelos de comercialização – que foram reformuladas para propulsionar os negócios da unidade – se preparando para enfrentar os terremotos e tsunamis no cenário econômico planetário.

    O presidente da Bayer brasileira, Horstfried Laepple, explicou que, pela primeira vez, a direção do grupo posiciona o Brasil, que atualmente ocupa o sétimo mercado no ranking entre os mercados mais importantes para a Bayer, à condição de “país-chave como polo estratégico regional e global para a companhia manter a posição de liderança no mercado”. Conforme acrescentou, por simples inferência dos resultados de fluxo de caixa: a crise iniciada em 2009 varreu o mercado norte-americano e o europeu, mas no bloco dos emergentes – Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC) – os negócios cresceram 1,5% (4,3 bilhões de euros), representando 14% do total das vendas mundiais da Bayer. Segundo Laepple, um ponto forte no fator competitividade brasileira: 45% da produção nacional é exportado para mais de trinta países da América do Sul e Ásia.

    Química e Derivados, Reator, Atualidades - Empresas: Bayer superou a crise com produtos sustentáveis

    Vista parcial de reator da linha de poliuretanos em Belford Roxo_RJ

    Rainer Krause, diretor-geral da Bayer Schering Pharma brasileira, esclareceu que a área de pesquisa e desenvolvimento continuará centralizada na matriz alemã da companhia, em parceria com centros avançados de pesquisa universitária transnacional, com previsão de investimentos de 2,9 bilhões de euros em 2010. Segundo ele, a legislação e os estatutos de normas técnicas de farmacovigilância vigentes oferecem um diferencial de competitividade determinante para a expansão das áreas de gestão e a atração de investimentos no Brasil, em comparação com outros mercados emergentes. “A qualificação da mão-de-obra formada por cientistas e profissionais de bom nível universitário sem dúvida é importante para a produção de novos medicamentos e novas linhas de outros produtos”, esclareceu Krause. “Mas o compromisso da Bayer na escolha desse novo polo regional para a América Latina está mais relacionada com a capacidade do país de comportar novas responsabilidades e seu potencial de mercado interno”, disse Krause.

    Até o final de 2010, os investimentos que irão estofar essa posição estratégica em que o país foi colocado no planejamento do grupo totalizarão R$ 180 milhões, reservados para atualizar tecnologicamente os laboratórios e fábricas de medicamentos do grupo no Rio de Janeiro (Belford Roxo) e São Paulo (Cancioneiro) Uma plataforma nova deverá ser instalada nas fábricas de MDI e anilina para padronizar as unidades locais com as da divisão em outros países, o que deverá aumentar as condições de segurança da planta, a confiabilidade e a qualidade dos processos.

    Uma parcela dos investimentos deverá ser destinada ao laboratório de revestimentos, adesivos e especialidades na base paulistana da empresa. A ideia é estabelecer como função do laboratório a prestação de serviços de apoio a clientes. “É algo a mais para nos mantermos sempre à frente da concorrência”, afirma Ostertag, o presidente da divisão MaterialScience. Ele acredita que o laboratório pode e deve apresentar como diferencial ao cliente a oportunidade de ver de perto a aplicação das tecnologias. “O nível de qualidade exigido por um cliente, por exemplo, na aplicação de um verniz resistente a raios ultravioleta, poderá ser testado em seu carro, na sua presença”, exemplifica Ostertag.


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