Química

18 de agosto de 2010

Atualidades – Empresas – Basf planeja crescer 8% na América do Sul

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    rocessos fermentativos sobre matérias-primas naturais e renováveis serão os alicerces do futuro da indústria química. Essa é a avaliação de Alfred Hackenberger, presidente da Basf para a América do Sul desde 1º de maio, substituindo Rolf-Dieter Acker, que se aposentou. Ele assume o cargo após a região (incluindo os negócios no Oriente Médio e África) ter registrado em 2009 uma redução de 2% em relação aos três bilhões de euros em vendas do ano anterior.

    Hackenberger, químico e doutor em Química Orgânica pela Universidade de Saarland, na Alemanha, presidia o centro global de competência para pesquisa de especialidades químicas da companhia. Antes disso, foi vice-presidente do grupo para os negócios de química fina na região Ásia-Pacífico, cargo que o manteve por quatro anos em Hong Kong. Em 29 anos de trabalho na Basf, ele desempenhou atividades nas áreas de pesquisa, marketing e comercial, incluindo uma temporada de oito anos no Brasil, entre 1987 e 1995, durante a qual chegou a dirigir a divisão de químicos.

    Essa alternância entre posições de­ pes­quisa e em áreas operacionais ou comerciais é uma característica de uma carreira profissional na Basf, como explicou: “Químicos, físicos e biólogos só são contratados para atuar em pesquisas, atividades que exercem por alguns anos até serem convidados para ingressar em outras áreas”. Aproximadamente a metade desses cien­tistas aceita a oportunidade. “Isso é muito saudável para a companhia porque as análises de novos investimentos exigem dos executivos o conhecimento não só do negócio, mas também dos processos produtivos e da sua tecnologia”, disse. Aliás, a Basf é ciosa da sua estratégia de verticalização produtiva (verbund, em alemão).

    Química e Derivados, Alfred Hackenberger, Presidente da Basf, Atualidades - Empresas - Basf planeja crescer 8% na América do Sul

    Hackenberger: futuro da indústria química está nas fermentações

    Aos 59 anos, Hackenberger assume o comando regional com a meta de alcançar crescimento anual de 8%. Como explicou, essas metas já estavam traçadas na estratégia de longo prazo da companhia, denominada Estratégia 2020. O plano para a região prevê ampliar a base de crescimento nos negócios de produtos agroquímicos e de tintas, além de identificar novas oportunidades nas áreas químicas. Espera-se que a companhia invista aproximadamente 250 milhões de euros entre 2010 e 2014 na região, que possui uma base industrial sólida, especialmente em Guaratinguetá-SP, onde são produzidas 288 mil t/ano de quase 1,5 mil produtos diferentes, entre monômeros, polímeros, pigmentos e agroquímicos. Conta também com a produção de tintas em São Bernardo do Campo-SP; de produtos inorgânicos, intermediários e petroquímicos em Camaçari-BA; catalisadores automotivos em Indaiatuba-SP; sistemas poliuretânicos em Mauá-SP; aditivos de concreto e produtos para construção civil no bairro paulistano da Vila Prudente. Na Argentina e no Chile há fábricas de tintas, dispersões e preparações variadas.

    Opera essa base industrial um contingente de mais de 4,5 mil colaboradores, muitos deles com alta qualificação. “Ter uma indústria química bem estruturada é condição fundamental para o desenvolvimento de um país, é uma base para outras indústrias”, comentou Hackenberger. O Brasil, por exemplo, apresenta um elevado potencial produtivo nas áreas de mineração e agropecuária, mas precisa desenvolver atividades industriais mais sofisticadas para elevar o valor do produto nacional como um todo.

    Na estratégia de negócios, as commodities químicas precisam ser produzidas próximas aos pontos de consumo, impedindo que os custos de transporte superem o valor da produção. Aliás, o transporte químico costuma ser caro, dados os requisitos de segurança a ele aplicados. Os produtos de química fina não seguem essa lógica, pois são movimentadas pequenas quantidades de alto valor. Porém, o desenvolvimento desse tipo de produto exige alto investimento em pesquisas.

    A Basf aplica 1,4 bilhão de euros a cada ano em atividades de pesquisa e desenvolvimento, valor que não foi abatido nem mesmo durante a recente crise econômica global. Em geral, cada pesquisa é bancada pelo departamento operacional da companhia que a solicita, compreendendo projetos de maturação entre três e cinco anos. Os trabalhos na linha agroquímica demandam mais tempo, chegando a dez anos. Nesses casos, o objetivo é melhorar os produtos existentes ou criar variações deles.

    Quando as pesquisas não têm um objetivo comercial imediato, implicando um risco elevado de não gerar rendimentos, ou seja, atividades mais ligadas à ciência básica, elas são realizadas no âmbito corporativo, que consome aproximadamente 23% do orçamento anual de pesquisas da Basf. Um exemplo citado por Hackenberger é a criação dos painéis fotovoltaicos biológicos. “Os painéis convencionais usados atualmente para transformar radiação solar em eletricidade aproveitam uma faixa muito estreita do espectro de luz incidente”, salientou. “Usando moléculas orgânicas diferentes empilhadas é possível aproveitar uma faixa maior desse espectro, com mais eficiência e menor custo.” Essas moléculas contêm anéis aromáticos, cujas ressonâncias podem ser estimuladas pela luz para provocar saltos de elétrons que são capturados nas camadas intermediárias do painel. A Basf desenvolve pesquisas com esse tipo de painel há seis anos e espera ter as primeiras células prontas para comercialização em um ou dois anos. “É uma pesquisa de alto risco que foi aceita pela corporação”, disse.


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