Química

22 de setembro de 2007

Atualidades – Empresa – Dow Brasil completa 50 anos com estrutura reformulada

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    criação de modelos de negócios distintos para as áreas de química de base e produtos finais é uma característica marcante da nova estrutura da Dow no Brasil, coerente com os movimentos globais da companhia. Dessa forma, os insumos básicos tendem a ser produzidos por meio de parcerias com grupos locais, enquanto o atendimento aos clientes de resinas e produtos químicos (entre os quais as especialidades) passa para unidades de negócios. A companhia entende ser essa a fórmula para melhor atender os usuários de seus produtos, fabricados com custos competitivos.

    “Tamanho, integração e matéria-prima competitiva são os fundamentos de produção de commodities”, ressaltou Pedro Suarez, presidente da Dow Brasil. A subsidiária nacional comemora cinqüenta anos de atividades, iniciadas com a abertura de um escritório comercial na capital paulista, em 1957. Nas décadas seguintes, construiu importante parque industrial, distribuído entre a Região Sudeste (Guarujá, Jundiaí e Pindamonhangaba) e a Nordeste (Aratu e Camaçari). Os ativos foram aumentados com a fusão com a Union Carbide, da qual recebeu a unidade de hidroxietilcelulose (HEC), na Bahia, e a fábrica de polietileno de baixa densidade (PEBD) convencional (alta pressão), em Cubatão-SP.

    A fábrica de Cubatão foi vendida no final de junho para o grupo Unipar, em negociação que incluiu a posição acionária da companhia na Petroquímica União, produtora de insumos petroquímicos a partir de nafta, o coração do pólo petroquímico paulista. Suarez explicou a venda desses ativos pelo fato de eles não serem mais compatíveis com os fundamentos estabelecidos pela companhia. Quando fala em integração, ela deve ao menos chegar à produção das olefinas.

    Essas exigências colocam em xeque novos investimentos petroquímicos na América do Sul, pelo menos os de concepção tradicional, com base em nafta ou gás natural. A produção de polietilenos em Bahía Blanca, na Argentina, foi reduzida neste inverno para que o gás pudesse suprir as necessidades da população em eletricidade e aquecimento, enfrentando o mais rigoroso período frio registrado naquele país em pelo menos cinqüenta anos. “Ainda não tinha visto um inverno com neve em Buenos Aires”, comentou Suarez, que nasceu e formou-se engenheiro químico na cidade, antes de iniciar uma carreira de 28 anos na Dow, com atuação na Argentina, Estados Unidos, Europa (incluindo responsabilidades no Oriente Médio e África), além do Brasil.

    Em 2007, por conta do inverno, a capacidade de 650 mil t/ano de polietilenos não será totalmente ocupada. A unidade é abastecida pela Cia. Mega, uma associação entre Repsol/YPF, Petrobrás e Dow, trazendo e beneficiando o gás natural e condensados obtidos na província de Neuquén. Desde a compra da antiga Petroquímica Bahía Blanca, a companhia investiu para triplicar sua capacidade original, e agora encontra dificuldades para garantir o suprimento futuro. “Precisamos buscar alternativas não-óbvias de matérias-primas para suportar o crescimento das operações a longo prazo”, afirmou. Uma das alternativas em estudo consiste na adoção de sistemas para importar gás natural liquefeito (GNL).

    No caso do Brasil, a Dow encontrou uma solução no etanol. Em junho, a companhia firmou um acordo de parceria com o grupo Crystalserv, o segundo maior produtor nacional de açúcar e álcool (atrás apenas da Cosan) com a finalidade de implantar um complexo industrial para suprir com etanol uma fábrica para 300 mil t/ano de polietilenos, concebida de forma totalmente integrada. Os dois parceiros ainda estudam a melhor localização técnico-econômica para o empreendimento, seleção que inclui itens como custos de implantação, logística e até possíveis incentivos fiscais.

    Suarez faz questão de ressaltar a natureza complementar do conhecimento dominado pelos dois parceiros. “Somos experts em campos diferentes, mas temos um volume de tecnologia enorme para somar, até mesmo na parte industrial da destilaria”, afirmou. “Poder contar com uma visão completa, holística, do projeto é muito interessante.” Ele informou que a Dow está estudando outros projetos na área de energia renovável, especialmente nos últimos dois anos. Para ele, esse campo tem um potencial exponencial a ser explorado, até pela indústria química.

    Química e Derivados, Pedro Suarez, Presidente da Dow Brasil, Atualidades - Empresa - Dow Brasil completa 50 anos com estrutura reformulada

    Suarez: América Latina precisa investir em fontes de energia

    O projeto de polietileno de álcool, anunciado pelo presidente mundial da companhia, Andrew Liveris, precisa vencer uma dificuldade natural da atividade canavieira: a sazonalidade. A safra de cana na região Centro-Sul, em geral, começa em abril e termina em novembro, mas uma fábrica típica de polímeros deve funcionar em tempo integral. “Uma parte do período será suprida por estoques formados durante a safra; outra parte precisará ser comprada no mercado, mas apostamos na possibilidade de contar com outras alternativas”, adiantou. Os preços atuais são considerados muito atraentes em relação aos derivados de petróleo, mas essas condições podem mudar daqui cinco ou dez anos.

    A companhia trabalha com prognósticos favoráveis ao empreendimento, a começar pelos preços do petróleo, que não devem cair muito em relação a US$ 70 por barril. Além disso, a demanda por plásticos projeta crescimento estável, capaz de absorver totalmente o aumento previsto de oferta de resinas fabricadas no Oriente Médio, região que será responsável por metade do aumento mundial de capacidade produtiva de termoplásticos nos próximos anos. O consumo de polietilenos cresce em média 5% ao ano, liderado pelo linear de baixa densidade, de amplo uso. “Apesar dos pesados investimentos anunciados e em construção, o mercado trabalha com a hipótese de escassez de resinas entre 2010 e 2011, provocada pelos atrasos de construção de plantas e dos custos crescentes dos equipamentos e serviços”, comentou.


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