Couro e Curtumes

18 de setembro de 2010

Atualidades – Couro – Exportação de wet blue tira emprego de químicos

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    presidente da Associação Brasileira dos Químicos e Técnicos da Indústria do Couro (Abqtic), Roberto Kamelman, é cético quanto ao futuro da profissão no Brasil. Para ele, o químico de curtume é uma atividade sem capacidade de expansão por diversas razões. A primeira delas é que o couro do Brasil deixou definitivamente de ser exportado na forma acabada. Há vários anos, os volumes são os mesmos e com isso a produção se resume apenas ao mercado interno.

    Como os anos dourados dessa indústria sempre estiveram vinculados às vendas externas, os curtumes não irão crescer nem demandarão novas contratações. O Brasil abate aproximadamente 41 milhões de bovinos por ano. Entretanto, os grandes frigoríficos estão exportando quase todo o couro na forma wet blue, com tratamento industrial básico, transferindo toda a agregação de valor pela via química para os importadores, localizados principalmente na Europa e na China.

    As atribuições dos químicos dentro dos curtumes estão vinculadas às diversas etapas de acabamento. Um couro acabado passa por vinte processos químicos, enquanto o wet blue recebe apenas um banho de sais de cromo. Outro aspecto que depõe contra a exportação do produto acabado diz respeito à classificação do couro brasileiro. Como o gado do país é criado solto – o Brasil não tem a tradição do confinamento – os couros chegam à indústria com uma série de defeitos resultantes dos ferimentos sofridos pelos animais durante a sua vida, provocados por arames farpados, marcação a fogo em local impróprio, além de bernes e carrapatos.

    Para amenizar os defeitos, o couro brasileiro recebe cada vez mais camadas de produtos sintéticos. Essas operações podem ser realizadas por químicos especializados na aplicação de derivados petroquímicos, não necessariamente especializados em tratamento de couro, pois nesse caso se usam produtos com base em poliuretano.

    De acordo com Kamelman, a nova fronteira do químico de curtume é a adequação do couro acabado às normas de saúde pública e ambientais. As aminas dos corantes devem agora respeitar as normas da Reach – o novo regulamento europeu sobre substâncias químicas e sua utilização segura –, pois aqueles que ainda exportam precisam aprimorar suas tecnologias para não perder o que ainda restou de mercado fora das fronteiras do país.

    Segundo o presidente da Abqtic, com a migração do beneficiamento do couro para fora do país, quem passou à condição de produto de exportação foram os próprios químicos. Por salários convidativos, eles aceitam trabalhar em outros países. Entre os mil e duzentos associados da Abqtic, mais de cem foram realocados em empresas situadas do Uruguai até a China. “Definitivamente, nossa profissão não está em crescimento por aqui”, lamenta o presidente.

    Ainda assim, a Abqtic procura realizar seus eventos técnicos para debater a modernização do parque industrial para beneficiamento de couro do país. No último dia 2 de agosto, em Novo Hamburgo-RS, a entidade reuniu mais de 200 químicos e técnicos do couro para discutir temas importantes como as melhorias nos controles de efluentes, automação de curtumes e gestão de processos.

    Segundo o engenheiro químico Alexandre Kuhn, das Bombas Beto, representando a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos para Couros (Abrameq), os curtumes brasileiros contam com um histórico de quarenta anos de tratamento de efluentes. Em 1970, copiavam a tecnologia europeia, o que continuaram a fazer até 1990. A partir do ano 2000, o aumento da pressão ambiental exigiu desenvolver soluções próprias. Em 2009, começaram a surgir algumas ideias ainda mais inovadoras, com tecnologia 100% nacional, principalmente com o desenvolvimento de projetos de aeradores com múltiplas funções.

    Para Kuhn, existem três forças que movem a tecnologia nacional em controle de efluentes em curtumes: legislação cada vez mais restritiva, redução de custos e maior consciência do impacto do controle ambiental sobre a qualidade de vida das comunidades. Com efeito, há um grande salto tecnológico ocorrendo em 2010, com a substituição dos aeradores comuns pela injeção de oxigênio e de ar difuso, que ficaram mais baratos. Kuhn destacou que, em seus primórdios, os donos de curtumes iam às compras apenas com o objetivo de atender às exigências legais. Depois, passaram a cobrar desempenho confiável. Agora, querem resultados econômicos, como a redução de consumo de energia.

    Química e Derivados, Roberto Kamelman, Presidente da Associação Brasileira dos Químicos e Técnicos da Indústria do Couro(Abqtic), Atualidades - Couro - Exportação de wet blue tira emprego de químicos

    Kamelman: químicos brasileiros estão sendo contratados na China

    Ulf Bogdawa, da NBN, empresa especializada em automação de curtumes, destacou que a aquisição de máquinas é cada vez mais profissional, mas alertou que os preços ainda ditam as regras do mercado, em detrimento da qualidade. Ele elogiou as melhores condições de financiamento oferecidas atualmente no mercado interno para a compra de bens de capital. Sugeriu ainda que os técnicos dos curtumes participem mais do processo de compra e que se interessem pela demanda em relação às novas tecnologias.

    O presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil, Wolfgan Goerlich, ressaltou a grande evolução nas máquinas brasileiras, cada vez mais oferecendo produtividade e qualidade, principalmente com avanços na área da automação. Porém, criticou os custos tributários e financeiros, ambos desestimuladores da compra de bens de capital. Para ele, os fabricantes de máquinas, curtumes e a indústria química deveriam unir esforços para desenvolver tecnologias na área de preservação ambiental.


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