Papel e Celulose

22 de setembro de 2007

Atualidades – Celulose – Aracruz investe US$ 2,5 bi para ampliar planta gaúcha

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    ois bilhões e meio de dólares é o orçamento aprovado pela Aracruz para elevar a produção de celulose em sua unidade gaúcha, localizada em Guaíba, cidade da região metropolitana de Porto Alegre-RS. Com a ampliação, a empresa irá fabricar 1 milhão e 800 mil toneladas do insumo básico do papel. Atualmente, o volume é de 450 mil toneladas naquela unidade. A partida da nova fábrica está prevista para 2010.

    Em solenidade concorrida no Palácio Piratini, em 11 de julho último, o presidente da empresa, Carlos Aguiar, detalhou o projeto à governadora do Estado, Yeda Crusius. A planta gaúcha oferta atualmente 15% do volume total oferecido pela Aracruz ao mercado e quando for reformulada responderá por 35%.

    Com base em uma política vinculada a valores relacionados com o desenvolvimento regional, a Aracruz irá montar seu cadastro preferencial entre os fornecedores locais. A corporação detém ainda três linhas de produção no Espírito Santo e uma na Bahia. Estima-se que irá comprar US$ 300 milhões na fase de implantação, com geração anual de divisas na ordem de US$ 780 milhões e circulação anual adicional de riqueza nas regiões de infl uência calculadaem mais US$ 110 milhões per capita.

    No entanto, a demanda por produtos químicos provavelmente atrairá grupos de fora. Atualmente a empresa processa 70 toneladas de cloro por dia, as quais são transformadas em dióxido de cloro empregado no branqueamento da celulose. Desse total, apenas 40 toneladas são consumidas no seu sistema industrial. O restante é vendido. Porém, com a nova demanda, a produção interna será absorvida na planta e haverá a necessidade de mais 40 toneladas por dia.

    Química e Derivados, Atualidades - Celulose - Aracruz investe US$ 2,5 bi para ampliar planta gaúcha

    Fábrica de Guaíba-RS foi comprada pela Aracruz em 2003

    Nesse caso, Aguiar adiantou que a preferência é por um fornecedor que construa uma planta de cloro contígua como forma de abastecer a Aracruz e tirar proveito da carência do produto no mercado gaúcho. “É uma fábrica para 840 toneladas por ano de dióxido de cloro e estamos em conversações com algumas empresas e uma delas é a Dow”, salientou o CEO da Aracruz.

    A área da nova fábrica da Aracruz irá ocupar de40 a50 hectarescom instalações compactas, com processo industrial no estado-da-arte BAT (Best Available Technology). De acordo com Aguiar, trata-se do sistema industrial para celulose mais avançado do mundo, em termos de economia de energia, água, insumos químicos e baixo impacto ambiental. O projeto inclui a modernização de algumas instalações da fábrica atual para alcançar as sinergias esperadas entre as duas plantas.

    Conforme Aguiar, a Aracruz exporta 98% de sua produção de celulose porque o Brasil não é competitivoem papel. Desses, 40% vão para a Europa; EUA, 37%; Ásia, leia-se China e Japão, 22%. Enquanto os EUA processam 80 milhões de toneladas e a China, 60 milhões, o parque nacional de papel gera 10 milhões de toneladas e não tem perspectiva de crescimento. Na avaliação de Aguiar irá no máximo a 15 milhões nos próximos anos. Já os norte-americanos e chineses deverão alcançar a marca das 150 milhões de toneladas por ano de papel cada um até 2015. Dessa forma, o volume proveniente da ampliação será destinado quase que totalmente ao mercado asiático.

    Com o up grade, o consumo anual de madeira da empresa no Rio Grande do Sul irá crescer de 1 milhão e meio de metros cúbicos para 3,8 milhões. Neste caso, a logística é estratégica para garantir competitividade. O transporte das toras será feito por meio de barcaças, a exemplo do que ocorre em países como a Finlândia e o Canadá.

    “Cada barcaça retira 60 caminhões da estrada e uma infi nidade de emissões de carbono para a atmosfera. A hidrovia é uma excelente solução. Não somos contra os caminhões, pois também os utilizamos, mas é fundamen- tal estimular o sistema multimodal para racionalizar a logística e interiorizar o desenvolvimento do País”, defendeu o presidente da Aracruz.

    Os gargalos – A contrapartida do governo prevê a recuperação da infra-estrutura necessária à operação da Aracruz. O asfaltamento de trechos rodoviários na RS 703 e na BR 116 é um dos itens. No entanto, existe a necessidade de investimento na revitalização de hidrovias, pois a empresa está aumentando suas florestas dos atuais 110 mil hectares para 250 mil hectares em diversos pontos geográficos, incluindo uma área de reserva nativa a ser preservada, de aproximadamente 90 mil hectares.

    Parte da madeira será suprida pelo programa Produtor Florestal e a base de transporte será fluvial para a madeira e marítima para a exportação da celulose. Isso implica retirar toras de 32 municípios, fragmentação adotada para evitar a formação de grandes blocos florestais contínuos. Com essa logística, pequenos portos fluviais hoje praticamente desativados, como o de Cachoeira do Sul e Rio Pardo, serão reativados. O custo operacional do transporte hidroviário foi estimado em R$ 22,5 milhões/ano.

    A partir de 2015, no entanto, o governo estadual deverá melhorar a operação da chamada hidrovia do rio Jacuí, a qual permitirá o acesso das barcaças provenientes dos diversos portos fluviais. Para tanto, é preciso implantar soluções para navegação no Jacuí desde a eclusa de Fandango e no terminal de embarque em Cachoeira do Sul.


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