Economia

15 de maio de 2000

Atualidades – Cargas minerais: Imerys compra negócio de carbonatos da Quimbarra

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    stá sendo enviado para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informe sobre a intenção de a Imerys adquirir os negócios de carbonatos da Quimbarra, atualmente em poder do grupo americano Praxair (no Brasil, a antiga White Martins). O acordo para compra dos ativos foi firmado em junho e estão se desenrolando as etapas finais de negociação. Trata-se da maior unidade produtora de carbonato de cálcio precipitado independente (não-cativa) do País, além de duas unidades cativas junto a empresas produtoras de papel, perfazendo o total de 220 mil t/ano. A Quimbarra também é líder no mercado latino-americano dos carbonatos de cálcio e de magnésio naturais moídos. Ao todo são 15 unidades produtivas no continente.

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    “A compra da Quimbarra vem ao encontro da intenção global da Imerys de crescer tanto pela própria empresa como por meio de aquisições”, comentou o diretor-gerente da Imerys do Brasil Mineração Ltda., José Tardelli Filho. “Nós compramos negócios nos quais possamos agregar valor por meio de aplicação de tecnologia.” A Quimbarra passou às mãos da Praxair na compra da Liquid Carbonic, então a maior produtora nacional de CO2, uma das matérias-primas para a fabricação do carbonato, a outra é a cal. O negócio não é considerado core business na empresa de gases industriais, mas está no centro do foco da Imerys, especializada em cargas minerais para celulose, papel, tintas, plásticos e várias outras aplicações.

    A própria Imerys merece uma explicação preliminar. A empresa foi formada pela incorporação da English China Clays (ECC) pela francesa Imetal, em 1999. No mesmo ano, a Imetal vendeu seus interesses em metais e tornou-se interessante alterar a denominação social para confirmar a reorientação estratégica. O nome escolhido foi Imerys. No Brasil a ECC já produzia caulim primário (formado no mesmo local da rocha-mãe, um granito), na unidade de Mogi das Cruzes-SP, fornecendo produtos de características especiais, com moagem e micronização controladas para se obter estruturas e tamanhos diferenciados de grãos. A Imetal tinha produção de caulim secundário (obtido de sedimentos de origem granítica depositados em local diferente da ocorrência da rocha-mãe) na Amazônia, por meio da subsidiária Rio Capim Caulim, cuja produção é 95% exportada. No Espírito Santo havia produção própria de carbonato de cálcio natural, usado como o caulim para revestimento de papéis e produção de tintas, principalmente.

    Na reorganização de negócios, a Rio Capim Caulim virou Imerys Rio Capim Caulim, que é operada diretamente pela matriz. “A unidade de negócios do Brasil lida apenas com a produção e venda destinada ao mercado interno”, explicou Tardelli. No caulim há concorrentes de peso, como a Caulim da Amazônia (operada pelo grupo Mendes) e PPSA (pela Vale do Rio Doce em cooperação com a multinacional TKC).

    Na opinião de Tardelli, a negociação não deverá ser bloqueada pelo Cade, pois a posição no mercado total, em especial no precipitado, é pequena. As aplicações de carbonato de cálcio precipitado podem ser divididas em dois grupos distintos. No primeiro está o atendimento às fábricas de papel, o maior consumidor do produto. “Antigamente, a folha de papel era formada em meio ácido, só demandando caulim”, explicou. “Mais recentemente, houve o desenvolvimento da via alcalina que abriu o caminho para o uso do carbonato, com grande economia para o produtor de papel e melhor resultado final”.

    No entanto, a grande economia é alcançada quando a própria papeleira opera sua unidade de carbonato de cálcio precipitado, obtido pelo borbulhamento de CO2 (abundante nessas indústrias) em uma lama de cal. O processo permite controlar o tamanho dos cristais formados e o seu tamanho, de modo a obter os tipos mais adequados ao processo do operador. Há várias empresas fornecendo as instalações para esse fim e, em alguns casos, até as operam para os clientes, a exemplo da SMI e da Faxe Kalc. A própria Quimbarra responde por duas unidades cativas (ou satélites), na Ripasa e na antiga Cia. de Papel Pirahy. “Nossa participação nessa aplicação é diminuta”, considerou.


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