Farmácia e Biotecnologia

18 de março de 2013

Atualidades / Biotecnologia – Clariant investe no Etanol Celulósico

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    tenta à evolução da demanda por químicos de origem renovável, a Clariant desenvolveu a tecnologia Sunliquid para produzir etanol de segunda geração. Fruto dos estudos em biotecnologia desenvolvidos pela alemã Süd-Chemie, comprada pela empresa suíça em 2011, essa tecnologia deverá abrir novos campos de atuação.

    Química e Derivados, Martin Mitchell, etanol tem aplicações definidas

    Mitchell: processo integrado tem alta eficiência de conversão

    O processo fermentativo Sunliquid pode gerar vários produtos, porém o etanol foi escolhido como o pioneiro para investimentos em escala comercial por já dispor de um mercado bem desenvolvido, tanto como combustível quanto como insumo químico. “O etanol tem aplicações definidas e especificações técnicas aceitas internacionalmente, sendo mais fácil para comercializá-lo”, comentou Martin Mitchell, gerente de desenvolvimento de negócios em biocombustíveis da Clariant (unidade de negócios de catálises e energia), em bom português.

    Mitchell explicou que o processo Sunliquid alia a hidrólise enzimática de materiais celulósicos a um processo de fermentação com micro-organismo desenvolvido pela Clariant. Com isso, é possível converter 90% da celulose e hemicelulose presentes no material fibroso em álcool, na razão de 4,5 toneladas de bagaço de cana para uma t de etanol de segunda geração. “Nossas leveduras conseguem fermentar simultaneamente os açúcares C5 e C6, sem a necessidade de segregação”, afirmou.

    O processo fica completo com a incorporação de sistemas de absorção seletiva, que substituem a etapa tradicional de destilação. “Os destiladores convencionais consomem muita energia, e encontramos um material capaz de absorver apenas o etanol”, explicou. Depois dele, basta passar por uma coluna de retificação. A economia de energia com esse esquema chega a 50%.

    A Süd-Chemie/Clariant desenvolve a tecnologia Sunliquid desde 2006, alcançando a escala de piloto em 2009. Em julho de 2012, foi inaugurada em Straubing, na Bavária, a planta de demonstração para 1.000 t/ano de etanol celulósico, alimentada com 4,5 mil t de palha de trigo. “Estamos planejando agora a instalação da primeira unidade em escala comercial, que poderá ser instalada nos Estados Unidos, com palha de milho; no Brasil, alimentada com bagaço de cana; ou na Alemanha, com resíduo de trigo”, salientou.

    Mitchell já fez três apresentações públicas do processo Sunliquid no Brasil, com boa receptividade. Segundo informou, alguns empresários brasileiros foram à Alemanha conhecer a unidade de demonstração. A escala comercial é estimada entre 50 mil e 150 mil t de etanol por ano. Para o gerente, o Brasil deveria optar por uma planta para 20 milhões de galões/ano, tamanho que também seria adotado nos EUA.

    Biotecnologia, Integrierte Enzym, ClariantO Brasil leva vantagem, por contar com abundância de bagaço. Mitchell considera que a produção de etanol de segunda geração não prejudicará a geração de vapor e eletricidade nas usinas. “Os usineiros usam caldeiras que foram bastante otimizadas. O consumo de bagaço para gerar energia só consome 40% do bagaço produzido, sobrando 60% para diversificar a produção”, comentou. Nas suas contas, caso todas as usinas nacionais convertessem 60% do bagaço, seria possível ampliar a produção brasileira de etanol em 50%, sem contar o potencial representado por folhas e ponteiros que ainda permanecem no campo.

    Também a lignina, material polifenólico que reveste e protege as fibras celulósicas e hemicelulósicas, pode ser levada para queima nas caldeiras, ajudando a reduzir o consumo de bagaço. A água residual dos processos de cana-de-açúcar, rica em açúcares, pode alimentar outros fermentadores e gerar biogás, para ser usado como combustível ou fonte para adubos químicos. O processo Sunliquid é autossuficiente em eletricidade.

    Química e Derivados, Produção de enzimas faz parte da unidade para demonstração do Sunliquid, na Alemanha

    Produção de enzimas faz parte da unidade para demonstração do Sunliquid, na Alemanha

    O investimento necessário para erguer uma unidade Sunliquid para 20 milhões de galões (quase 76 milhões de litros) chegaria perto de US$ 100 milhões. “É mais ou menos nessa ordem de grandeza, mas a tendência é reduzir esse valor para apenas dois dígitos de milhões”, disse. A companhia oferece suporte técnico para clientes e garante a eficiência do processo. Além da venda da produção, o etanol obtido no processo tem uma pegada de carbono mais amena que os combustíveis fósseis. “O Sunliquid é neutro em emissão de CO2”, afirmou.

    A primeira unidade comercial está sendo alvo de estudos. A companhia poderia construir sozinha o empreendimento, mas também poderia associar-se a usineiros ou ainda licenciar a tecnologia para terceiros. “Apenas ressaltamos que queremos vender o processo todo, não as suas partes”, afirmou. A produção das enzimas para a etapa de digestão é feita de forma integrada ao processo, sob orientação da licenciadora, de forma que reduza custos para o cliente. Os fermentos especiais se mostraram bem competitivos em relação à flora indígena nos testes efetuados no piloto.



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