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18 de dezembro de 2010

Atualidades – Análise – Fusão cria gigante do instrumental analítico

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    ois dos maiores nomes da instrumentação analítica mundial, empresas pioneiras do Vale do Silício (Califórnia, EUA), consolidaram suas operações mundiais, formando um gigante nos campos de análises químicas, biológicas, eletrônicas e de telecomunicações. A Agilent Technologies (separada da Hewlett-Packard em 1999) finalizou o processo de compra – por US$ 1,95 bilhão – e integração de negócios da Varian em 1º de novembro de 2010, assumindo as suas conhecidas linhas de espectrometria, ICP óptico, ressonância magnética nuclear (RMN), sistemas de alto vácuo e dispositivos de preparação. Órgãos reguladores da concorrência da Europa e dos Estados Unidos impuseram a venda de algumas linhas de produtos para concorrentes realmente capazes. Dessa forma, as linhas Varian de ICP-MS, Lab GC e GC-MS Quadrupole foram adquiridas pela Bruker. A Inficon ficou com os analisadores dedicados de gases para indústrias da série 3000A MicroGC, da Agilent.

    Os resultados da Agilent para o ano fiscal que foi encerrado em 30 de outubro indicam um faturamento global de US$ 5,4 bilhões, sem incluir os negócios da Varian. O faturamento de 2009 foi de US$ 4,5 bilhões. Para 2011, já com os produtos da adquirida, a previsão de faturamento sobe entre 13% e 16%, somando entre US$ 6,1 bilhões e US$ 6,3 bilhões.

    A estrutura da Agilent se divide em duas grandes divisões de negócios em medições: bioanalítica e eletrônica. O mercado mundial de medição eletrônica, incluindo energia e telecomunicações, é estimado em US$ 12 bilhões, com crescimento médio anual entre 4% e 5%. Para a Agilent, essa divisão responde por 52% de suas vendas.

    A medição bioanalítica, que se divide nas áreas de biociências e análises químicas, tem mercado mundial estimado em US$ 28 bilhões, respectivamente de US$ 19 bilhões e US$ 9 bilhões, com evolução anual de 5% a 7%.

    Química e Derivados, Reinaldo Castanheira, Agilent, biociências registrou crescimento

    Castanheira: filial brasileira cresce sob a influência dos genéricos

    “No Brasil, a nossa área de biociências registrou crescimento de 52,2% em vendas durante 2010, puxadas pelo setor farmacêutico, análises de qualidade de alimentos e bioenergia”, informou Reinaldo Castanheira, gerente-geral da Agilent Brasil para as áreas de análises químicas e biociências (divisão bioanalítica). O potencial de negócios no Brasil é musculoso, considerando os investimentos na produção de medicamentos genéricos, todos exigentes de instrumentos analíticos para controle de processos e de qualidade. Além disso, a Agilent prevê aumento de vendas para aprimorar o controle de qualidade dos alimentos direcionados para exportação. Dos grãos às carnes, não se aceitam mais resíduos de defensivos agrícolas, muitos deles banidos em vários mercados. “O país ainda está atrasado nisso, faltam até laboratórios acreditados internacionalmente para fazer essas análises”, comentou, apontando como exceção o laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro, devidamente credenciado pela entidade que fiscaliza o uso de substâncias dopantes em modalidades esportivas olímpicas.

    Aliás, Castanheira não espera grandes negócios por conta da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016, ambas marcadas para o Brasil. “Já existe uma estrutura laboratorial bem equipada para isso, não vejo a necessidade de grandes investimentos nesse campo”, avaliou.

    Um dos campos nos quais essa divisão tem encontrado largo caminho de crescimento está nas análises forenses, atividade mais conhecida no Brasil como Medicina Legal. As técnicas analíticas avançadas permitem caracterizar substâncias e identificar pessoas com base em poções muito diminutas de materiais coletados, incluindo todo o tipo de análises químicas, bioquímicas e até de identificação de DNA (ácido desoxirribonucleico, componente básico do código genético dos seres vivos). “Existem laboratórios bem equipados para isso no Brasil, mas são ainda em pequeno número”, comentou Castanheira.

    As aplicações forenses dos produtos da Agilent contam com uma ampla divulgação entre o público em geral. Seus instrumentos aparecem frequentemente nos cenários de seriados americanos de investigação criminal, como o famoso CSI.

    No mundo real, as aplicações na área de controle ambiental estão ganhando força no Brasil, junto com os negócios ligados ao petróleo e à energia. “No exterior, as vendas de instrumentos para monitoramento de resíduos de petróleo dispararam desde o acidente com a plataforma Deep Horizon, no litoral da Flórida”, comentou Castanheira. Isso se deve à decisão do governo americano de instalar várias estações de coleta e análise da água do mar ao longo do litoral americano para avaliar o impacto do vazamento de óleo.

    Na área médica, ele apontou uma diferença importante entre as pesquisas atuais e as de décadas passadas. “Antes, o foco das análises estava ligado ao mapeamento do genoma, mas agora os cientistas estudam mais a estrutura das proteínas e o metabolismo humano”, explicou. Essas duas linhas de estudos levaram à criação de duas novas especialidades: proteômica e metabolômica, respectivamente. Para a indústria farmacêutica, está escondida nas proteínas (e no seu desequilíbrio ocasional) a fonte dos medicamentos do futuro, mais do que nas linhas tradicionais de síntese.


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