Química

20 de outubro de 2007

Atualidades – Ambiente – Sistema de gestão apóia cultura da ecoeficiência

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    interesse na proteção ambiental e no desenvolvimento sustentável cresce cada vez mais e de forma irreversível. Da mesma forma que as megacorporações, as pequenas também são pressionadas a apresentar resultados em favor do meio ambiente. A implementação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) pode auxiliar de diversas maneiras a adotar a cultura da ecoeficiência.

    A avaliação é do consultor internacional em implantação de programas de produção mais limpa, elaboração de projetos para aquisição de ISO 14000/14001 e especialista em controle ambiental, o engenheiro químico gaúcho Paulo Jost. Com base em uma série de informações vinculadas ao tema da produção ambientalmente correta, Jost ministrou o curso Gestão Ambiental: ISO 14001 na Teoria e na Prática, promovido pela Associação Brasileira de Química,em Porto Alegre, iniciado em maio e concluído em agosto último.

    Paulo Jost lembrou que até a primeira metade do século XX predominou a mais completa ignorância sobre os reflexos do impacto ambiental industrial. Na década de 60, surgiu a percepção sobre o custo gerado pelo progresso e isso fez nascer a conscientização sobre seus limites, mas permanecia o dilema da dispersão e diluição dos agentes poluentes. Na década seguinte, ocorreu uma mudança importante de mentalidade baseada na preocupação em legislar.

    Com a quantificação do rastro de poluição provocado pelas descargas das empresas, começam a aparecer os primeiros parâmetros legais sobre impacto ambiental, ainda em um nível permissivo, do tipo pode-se desperdiçar alguns miligramas por litro. Portanto, o tratamento passa a ser exigido dentro do que se denomina atualmente tecnologia fim de tubo. Geravam-se efluentes e seus prejuízos eram remediados pós-processo. Nos anos 80 surge ainda na Europa a idéia da reciclagem e recuperação de materiais.

    Jost trouxe ao Brasil o primeiro programa de produção mais limpa chancelado pelas Nações Unidas, em 1994, por meio de um intercâmbio com o Ministério do Meio Ambiente da província de Ontário, no Canadá, onde realizou diversos cursos. Com base no conceito identificado na sigla P4 (Programa de Prevenção da Poluição), implantadoem Santa Catarinae denominado Programa da Qualidade Ambiental na Indústria Catarinense.

    No Vale Químico do Canadá, Jost conheceu o sistema de segurança da região, onde predominam as instalações petroquímicas daquele país, com 40% do processamento de derivados de nafta, à beira do rio Santa Clara. O curso de água é monitorado em tempo integral por sensores de presença para substâncias químicas. Há uma preocupação especial com o escape de tolueno e xileno, por isso o monitoramento biológico do ecossistema original com fauna e flora preservadas também serve de indicador das condições do rio.

    Na Europa, complementa Paulo Jost, esse tipo de programa é denominado Cleaner Production, Produção Mais Limpa,em português. Ocomeço efetivo no Brasil ocorreu a partir de 1995, por meio de um projeto da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) que resultou na criação do Centro Nacional de Tecnologias Limpas, vinculado ao Serviço Nacional da Indústria (Senai) e diretamente subordinado ao Unido, o organismo das Nações Unidas responsável pela organização do desenvolvimento industrial.

    Em comparação com o mundo desenvolvido, Jost aponta um atraso de dez anos no Brasil em relação aos conceitos de produção mais limpa. “O primeiro trabalho ocorreu no Centro Tecnológico do Couro do Senai de São Leopoldo, porque o curtume é potencialmente muito poluente”, recorda Jost.

    “O País não foi proativo e só começou a se mexer em 1996, adotando práticas corretas em 2004, quando da primeira edição da ISO 14000. “A China, que nem tem legislação ambiental, já é o segundo país em certificação 14000, porque as empresas sabem que sem isso não exportam.”

    Todo o ciclo de produção está baseado na eficiência e nas tecnologias disponíveis para melhorar a qualidade dos processos, diminuindo custos com matéria-prima e consumo de energia, promovendo o melhor desempenho ambiental por meio da redução na fonte de resíduos e emissões, e reduzindo o impacto ambiental dos produtos em todo o seu ciclo de vida, modificando até mesmo o design, a fim de criar manufaturados ambientalmente amigáveis a custos competitivos.

    Química e Derivados, Paulo Jost, Engenheiro químico, Atualidades - Ambiente - Sistema de gestão apóia cultura da ecoeficiência

    Jost: Brasil está atrasado em produção mais limpa

    Jost cita o caso de uma indústria de celulose onde uma flange a 302ºC desperdiça mil reais por ano em perda térmica. Como essa indústria possui quase cem dessas flanges, isso significa um prejuízo anual de R$ 100 mil.

    Como estão anos-luz na dianteira, os países do primeiro mundo começam a mudar o conceito do que pretendem produzir. “Eles querem desmaterializar, produzir software, nanotecnologia, novos materiais com a menor quantidade de matéria possível. Querem deixar para o mundo em desenvolvimento o hardware, que é a indústria difícil, que necessita de neutralização do impacto ambiental. Querem fazer pen drive, iPhone. Reação química fica para nós, mas podemos fazer com responsabilidade.”

    Jost enfatizou esse aspecto durante o curso da Associação Brasileira de Química. Para ele, tudo passa pela gestão do sistema ambiental. Isso se traduz em criar estrutura organizacional adequada, atividades de planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política ambiental, com uma abordagem estruturada e sistemática, controle dos aspectos ambientais, conformidade com as normas, melhoria do desempenho ambiental, experiência favorável com a gestão da qualidade total (GQT).


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