Química

18 de novembro de 2007

Atualidades – Ambiente – Projetos limpos obtêm créditos de carbono

Mais artigos por »
Publicado por: Fernando C. de Castro
+(reset)-
Compartilhe esta página
    C

    om mais de quinze anos de mercado e direcionada à produção exclusiva de bioenergia, a empresa gaúcha PTZ já ajudou a colocar € 15 milhões no mercado brasileiro em créditos de carbono, provenientes das negociações relacionadas com os mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL) do protocolo de Kioto, como informa o diretor do grupo, o engenheiro químico Ricardo Pretz. Os valores estão relacionados com a construção de 46 usinas termelétricas movidas por biomassa, as quais se proliferam do extremo sul do país até Roraima. Até o final do ano serão 50 com sistemas de combustão originárias das mais variadas formas de biomassa.

    No caso da PTZ, Ricardo Pretz informa que a empresa não negocia créditos de carbono diretamente, mas constrói projetos dentro dos parâmetros e proporciona o contato dos empreendedores com as empresas credenciadas pelo governo holandês para realizarem as negociações. Ele aponta a Bioheat International (Holanda) como uma das mais conceituadas do ramo, por apresentar bons projetos sem cobrar sobretaxas e comissões do vendedor. “Existem outros traders”, informa Pretz.

    A preferência por ter firmado negócios com empresas dos Países Baixos tem justificativa. “Os holandeses são bons de negócio com crédito de carbono. Suas equipes são muito bem treinadas e conseguem distinguir um bom projeto de um inadequado no começo da negociação”, compara Pretz.

    Mais recentemente seis projetos da PTZ foram certificados como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) de acordo com o protocolo de Kioto. Contudo, o certificado é o primeiro passo do caminho das pedras. Até receber o dinheiro o investidor tem pela frente um longo trajeto a percorrer. Para atender as normas do protocolo a legislação específica é rígida.

    Antes da certificação, deve ocorrer um aval mútuo por meio de documentos expedidos pelos governos do país comprador e do vendedor. Somente após esse trâmite é que a construção de uma usina ou de um sistema de florestas para seqüestro de carbono começa a ser executado na prática.

    A liberação do dinheiro só sai após um ano de entrada em operação do projeto, com a verificação realizada pelos auditores a qual define se as metas são cumpridas. Eles retornam ao empreendimento para realizar medições posteriores capazes de atestar que o projeto mantém seu compromisso de reduzir a emissão de gases. Só existe pagamento se houver redução de emissões dentro do especificado no projeto. Além disso, toda a execução é fiscalizada pela UNFCCC, Fundo das Nações Unidas para redução das Mudanças Climáticas – organismo regulador para os negócios com crédito de carbono no mundo.

    Projetos que aguardam recursos de bancos de fomento estão de fora dos critérios do protocolo. “Os créditos de carbono são exclusivos para quem depende do dinheiro para implantar MDL. Não adianta buscar aval se o empreendimento já vinha conseguindo verbas por outros meios”, assinala Pretz.

    Um banco público, por exemplo, terá dificuldades de financiar projetos vinculados ao Protocolo de Kioto porque neste caso tudo precisa passar por licitação e as empresas querem bater o martelo sem os meandros da burocracia estatal. Pretz aponta as negociações realizadas recentemente na Bolsa de Mercadorias e de Futuros de São Paulo como uma prática mais interessante e transparente.

    O porte dos empreendimentos varia de microcentrais de 1,5 MW até uma usina de geração expressiva de 23 MW. Em estado sólido caroço de algodão, cavacos de madeira, serragem, lenha, babaçu, dendê e casca de arroz. As usinas podem operar a partir de gases provocados em processos de compostagem e líquidos quando o os resíduos de óleo vegetal numa reação ultra-rápida denominada “pirólise flash” viram petróleo, ou melhor, bio-petróleo.

    Com relação ao bioóleo, Pretz ensina tratar-se de um líquido negro obtido por meio da biomassa submetida às altas temperaturas em um ambiente isolado com pouco ou nenhum oxigênio. Nesse processo de queima, ao contrário dos combustíveis fósseis, a biomassa é renovável e não aumenta a concentração de poluentes no ar. O gás carbônico absorvido pela planta durante seu crescimento compensa aquele liberado na queima do bioóleo.

    De acordo com um manual técnico da PTZ, é possível fracionar o bioóleo e usar parte de sua composição na indústria alimentícia para a defumação. Da mesma forma o petróleo vegetal pode substituir em 50% o fenol petroquímico na produção de resinas fenólicas, usadas como colas nas madeiras compensadas e a fabricação de vernizes e adesivos. Embora difíceis de serem isolados, os compostos derivados do bioóleo (como a vanilina, essência retirada da baunilha, atualmente produzida a partir do bioóleo na França) atingem alto valor de mercado e têm importantes funções. Para Ricardo Pretz o ciclo da biomassa gera processos industriais que são a raiz da engenharia química e da química industrial e o bio-petróleo será a química fina da energia renovável.

    Células a combustível – Pretz informa ter ingressado também na comercialização para o Brasil (a patente internacional é restritiva, impedindo a fabricação) das células de combustível, uma forma de energia nuclear limpa onde dispositivos convertem energia química em energia elétrica a partir da liberação de elétrons decorrentes de uma reação ativada por um catalisador. Diversas matérias- primas podem entrar na reação, tais como hidrogênio, metanol, etanol, gás natural, propano, entre outros.


    Página 1 de 212

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next