Economia

19 de julho de 2007

Atualidades – Ambiente – Metais pesados pagam remediação na Bahia

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Publicado por: Jose Valverde
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    Superar o maior passivo ambiental causado pelo chumbo no mundo, herança de uma desativada metalúrgica largadaem Santo Amaroda Purificação- BA, será uma inédita experiência de remediação auto-sustentável. Para o governo da Bahia, não custará nada e renderá impostos, como outra atividade qualquer, e, para a empresa responsável pela remediação, a argentina Bolland, revela o executivo Enrique Dupertuis, tende a ser um bom negócio, por conta das boas cotações do chumbo, zinco e ferro, metais contidos na escória a ser recuperada, e da tecnologia precisamente desenvolvida com tal propósito.

    Restaurado o meio ambiente, restará o drama das pessoas contaminadas com chumbo e cádmio, principalmente ex-operários da desativada metalúrgica, que produziu lingotes de chumbo durante 35 anos, entre 1958 e1989. A“responsável” foi a Companhia Brasileira de Chumbo (Cobrac), subsidiária da francesa Peñarroya Oxide, hoje incorporada ao grupo líder mundial na produção de óxidos de chumbo, o Metaleurop, e na seqüência, até ser fechada em 1993, pela sucessora, a brasileira Plumbum Mineração e Metalurgia.

    Química e Derivados, Atualidades - Ambiente - Metais pesados pagam remediação na Bahia

    Vítimas da contaminação continuam sem tratamento adequado

    A Bolland está com a licença do Conselho de Recursos Ambientais da Bahia (CRA-BA) para processar as primeiras 150 mil toneladas de escória, deixadas nas próprias instalações e terrenos da metalurgia. Posteriormente, por ordem judicial, elas foram acumuladas no entorno, em terreno nas imediações do Rio Subaé. A previsão é de que essa quantidade de escória seja processada em quatro anos e, a este volume, se acrescentarem outras 50 mil a 100 mil t, usadas pela Prefeitura dessa velha cidade do Recôncavo baiano na base da pavimentação de ruas e também pelas famílias, em quintais e aterramentos.

    Até descobrir-se como causa de contaminação do ar, da terra e da água, e conseqüentes envenenamentos de pessoas, bichos e plantas, a escória era um aparente benefício, doado pela metalúrgica para uso como carga na construção de ruas e calçadas, e em aterros e quintais (ver QD-446, pág. 58).

    Remediar será submeter seguidas bateladas de escória à lixiviação por solução de ácido clorídrico (HCl) e conseqüente recuperação da maior parte do chumbo, zinco e ferro. “Na reação com o HCl, os três metais são solubilizados, transformados nos correspondentes cloretos e, mediante outras reações, passam a óxidos”, resume Dupertuis. “Na seqüência são precipitados e recuperados.”

    Concentrações de chumbo de até 159 mg/l, equivalentes a 31,8 vezes o limite recomendado, indicam que as 150 mil toneladas permanecem agravando o passivo ambiental. Em virtude da ação das intempéries, solo e água são contaminados. As águas superficiais lixiviam a escória, atravessam uma zona alagadiça, alcançam o rio Subaé e a Baía de Todos os Santos, menos de dez quilômetros adiante, carregando teores elevados – até 7,81 mg/l (chumbo) e 0,84 mg/l (cádmio), bem acima do limite do Conama para os dois metais, de 0,03 mg/l e 0,001 mg/l, respectivamente.

    Análises de solo acusam concentrações de 8.200 ppm de chumbo, 117 ppm de cádmio e nas águas subterrâneas valores moderadamente acima do estabelecido na legislação – o maior, de 0,72 mg/l de chumbo – fato atribuído à composição impermeável do terreno de massapé, e decorrente da alta capacidade de retenção de poluentes. Mas altos teores em sedimentos e mariscos foram confirmados.

    Investimento e retorno – Os testes de laboratório, confirmados em escala semiindustrial, indicam que a Bolland extrairá, em quatro anos, 30 mil t de óxido de ferro, correspondentes a 20% das 150 mil t de escória e avaliadas em cerca de 4,5 milhões de dólares; 6 mil t de óxido de chumbo (4%), no valor de 12 milhões de dólares; e 15 mil t de óxido de zinco (10%), com valor de mercado estimado em 45 milhões de dólares. Todos os metais com alto grau de pureza. Nos testes, a recuperação do zinco alcançou 97% e a do chumbo, 92%.

    O material sobrante, correspondente a 66% do volume da escória (90 mil t), será necessariamente doado para a produção de cimento, ou telhas, e assim estabilizado. “Não ficará resíduo solto na natureza”, explica o engenheiro do CRA, Francisco Brito. Além dos três metais recuperados, a escória contém principalmente sílica e, em concentrações menores, Mg, Al, S, Ca, Cd, Ti, Mn e Cu.

    Na Central de Tratamento de Efluentes de Camaçari (Cetrel), empresa responsável pelos resíduos do pólo industrial de Camaçari, mostras de escória foram submetidas ao agente extrator, o hidrácido HCl, pelas 80 horas necessárias de gotejamento, percolação e conseqüente lixiviação. No processamento definitivo, o ácido será transferido para um tanque de concreto revestido de mantas de polietileno (PEAD), ocupado sucessivamente por pilhas de escória.

    Química e Derivados, Francisco Brito, Engenheiro do CRA, Henrique Dupertuis, Atualidades - Ambiente - Metais pesados pagam remediação na Bahia

    Brito (esq.) e Dupertuis: CRA autorizou início do trabalho

    A reação inicial, que resultará nos três cloretos, será seqüenciada pelo processo eletrostático, a própria eletrólise, em função exclusivamente da recuperação do chumbo. É a etapa ambientalmente mais sensível. Exige a instalação de um sistema de captação, com torre de lavagem. “A parcela do cloro gaseificada que se desprender da eletrólise será reabsorvida na torre e voltará para a pilha de lixiviação”, revela Dupertuis. Além de ser uma obrigação ambiental, ressalta ele, o procedimento possibilitará o reúso do CL2.

    O executivo lembra também que o HCl, necessariamente, deve ser puro, não conter elementos voláteis, como ar e solo, exigência que descarta a possibilidade de uso de grande parte do estoque disponível no Pólo Industrial de Camaçari a custo zero. Dupertuis exibe dois frascos – o primeiro contendo HCl puro, como é requerido, translúcido tanto quanto água destilada; o segundo com o HCl pós-utilizado uma solução com a mesma coloração esverdeada do azeite de oliva.


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