Química

15 de fevereiro de 2010

Atualidades: Ambiente – Grupo gaúcho adquire recicladoras de mercúrio

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    s empresários gaúchos João Guilherme Sebben e Eduardo Sebben compraram recentemente as empresas Brasil Recicle, de Indaial-SC, e a Apliquim Tecnologia, com sede em Paulínia-SP. Ambas são especializadas em sistemas de sequestro de mercúrio. O metal pesado pode ser encontrado em várias aplicações, como nas lâmpadas frias e nos amálgamas odontológicos.

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    O mercúrio nunca se torna inerte

    A Brasil Recicle concentra a atividade na retirada e descontaminação do elemento químico de lâmpadas. Já a unidade paulista, detentora de Iso 14001, consegue capturar o metal pesado do amálgama odontológico, termômetros e equipamentos de medir pressão arterial. Segundo Eduardo Sebben, o volume de mercúrio existente hoje no país, se fosse totalmente reciclado, tornaria desnecessária a compra e a extração do metal pesado, considerado altamente perigoso, principalmente no estado gasoso, como é encontrado nos garimpos clandestinos de ouro.

    Das lâmpadas descartadas no Brasil, cerca de 80 milhões/ano, apenas 3% têm destinação adequada. O mercúrio presente nas lâmpadas é altamente tóxico e bastante volátil, pode contaminar o solo, os animais, as águas e os seres humanos. Para evitar possíveis impactos ao meio ambiente, deve-se dar um destino adequado às lâmpadas com vapor de mercúrio após o seu uso. A reciclagem é considerada a melhor solução. O processo começa pela classificação das lâmpadas fluorescentes por comprimento e diâmetro, para, em seguida, encaminhá-las para o processo de descontaminação.

    De acordo com Sebben, a descontaminação pode ser realizada com segurança desde que sejam observadas todas as etapas do processo, tais como análise laboratorial dos produtos e subprodutos, monitoramento técnico-ambiental, frota adequada para o transporte e devidamente licenciada, com sistema de exaustão para controle de vapores e profissionais treinados na manipulação dos materiais. A captura ocorre na máquina de descontaminação que funciona enclausurada e sob pressão negativa, para que não haja fuga do vapor de mercúrio.

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    Sebben: se Hg fosse reciclado, evitaria-se compra e extração

    A máquina corta e limpa as lâmpadas automaticamente e permite a captura do vapor de mercúrio por exaustão forçada, realizada com apoio de filtros de carvão ativado. O ar carregado de partículas de pó de fosfato exaurido durante a limpeza das lâmpadas passa pelos filtros, nos quais as partículas ficam retidas. O ar atravessa o meio filtrante de carvão, saindo limpo para a atmosfera. O tubo de vidro descontaminado é recolhido no final da linha de produção.

    As lâmpadas de bulbo (HID), após serem classificadas de acordo com suas dimensões, são submetidas à separação do terminal por corte. Junto com o terminal é retirado o bulbo interno que contém mercúrio e os sistemas de suportes que mantêm a posição do bulbo no interior da lâmpada. O pó de fósforo é retirado pela ação de forte pressão de ar seguida de exaustão.

    Mas o volume de mercúrio em lâmpadas é insignificante. São necessárias 55 mil unidades para capturar 800 gramas do elemento químico. Os subprodutos da lâmpada são o vidro, reaproveitado na indústria de cerâmica, as sucatas metálicas, vendidas para fundições, e a poeira fosforosa que vai para a fabricação de tintas.

    O problema do mercúrio é a sua bioacumulação, além do fato de jamais tornar-se inerte. Se uma lâmpada quebra, todo o volume de mercúrio vai para o ambiente e atingirá fatalmente algum bioma. Na opinião de Sebben, deveria haver um estímulo para a captura correta do mercúrio. Bastaria montar uma estrutura de reciclagem permanente dos volumes existentes no país, uma vez que o governo, pelo menos a princípio, sabe onde estão armazenados os descartes.



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