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18 de outubro de 2010

Atualidades – Alcoolquímica – Rio Grande do Sul dá a partida no polietileno verde

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Braskem inaugurou em solenidade, com direito a discurso presidencial, sua primeira unidade industrial para conversão de álcool etílico em eteno e polietileno-biopolímero, em 24 de setembro, no complexo petroquímico de Triunfo-RS. Os técnicos da empresa já haviam acionado os reatores em 3 de setembro, mas as atividades de pré-partida vinham sendo efetuadas desde junho.

    A especificação do eteno foi atingida doze horas após a partida da unidade. Foram investidos cerca de R$ 500 milhões no projeto, concebido com tecnologia própria da companhia e, no final de junho, quando a instalação foi concluída, haviam sido decorridos 515 dias de obra, envolvendo duas mil, duzentas e cinquenta pessoas, 13 mil metros cúbicos de concreto, três mil toneladas de aço em tubulações e estruturas metálicas, 350 km de cabos, e mais de 400 mil refeições servidas. O projeto do polietileno verde consumirá 462 milhões de litros de etanol/ano, volume que inicialmente será adquirido em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Com a partida da planta de eteno verde, a Braskem passará a consumir 570 milhões de litros de etanol em suas unidades gaúchas que também incluem a produção de éter terc-butílico (ETBE).

    Para se ter uma ideia desse volume, ele é equivalente a todo o etanol vendido nos postos de combustíveis do Rio Grande do Sul (600 milhões de litros). A logística para levar para Triunfo esse oceano de álcool se vale dos modais ferroviário e hidroviário. “Raramente usaremos caminhões”, antecipou o vice-presidente de insumos básicos da Braskem, Manoel Carnaúba.

    Segundo informou o presidente da Braskem, Bernardo Gradin, o etanol será fornecido mediante contratos firmados com alguns dos principais produtores nacionais. A relação com esses fornecedores será regida por um código de conduta específico que prevê critérios de sustentabilidade, como cumprimento das diretrizes ambientais, especialmente as relacionadas no Protocolo Ambiental do Estado de São Paulo, da legislação trabalhista e da regulamentação que trata da redução de emissão de gases de efeito estufa.

    Resina verde – A polimerização do eteno em polietileno será feita nas plantas poliolefínicas existentes em Triunfo e que no passado pertenceram à Poliolefinas e à Ipiranga Petroquímica, uma vez que a resina terá as mesmas características químicas dos polietilenos obtidos pela rota petroquímica, usando igualmente eteno (embora de origem renovável) idêntico. A disponibilidade da olefina verde acrescentará 200 mil t/ano à produção de PEs comercializados pela companhia. “A realização desse projeto constitui um marco histórico para a Braskem, e materializa um sonho partilhado com nossos clientes, que passam a contar com a opção de um produto ainda mais sustentável”, afirmou Gradin.

     

    Química e Derivados, Bernado Gradin, CEO da Braskem, Alcoolquímica - Rio Grande do Sul dá a partida no polietileno verde

    Bernado Gradin: cada tonelada de polietileno retira 2,5 t de CO2 da atmosfera

    De acordo com o CEO da Braskem, o plástico verde promove um balanço ambiental muito favorável, ao retirar até 2,5 toneladas de carbono da atmosfera para cada tonelada produzida de polietileno desde a origem da matéria-prima. “Pode-se dizer que o plástico verde da Braskem é feito de CO2, capturado da atmosfera na fotossíntese da cana-de-açúcar. É ainda o mais competitivo entre todos os plásticos de origem renovável, e isso tem sido amplamente reconhecido pelo mercado, que registrou demanda para três vezes a capacidade da planta”, comentou.

    A construção e a montagem da unidade de eteno via etanol foram executadas pela Construtora Norberto Odebrecht. A Genpro, mesma empresa do projeto da unidade de polipropileno de Paulínia, atuou com a expertise em engenharia; a OPI, com o suprimento internacional; e a Braskem entrou com a tecnologia dos projetos conceitual e básico, além do gerenciamento da aliança. A unidade de eteno verde teve o prazo de construção antecipado de 22 para 16 meses e com custo final abaixo do orçamento, sem registrar acidentes com afastamento.

    Durante a operação industrial, propriamente dita, serão gerados cerca de 50 postos de trabalho diretos e indiretos. De acordo com a diretoria da Braskem, a segurança operacional ocorre em diversos níveis, pois são empregados procedimentos de análise de risco por meio de funções instrumentadas de segurança, dispositivos de alívio e proteções físicas de liberação. Outro critério é denominado “programa de resposta de emergência da planta”, ou seja, promover a capacidade operacional para resposta urgente a uma ocorrência que coloque em risco as pessoas e os equipamentos.

    A diretoria da Braskem já avalia a possibilidade de implantar uma nova unidade de eteno verde diante do interesse demonstrado pelo mercado. “Os investimentos em biopolímeros confirmam a confiança da Braskem no crescimento do país e no potencial de que ele dispõe para liderar o desenvolvimento de produtos de origem renovável baseado no seu diferencial competitivo”, concluiu Gradin.

    A justificativa para um novo investimento é simples de ser explicada. O polietileno pela rota etílica já chega ao mercado totalmente comercializado. Desde o ano passado, a Braskem estabeleceu uma série de parcerias para fornecê-lo a clientes nacionais e internacionais, tais como Tetra Pak, Toyota Tsusho, Shiseido, Natura, Acinplas, Johnson&Johnson, Procter&Gamble e Petropack, entre outras. Além disso, existe um potencial de negócios para mais 400 mil t/ano da resina verde.

    Ciclo promissor – O novo ciclo de investimentos da Braskem em Triunfo foi anunciado há dois anos, em Porto Alegre, e soma um total de R$ 1,7 bilhão, incluindo a manutenção dos projetos iniciais da antiga Copesul e da Ipiranga Petroquímica, adquiridas pelo braço petroquímico do grupo Odebrecht em abril de 2007, num pool de absorção e divisão de ações formado com a Petrobras e o grupo Ultra.

    “Esse programa de investimentos está alinhado com a estratégia de crescimento com criação de valor, visando tornar a Braskem uma das dez principais empresas globais do setor”, assinalou em 2008, o então presidente da Braskem José Carlos Grubisich, agora à frente da ETH S.A., o braço do grupo para produção de etanol. Na ocasião, ele reconheceu que a chegada do grupo baiano nos domínios da petroquímica gaúcha despertava desconfiança. Durante a inauguração de 24 de setembro último, o ex-presidente foi muito cumprimentado pela iniciativa que consolida a presença institucional e corporativa da Braskem na matriz econômica do Rio Grande do Sul.



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