Tecnologia Ambiental

11 de abril de 2002

Atuação responsável: Verificação externa dá novo alento ao programa

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Para aumentar a credibilidade do sistema de gestão de saúde, segurança e meio ambiente, um grupo de auditores passará neste ano a verificar se as empresas signatárias estão realmente implementando suas práticas

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    ste ano promete ser marcante para a história do Atuação Responsável no Brasil. Não só porque o programa comemorou dez anos em abril, mas principalmente por causa da série de mudanças e aperfeiçoamentos que a entidade organizadora, a Abiquim, pretende logo implementar nesse sistema internacional de gestão de saúde, segurança e meio ambiente específico da indústria química.

    A modificação mais significativa, e muito próxima de ocorrer, é o início das verificações externas de progresso, um projeto em maturação há algum tempo e fundamental, segundo os especialistas, para melhorar a imagem do programa. Com essa avaliação, um comitê formado por terceiros audita a empresa para atestar se ela implementa com seriedade as 116 práticas contidas nos seis códigos do Atuação Responsável.

    Até então a forma de averiguação baseia-se em uma auto-avaliação, na qual as próprias companhias respondem a um questionário, emitido todo o ano pela Abiquim e voltado para sondar o seu nível de engajamento. Essa metodologia é considerada muito parcial pelos críticos do programa.

    Química e Derivados: Atuação: atuacao.Em maio começou o treinamento dos envolvidos nas primeiras experiências piloto, a serem realizadas até agosto em unidades da Basf, Akzo Nobel e OPP, empresas voluntárias no projeto. A estruturação do comitê verificador também está praticamente definida pela Abiquim. Será constituído por representantes da associação, por auditores treinados de órgãos certificadores (BVQI e ABS), por técnicos de empresas terceiras e signatárias do programa e, ainda, por membros da comunidade. “Montamos uma estrutura dentro da Abiquim que será responsável pela coordenação e pelos treinamentos dos auditores da verificação”, explicou o gerente técnico da entidade, Marcelo Kós.

    Depois das verificações piloto, o plano é até o final do ano tornar o procedimento oficial. Mas isso não significará, num primeiro momento, transformá-lo em algo mandatório, sobretudo porque há muitas empresas na Abiquim ainda não muito desenvolvidas no Atuação Responsável. Outra precaução para o início do processo

    Química e Derivados: Atuação: Kós - intenção da Abiquim é fazer do programa a base conceitual do PNQ.

    Kós – intenção da Abiquim é fazer do programa a base conceitual do PNQ.

    é não expor em demasia os resultados das primeiras avaliações. Haverá um cuidado especial em não se alardear um sistema de pontuação a ser criado para dar notas às empresas, qualificando seu envolvimento com o programa. Segundo Marcelo Kós, a intenção é enfatizar mais o relatório final da verificação, uma espécie de resumo do que foi apurado na auditoria.

    Rumo ao PNQ – A incipiência do processo de verificação também faz a Abiquim hesitar se vai conceder ou não um certificado de conformidade com o Atuação Responsável, nos moldes dos emitidos pelas normas ISO, por exemplo. Para o gerente da Abiquim, aliás, o Brasil não deve seguir o mesmo caminho a ser adotado em breve pelos Estados Unidos. Isso porque, em meados deste ano, a associação da indústria química norte-americana (ACC) definirá a forma pela qual será concedido um certificado do Responsible Care. Por pressão da indústria automotiva, que exigiu esse procedimento de seus fornecedores químicos, à ACC só resta decidir se o certificado será auferido de forma conjunta com a ISO 14001 ou se terá caráter independente e obrigatório aos associados.

    No Brasil, a idéia em gestação, de acordo com Marcelo Kós, é tornar o processo de verificação uma etapa obrigatória para um projeto mais ambicioso em vez de limitá-la a apenas um “diploma” para ser pendurado na parede. Com o propósito definido no último congresso do Atuação Responsável (ver QD-395, pág. 10) de estender os valores do programa para a sustentabilidade empresarial, o plano em cogitação é fazer com que a verificação seja uma ferramenta de gestão para atingir um objetivo maior: a conquista do Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ). A verificação seria apenas uma etapa intermediária para preparar a empresa para concorrer ao prêmio.

    “Alimento o sonho de que, em três anos, mais da metade dos indicados para o prêmio sejam da indústria química e, indo mais longe, que boa parte dos finalistas e até mesmo o ganhador sejam com mais constância do nosso setor”, afirma Kós. Embora ainda nada esteja definido, cogita-se até mesmo que o relatório final da verificação seja semelhante ao exigido pela Fundação Nacional para o Prêmio da Qualidade (FNPQ) aos pretendentes à conquista do PNQ. Outra possibilidade aventada é fazer com que a verificação (que pode vir a se chamar verificAR) seja antecedida por uma primeira etapa de auditoria de conformidade legal.

    Química e Derivados: Atuação: atuacao01.A conjunção do Atuação Responsável com o PNQ pode significar alterações no programa para adaptar as práticas às exigências do prêmio. Isso pode fazer os códigos serem resumidos e, mais ainda, correlacionados aos questionários e às premissas do PNQ. “Vamos fazer com que o Atuação forneça os ‘comos’ para conquistar o prêmio, ou seja, torná-lo a sua base conceitual”, explica Marcelo Kós. Aliás, uma troca de experiência com a central petroquímica gaúcha, a Copesul, já agraciada com o PNQ e bastante avançada no programa da Atuação Responsável, pode ser uma prática valiosa no futuro.


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