Química

16 de maio de 2009

Atuação responsável – Signatários têm dificuldades para implantar novo programa

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Química e Derivados, Atuação Responsável

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    erramenta indiscutível de modernização da gestão da indústria química, o programa Atuação Responsável passa por um momento delicado, que de certa forma reflete a situação do setor no Brasil e no mundo. Como pano de fundo destacam-se a crise financeira e a onda de fusões e aquisições, que afetaram o nível de dedicação de muitos colaboradores das indústrias signatárias. Com a atenção toda ela agora voltada para os efeitos do novo panorama econômico e para as várias reestruturações em curso provocadas pelas fusões, diminuíram-se as horas disponíveis dos técnicos e executivos empenhados em aplicar as diretrizes do programa. Isso quando os cortes de pessoal não foram os responsáveis pelo descuido a esse sistema de gestão abrangente que ajuda em muito a indústria química mundial a lidar com seus problemas de saúde, segurança e meio ambiente.

    Além da questão mais ampla, que prejudica o andamento do programa mundialmente, no Brasil há obstáculos particulares, próprios da versão brasileira do Responsible Care. Recém-revisado, fruto de um longo trabalho que o tornou mais complexo do que seus similares estrangeiros – ao incorporar também os preceitos da qualidade e da responsabilidade no seu escopo e ao harmonizar suas práticas e mudar sua estrutura de aplicação –, o programa brasileiro se tornou tão avançado que muitas signatárias passaram a ter dificuldades na adequação. Por conta disso, a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) precisou estender os prazos para as empresas atingirem o chamado nível 2 de implantação, aquele em que o signatário passa a estar no patamar de atendimento das normas ISO, entrando no ciclo de melhoria contínua de redução de impactos. Anteriormente acordado para 2010, tamanhas foram as dificuldades encontradas por boa parte das empresas que a Abiquim resolveu adiar a exigência para 2015.

    Química e Derivados, Marcelo Kós, Diretor de assuntos técnicos da Abiquim, Atuação Responsável

    Marcelo Kós: autoavaliação é trabalhosa, vale muito a pena

    Segundo informa o diretor de assuntos técnicos da Abiquim, Marcelo Kós, metade dos associados apresentou algum tipo de dificuldade. Isso porque, confessa Kós, a reformulação do programa muitas vezes tornou algumas de suas práticas mais exigentes e complexas do que as adotadas por matrizes de empresas signatárias de origem estrangeira. Além de essa realidade ter feito o prazo de adequação se alongar, também tem provocado a convocação de reuniões e workshops entre os associados na tentativa de facilitar a evolução da empresa no Atuação Responsável.

     

    A primeira dificuldade, na opinião de Kós, aparece quando a empresa começa a perceber que o novo programa, apesar de agora ser verificado por empresas certificadoras, não é mais apenas uma ferramenta de auditoria, como as normas ISO. “Ele é uma ferramenta de planejamento da empresa, com a capacidade de posicioná-la com uma nova estratégia baseada na sustentabilidade”, disse. Seu conceito de implantação, que envolve criterioso processo de autoavaliação e a seguinte auditoria de verificação (VerificAR), obrigatoriamente leva o signatário a se posicionar para a melhoria contínua no nível 2 (que busca a redução de impactos além das exigências legais), em seguida para o nível 3 (de minimização máxima dos impactos) e, por fim, no nível 4, da sustentabilidade, no qual quase utopicamente a empresa conseguiria eliminar seus impactos. O nível 1, é bom acrescentar, é a fase em que o signatário não faz nada mais do que as legislações exigem.

    Mesmo simplificado depois de sua revisão, o que eliminou as duplicações de práticas dos antigos códigos estanques e reduziu sua estrutura para 62 diretrizes, outro ponto levantado para explicar sua aparente dificuldade de aplicação é a complexidade documental. Numa análise do próprio Marcelo Kós, são cerca de 4 mil textos orientativos a serem lidos para completar sua preparação e principalmente sua autoavaliação, que deve ser feita de uma a duas vezes por ano (o VerificAR é apenas a cada três anos). “A autoavaliação é realmente trabalhosa, mas reside nela um dos grandes méritos do novo programa: a condição de a empresa se planejar”, disse.


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