27 de julho de 2003

Atuação Responsável: Revisão transformará o programa em ferramenta única de gestão para a indústria química

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Um complexo trabalho de remodelamento do Atuação Responsável no Brasil vai unificar o programa com as normas ISO, incluir novos temas e deixar sua estrutura dividida por processos. O objetivo é torná-lo mais abrangente e simples de ser adotado.

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    ara fazer jus ao princípio da melhoria contínua, presente na maior parte dos sistemas de gestão, o programa da Atuação Responsável deu início a intenso processo de revisão. O propósito visa atender a uma demanda de mudança vinda dos próprios signatários, e da sua coordenação geral, que sonham em ter um programa mais amplo e ao mesmo tempo mais simples de ser adotado.

    Já com 11 anos de adoção no Brasil, e compulsório aos associados da Abiquim, o sistema de gestão de saúde, segurança e meio ambiente da indústria química estava começando a ser visto como ultrapassado. Principalmente pelas associadas mais adiantadas na implantação dos códigos, aquelas que normalmente lideram o andamento do programa.

    “Chegamos a um ponto em que o Atuação Responsável deixou de ser um desafio, tornando-se apenas uma ferramenta cotidiana para implantar os procedimentos de gestão”, afirmou o gerente corporativo de saúde, segurança e meio ambiente da Braskem, Jorge Soto, também responsável pela comissão técnica do programa pela Abiquim.

    Segundo ele, para voltar a ter esse perfil mais desafiador o AR precisava de nova roupagem, mais abrangente, que abarcasse outros tópicos, além dos aspectos de saúde, segurança e meio ambiente, de modo a preparar a signatária para a chamada excelência empresarial. “O objetivo é o desenvolvimento sustentável”, diz.

    Esses outros itens referidos por Jorge Soto são, num primeiro momento, as questões da qualidade e responsabilidade social, que começam a ser consideradas por grupos de estudo da Abiquim para se tornarem práticas gerenciais do programa. Mas também englobam novíssimas questões, como a proteção corporativa, ou no original em inglês, security. Este último item nasceu nos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro, como medida de prevenção contra eventuais ameaças do gênero também à indústria química.

    Química e Derivados: Atuação: Soto - o sistema estava deixando de ser um desafio.

    Soto – o sistema estava deixando de ser um desafio.

    Mas a mudança do programa, cujas discussões se iniciaram no começo do ano e devem se alongar pelo menos até o fim de 2004, será muito mais complexa do que o simples acréscimo de novas práticas ou códigos. Para começar, a fim de incorporar esse aspecto amplo e ambicioso de levar a empresa à chamada excelência, toda a estrutura teórica e até ideológica do Atuação Responsável será reformulada. Os seus princípios diretivos, espécie de mandamentos centrais do programa, terão um novo texto da visão, da ética e dos valores do AR. Esse texto já tem até uma primeira versão pronta, aprovada pelo conselho diretor da Abiquim, a ser apresentada ao público no próximo congresso do Atuação Responsável, de 29 de setembro a 1º de outubro de 2003, em São Paulo.

    Na nova visão proposta, fica evidente a mudança de rumo. Segundo o próprio texto da versão, o programa “será a principal referência (…) para a sustentabilidade econômica, ambiental e social da indústria química e de sua cadeia de valor, visando a permanente melhoria da qualidade de vida da sociedade”. Nota-se aí que a preocupação ideológica do programa deixa de ser apenas com os critérios limitados e técnicos das práticas ideais de saúde, segurança e meio ambiente, como ainda é na ética atual (ver QD-382, pág. 9), ganhando agora um caráter mais engajado. “Queremos menos engenharia e mais sociologia”, explica Jorge Soto, referindo-se à nova visão.

    O caráter menos tecnicista, porém, não significa que a estrutura do Atuação Responsável não passará por modificações técnicas. Pelo contrário, o próprio ordenamento por códigos, que hoje segmenta o programa em seis itens (segurança de processos, saúde e segurança do trabalho, transporte e distribuição, proteção ambiental, diálogo com a comunidade e atendimento a emergências e gerenciamento de produto), não existirá mais. Para tornar seu perfil mais adequado para a implantação de um sistema de gestão integrado, um novo modelo, dividido por áreas de processo e de apoio, foi montado entre os membros-líder da Abiquim para discussão entre os demais participantes.

    Química e Derivados: Atuação: Proposta de nova estrutura do programa.

    Proposta de nova estrutura do programa.

    “Estamos fazendo um esforço de harmonização e integração das práticas de todos os códigos, para evitar duplicações de procedimentos e simplificar a implementação do programa”, explicou o gerente de assuntos técnicos da Abiquim, Marcelo Kós. Com a nova estrutura por áreas de processo, isso significa que práticas comuns aos variados códigos, antes repetidas, poderão agora servir de uma vez a todos os aspectos do programa, sejam eles, saúde, segurança, meio ambiente ou os aspectos ainda a ser incorporados, como qualidade ou responsabilidade social. Um exemplo seria uma prática que indica a necessidade de se ter um plano de emergência para acidentes, que antes poderia estar no código de segurança de processos e também no de saúde e segurança do trabalho. Com a revisão, ele se unifica. Na avaliação de Kós, esse movimento de harmonização reduzirá o total de práticas das 116 atuais para prováveis 70.


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