Tecnologia Ambiental

7 de dezembro de 2012

Artigo Técnico: Tratamento de Efluentes – Técnicos criticam unidades anaeróbicas de fluxo ascendente em esgoto e sugerem alternativas

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Química e Derivados, Artigo Técnico, Tratamento de Efluentes,

    É preocupante a proliferação recente de instalações de unidades anaeróbicas do tipo UASB em vários estados da União para o tratamento de esgoto doméstico.

     

    Autores:
    Sam E. Shelby Jr – Environ – sshelby@environcorp.com
    Kevin Mastaw – Environ – kmastaw@environcorp.com
    Fernando L’Abbate – Trulli G&C – fernandolabbate@trulli.com.br
    Luiz Fedeli – Trulli G&C – lafedeli@trulli.com.br

     
    É

    um fato reconhecido há tempos que os processos anaeróbicos de tratamento biológico são aplicados com êxito em determinadas águas residuais com altas concentrações de orgânicos (por exemplo, acima de 1.000 mg/l de DBO5). Entretanto, o tratamento não é adequado em casos de águas residuárias de baixa concentração, tal como o esgoto doméstico. Casos típicos de aplicação de processos anaeróbicos são os de tratamento de efluentes de indústrias de produção de açúcar, álcool e bebidas destiladas, cervejarias, certos laticínios, indústrias de carne e alimentícias, e outras indústrias que geram efluentes facilmente degradáveis com concentrações altas de compostos orgânicos. Nesses casos, sistemas anaeróbicos adequadamente projetados e operados podem atingir tipicamente 80%-90% de remoção da DBO e da DQO.

    As características positivas dos sistemas anaeróbicos são as seguintes:

    • Podem ser mantidos altos níveis de biomassa com um mínimo de área ocupada;
    • É requerida pouca energia comparativamente aos sistemas aeróbicos, os quais requerem energia para a alimentação de ar ou oxigênio, assim como para a mistura;
    • São produzidas quantidades significativamente menores de lodo comparativamente aos sistemas aeróbicos;
    • Os sistemas anaeróbicos geram um gás rico em metano que é um subproduto valioso, pois pode ser queimado como combustível ou usado para gerar eletricidade.

    Dentre as desvantagens dos processos anaeróbicos, destacam-se:

    • Não reduzem completamente os orgânicos presentes, de modo que o efluente esteja adequado para despejo;
    • Apresentam um grau mais alto de sensibilidade a materiais tóxicos ou inibidores, incluindo certos compostos orgânicos, metais pesados e elevados níveis de sólidos dissolvidos;
    • Sua tendência a potenciais surtos de desequilíbrio, por conta da variação de condições de operação, tais como pH, temperatura, choque de cargas e vazão, que são típicas em estações de tratamento de esgoto doméstico, conforme horário ou eventos de chuvas pesadas que podem diluir ou “varrer” a massa anaeróbica.

    Ressalte-se, ainda, que os processos anaeróbicos podem tomar muitos meses para o crescimento de biomassa suficiente para atingir condições de equilíbrio e de capacidade máxima após o início da operação, ao passo que os sistemas aeróbicos, com velocidade de crescimento mais rápida da biomassa, geralmente requerem menos tempo.

    No nível de concentração de carga orgânica encontrada no esgoto doméstico (valores típicos de 200-300 mg/l de DBO5), os sistemas anaeróbicos tendem a um desempenho pobre, pois é difícil reter a pequena quantidade de biomassa que cresce, em razão da eliminação dos sólidos. Como resultado, a retenção de biomassa é pobre e pode ocorrer baixa razão de remoção de orgânicos, causando desta forma um aumento de carga para os sistemas aeróbicos a jusante, os quais são geralmente necessários para atingir os limites permitidos de despejo. Nestas situações, toda a unidade de tratamento tem um nível de desempenho baixo e não pode ser rapidamente melhorada. Essencialmente, as unidades anaeróbicas se comportam apenas um pouco melhor do que um grande tanque séptico, não devendo ir, de modo contínuo e estável, muito além de 45%-55% de redução da carga orgânica. Há, também, relatórios que indicam que as bactérias anaeróbicas não granulam muito bem nas baixas concentrações encontradas no esgoto doméstico. Em um reator anaeróbico de fluxo ascendente, a granulação é um fator-chave para a manutenção da biomassa anaeróbica no sistema.

    Limites permissíveis de despejo – Todos os sistemas biológicos de tratamento secundário de águas residuárias industriais ou de esgoto doméstico, quer anaeróbicos ou aeróbicos, devem produzir um efluente que atenda aos parâmetros de qualidade estabelecidos pela autoridade legisladora.


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      Um Comentário


      1. carlos roberto poranga

        100% da população rural e ribeirinha no Brasil usa o sistema de fossa negra. acho que o sistema aneróbio com construções simples de uma sequencia de tres caixas de 1000L para uma residencia com 4 pessoas, acrescentando esterco bovino com agua, e separado das aguas cinzas, resolvem o problema. é melhor que não fazer nada. Conheço povoados que ja não conseguebuscar agua limpa no lençol freatico…..



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