Tecnologia Ambiental

22 de abril de 2015

Artigo Técnico: Tecnologias para reúso de efluentes e dessalinização de água do mar

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Texto: Luiz Abrahão

    A recente escassez de água provocada pela falta de chuvas nas regiões centro e sudeste do país, principalmente no estado de São Paulo, onde mais de 300 municípios tiveram seus sistemas de abastecimento afetados, tem gerado um caloroso debate sobre possíveis processos e tecnologias de tratamento economicamente viáveis e que possam ser aplicadas como possíveis soluções para o enfrentamento da crise hídrica atual. Caso nada seja feito, os conflitos já existentes entre usuários agrícolas e urbanos, de navegação e geração de energia, e industrial e de abastecimento público, deverão ser intensificados.

    Nesse cenário, o reúso de efluentes e a dessalinização da água do mar são temas constantes de debate e destacados por muitos profissionais (engenheiros, técnicos, institutos, etc.) que atuam direta ou indiretamente na área de saneamento ambiental.

    Paralelamente a essas discussões de novas tecnologias, é consenso que há muito que melhorar nos sistemas atuais de coleta, tratamento e distribuição dos sistemas de água potável e esgoto doméstico, visando reduzir o alto índice de perdas de água potável, diminuição de infiltrações, melhoria da qualidade dos corpos d’água, etc.

    Como empresa líder mundial de tratamento de água, a Veolia aposta em soluções inovadoras de processos de tratamento que contribuam efetivamente para os programas de reúso e preservação das águas. Para ilustração de plantas de reúso e dessalinização, a Veolia apresenta dois casos bem sucedidos de aplicação de processos de tratamento que contribuíram para a resolução de problemas de crises hídricas em outros países que conviveram com a situação de escassez: uma planta de tratamento de água de reúso (Espanha) e uma planta de dessalinização de água do mar (Emirados Árabes Unidos).

    Tecnologias existentes – Não há simplesmente uma única tecnologia capaz de garantir a qualidade de água para o reúso, mas sim a combinação de sistemas e equipamentos, tais como clarificação, filtração, membranas, carvão ativado, ultravioleta, etc. A associação dessas tecnologias dependerá de alguns critérios importantes: capacidade da planta, tipo e concentração dos contaminantes presentes na água a tratar, finalidade da água de reúso, área e custos de implantação da planta de tratamento.

    A Veolia possui a linha completa de equipamentos e sistemas para o tratamento de águas visando reúso. Para etapas de clarificação, a empresa possui o Actiflo e o Multiflo que são processos físico-químicos de altas-taxas e de grande eficiência na remoção de material em suspensão e certos compostos orgânicos e inorgânicos.

    Na área de filtração, existe uma gama de equipamentos para essa finalidade: Discfilter/Drumfilter, filtros por gravidade de alta taxa (TGV) ou fechados com diversos tipos de materiais filtrantes, membranas de micro (MF), ultra (UF) e nanofiltração (NF), além de sistema de osmose reversa (RO) e eletrodiálise reversa (EDR) para a remoção da salinidade dos efluentes a tratar.

    Em sistemas biológicos, a Veolia conta com grande experiência nos processos de biorreator com membranas (MBR), reatores com mídias plásticas e leito em movimento (MBBR) e tecnologia de digestão anaeróbia Biothane: reatores de alta-taxas UASB, EGSB, além do sistema Memthane, que agrega a membrana de ultrafiltração em sua tecnologia.

    Água de reúso – De uma forma geral, o reúso de água é a transformação das águas que foram utilizadas nos diversos processos industriais (efluentes industriais) ou residências e comerciais (esgoto doméstico) em nova fonte de água com certo de grau de qualidade para posterior reaproveitamento. Para tanto, é necessário o seu tratamento avançado, que varia conforme a finalidade do reúso.

    A utilização de água de reúso apresenta diversos benefícios. Primeiramente, proporciona a redução do volume de água captada dos mananciais, permitindo que essa água seja destinada ao abastecimento público por outra fonte de qualidade inferior, mas perfeitamente cabível para a aplicação específica dentro da indústria ou no município.

    Nas plantas de tratamento municipais, o reúso de efluentes pode ser utilizado para limpeza de ruas, cemitérios e praças públicas, regar jardins e gramados além de água para irrigação de campo para determinados cultivos e recarga de aquíferos. No abastecimento das cidades, essa água de reúso pode ser mesclada com a água dos mananciais podendo ser utilizada para abastecimento, após devidamente tratada na estação de tratamento de água.

    Nas indústrias, por exemplo, ao mesmo tempo em que agrega uma dimensão econômica ao planejamento, dentro da política de gestão dos recursos hídricos, as medidas acrescentam também a prática ambientalmente correta, valorizando produtos e marcas junto aos seus consumidores. A água de reúso pode ser utilizada em diversas aplicações, tais como geração de energia, sistemas de resfriamento e mesmo seu reaproveitamento nos processos industriais.

    Reúso na Espanha – O tratamento terciário dos efluentes municipais da ETE de Baix Llobregat é feito pelo processo denominado ACTIDisc®. Essa planta de tratamento possui uma capacidade média de 302.400 m3/dia (3,5 m³/s), sendo uma das maiores plantas de reúso do mundo. Nesse caso, o reúso do efluente tratado é destinado, principalmente, para fins agrícolas (irrigação), regularização da vazão do Rio Llobregat, manutenção das condições de umidade do Delta de Llobregat e barreira hidráulica contra o avanço da intrusão salina.


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