Laboratório e Análises

14 de novembro de 2011

IYC 2011 – Analítica – Instrumentos avançam em simplicidade e baixo custo

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Analítica, Laboratório, Análises

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    s avanços da química moderna devem muito à evolução dos instrumentos analíticos. Desde os anos 80, com a popularização dos sistemas informatizados, os instrumentos ganharam capacidades antes inimagináveis. Processadores integrados, dispositivos de cálculo, automação e, mais recentemente, integração total a microcomputadores, permitindo receber e transmitir informações on-line por meio de redes.

    Química e Derivados, International Year of Chemistry, IYC 2011Os químicos se adaptaram bem às vantagens trazidas pela informatização. Com isso, as análises ganharam grande velocidade, sem prejuízo da qualidade dos resultados, mesmo em técnicas analíticas antes consideradas complicadas demais, caso típico da espectrometria de massas. “Há alguns anos, para se obter um espectro de uma amostra, era preciso usar um equipamento de grande porte, que exigia conhecimento altamente especializado para a operação, ou seja, demandava treinamento extenso, e cada leitura demorava horas”, recordou-se Marcos Eberlin, professor e pesquisador do Instituto de Química da Unicamp, e atual presidente da Sociedade Internacional de Espectrometria de Massa (IMSF), aliás o primeiro não oriundo dos EUA ou da Europa a comandar a entidade. “Hoje tudo é mais fácil: os equipamentos são pequenos, comandados por meio de um simples mouse, com operação bastante simples, e o espectro sai em minutos.”

    Por consequência dessas mudanças, os instrumentos se tornaram também mais baratos, além de dispensar toda a complexa e cara infraestrutura que os antigos demandavam. “A espectrometria precisa alcançar as massas”, brinca o professor. Segundo ele, alguns fabricantes resistem a essa tendência de produção de instrumentos mais econômicos, que poderiam representar menor lucro. Eberlin recomenda que estes atentem para a possibilidade de ampliar os ganhos com escala de vendas, cada vez maior. Outro efeito dessa evolução se verifica na rapidez da formação de instrumentistas, hoje feita em semanas.

    Além disso, com a adaptação aos novos recursos, foi possível criar novos métodos para usá-los. “Desenvolvemos aqui na Unicamp a técnica Easi, de espectrometria simples, com a variação super-Easi, que está sendo bem recebida em todo o mundo”, comentou. Basta colocar uma gota da amostra em um pedaço de papel que é introduzido no instrumento e o resultado da leitura sai na hora.

    Curiosamente, a espectrometria de massas era considerada o “patinho feio” das técnicas analíticas instrumentais. “Massa só servia para confirmar a massa molecular de substâncias químicas orgânicas, identificadas com outras técnicas, e só conseguia lidar com materiais que fossem voláteis e termoestáveis”, comentou Eberlin.

    Isso mudou com a concessão do Prêmio Nobel de Química de 2002 para os cientistas John Fenn e Koichi Tanaka. Eles desenvolveram, respectivamente, as técnicas de electrospray e dessorção suave a laser (soft laser desortion, ou SLD). Essas técnicas foram criadas no final da década de 80, mas ganharam mercado na espectrometria de massas vários anos depois. “A combinação dessas inovações mudou radicalmente o uso da técnica. Atualmente, tudo o que puder ser vaporizado pode ser analisado”, explicou Eberlin.

    Essa mudança radical explica o forte crescimento dessa técnica analítica, hoje aplicada no estudo de proteínas (proteômica), gorduras (lipidômica), biomarcadores e outros. Aos poucos, ela vai conquistando mais espaços. “Não há fronteiras bem estabelecidas para cada técnica analítica”, explicou. “E estão sendo cada vez mais usadas técnicas híbridas.”

    Eberlin percebe que as demais linhas de análise instrumental também passaram a contar com equipamentos mais rápidos, sensíveis e robustos, com reflexo direto na velocidade operacional e na redução de custos.

    Nota-se que o avanço da química instrumental está deixando para trás as técnicas mais tradicionais. “Hoje se faz com uma massa o que antes era feito até mesmo por titulação. Resolve-se o problema, mas pode ser que fique mais caro”, ponderou. Eberlin raciocina que se uma técnica resolve o caso mais complexo, ela também funciona no caso mais simples, mas isso não implica diretamente erradicar as demais técnicas dos laboratórios. “Pode ser que sim, pode ser que não”, comentou. “Essas opções ainda precisam de um químico para escolher entre elas a melhor para cada análise”, considerou.

    Historicamente, explica Eberlin, a química analítica começou estudando moléculas inorgânicas, de tamanho pequeno. Passou a analisar as orgânicas, maiores, para depois tratar das moléculas relacionadas à vida, essas muito grandes e complexas. “A instrumentação acompanhou esse processo; e na verdade o guiou”, enfatizou. “O instrumento é uma ferramenta, sem ela não há como lidar com as substâncias, seria como ficar cego.”


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