Laboratório e Análises

18 de dezembro de 2012

Análise – Agilent muda comando operacional no Brasil

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    farmacêutica-bioquímica Gisela Bellinello assumiu em setembro a gerência geral das operações da Agilent Brasil, incluindo as divisões de análises químicas e de biociências. Ela substitui Reinaldo Castanheira, que se aposentou, após décadas de trabalho na companhia.

    Antes da indicação para retornar ao Brasil, Gisela atuou por quatro a cinco meses na Agilent nos Estados Unidos, tendo sido anteriormente gerente geral da GE Healthcare Life Sciences, na qual ingressou em 2004, quando esta adquiriu a Amersham Pharmacia, empresa especializada em cromatografia para fins biológicos e biotecnologia. “A área química é uma experiência nova para mim”, afirmou. No entanto, ela salientou que a tendência atual é de maior crescimento nas linhas biológicas e biotecnológicas.

    Química e Derivados, Gisela Bellinello, Gerente geral das operações da Agilent Brasil, Análise

    Gisela Bellinello: sem intenção de mudar a estratégia de negócios

    “O fato de ter uma formação em farmácia e bioquímica não implica mudança alguma na estratégia de negócios da Agilent, que já vem se desenvolvendo com sucesso há anos”, afirmou. “Sou basicamente uma executiva com foco em desenvolvimento de organizações, preciso conhecer os mercados em que atuamos, mas não em detalhes tecnológicos profundos.” Na sua carreira, teve contato com os ramos farmacêutico, bioquímico, governamental e de produção industrial variada, com experiência comercial no Brasil e nos Estados Unidos.

    A nova gerente geral aponta como objetivo principal para os próximos anos o crescimento dos negócios da Agilent de forma orgânica ou mediante parcerias, fusões e aquisições. “O ambiente econômico é desafiador, mas pretendemos crescer acima da média do mercado, ou seja, ganhar market share”, disse.

    Nesses termos, a Agilent comprou a Aurora, especializada em cromatografia de fluidos supercríticos (SFC), uma alternativa para as análises de HPLC, produzindo resultados mais rapidamente e com resolução superior. O uso de fluidos no estado supercrítico reduz ao mínimo o emprego de solventes orgânicos e o consequente volume de descartes. A Aurora já mantinha com a compradora uma parceria de longo curso, a ponto de a sua plataforma Fusion A5 já estar presente nas linhas de SFC e Ultra-HPLC da Agilent, bem como é oferecida como opcional em alguns sistemas de cromatografia líquida. As técnicas de SFC são empregadas na separação de compostos quirais, determinação de impurezas em produtos farmacêuticos, identificação de aditivos e produtos de migração em bens de consumo e embalagens de alimentos, entre outros.

    A Agilent também adquiriu recentemente a dinamarquesa Dako, especializada em diagnósticos para câncer, por US$ 2,2 bilhões (valor livre de dívidas). A Dako fornece anticorpos, reagentes, instrumentos científicos e software para laboratórios de patologia. “A Dako faz diagnósticos de acompanhamento, técnica que permite saber antecipadamente se um doente reagirá ou não à determinada medicação, informação relevante para acelerar a identificação da terapia mais adequada e reduzir custos”, avaliou. Segundo Gisela, os produtos Dako já são vendidos no Brasil.

    Políticas oficiais podem ajudar a ampliar os negócios na área analítica. O Programa de Saúde Alimentar, por exemplo, começou neste ano e conta com um grupo de cientistas para identificar as necessidades do país e estabelecer parcerias. A Agilent mantém parceria com a Universidade Federal de Santa Maria-RS para desenvolvimento de metodologia para determinação de resíduos de pesticidas em produtos agrícolas mediante a aplicação de técnicas de HPLC e espectrometria de massa. “Alguns pesticidas são muito novos, outros não são facilmente detectáveis, parece com o doping esportivo, área em que atuamos há 40 anos, desde a Olimpíada de Munique”, comentou.

    Desde o atentado de setembro de 2001, nos Estados Unidos, a preocupação com a segurança cresceu e demandou esforços para os fabricantes de instrumentos. “A Agilent desenvolveu um espectrômetro móvel e outros equipamentos para detecção de substâncias controladas que está sendo muito usado pelos órgãos de segurança de vários países”, informou. Nesse sentido, a realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 pode representar grandes oportunidades comerciais para a companhia.

    Embora as técnicas analíticas de compostos químicos estejam muito avançadas, a identificação de patógenos ainda encontra desafios. Segundo Gisela, 48 mil pessoas sofrem algum tipo de intoxicação alimentar a cada ano. “É preciso fazer o sequenciamento do DNA dos patógenos conhecidos, focando nos marcadores para possibilitar o desenvolvimento de técnicas de análise rápida”, explicou. A companhia atua com agências oficiais, como FDA, para identificar contaminantes de alimentos e de água.

    Outro campo em fase de expansão é o de análises clínicas, aproveitando as possibilidades da espectrometria de massa. Nesse caso, segundo Gisela, ainda falta desenvolver métodos adequados, por exemplo, para vitamina D e suas formas. Algumas técnicas de reação em cadeia de polimerase (PCR) podem ser aplicadas na detecção de patógenos clínicos, bem como eletroforese e fluorescência. “Algumas análises já podem ser feitas rapidamente nos consultórios médicos”, afirmou.

    No entanto, a nova gerente geral admite que não basta dispor de instrumentos analíticos avançados. “É fundamental contar com parcerias locais com universidades e centros de pesquisa para o desenvolvimento e a aplicação de métodos”, recomendou. A Agilent, além do trabalho com a UF de Santa Maria, possui um acordo com a Fapesp para financiamento conjunto de pesquisas, sem envolver a compra de instrumentos.



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