Tecnologia Ambiental

11 de junho de 2002

Ambiente: Túnel de vento auxilia no combate à poluição

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Foi inaugurado, em 6 de junho, o Túnel de Vento de Camada Limite Atmosférica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo.

    Química e Derivados: Ambiente: Tadeu - equipamento completa o laboratório de vazão do IPT.

    Tadeu – equipamento completa o laboratório de vazão do IPT.

    A cerimônia contou com a participação de diversas autoridades e convidados, entre eles o embaixador Ronaldo Mota Sardenberg, ministro de estado da ciência e tecnologia; o secretário estadual da ciência, tecnologia, desenvolvimento econômico e turismo Ruy Martins Altenfelder Silva; o presidente do conselho de orientação do IPT Alberto Pereira de Castro; o diretor superintendente do IPT Guilherme Ary Plonski; e do chefe do laboratório de vazão do IPT Marcos Tadeu Pereira, pesquisador responsável pelo projeto.

    Desenvolvido pelo IPT em parceria com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o túnel permite estudo dos efeitos de cargas de vento em coberturas e estruturas de edifícios; torres de energia, telefonia e alta tensão; pontes; navios e plataformas off-shore. Sendo ainda eficiente instrumento para o controle de diversos tipos de poluição, como a industrial, causada por automóveis em centros urbanos adensados, emissões de chaminés ou resíduos de queimadas na agricultura.

    Com 40 metros de comprimento e ventilador com três metros de diâmetro, pode produzir, em seu interior, correntes de vento com velocidade de até 90 quilômetros por hora. Permite ainda a realização de ensaios a partir da instalação de maquetes e simulação do vento, detectando as áreas mais atingidas, os efeitos das emissões na população local e as medidas corretivas necessárias para eliminar ou reduzir a poluição.

    Química e Derivados: Ambiente: Simulação avalia os efeitos do vento em edificações.

    Simulação avalia os efeitos do vento em edificações.

    Durante o evento foi apresentado vídeo institucional alusivo ao projeto. De acordo com Pereira, existem menos de 15 túneis do tipo em operação no mundo. A iniciativa consolida o IPT como o laboratório representante das Américas no estabelecimento do padrão de velocidade do ar no âmbito do Comitê Internacional de Pesos e Medidas (CIPM), órgão do Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM).

    O túnel complementa os serviços prestados no laboratório de vazão do IPT, onde está instalado. No local são realizados ensaios de diferentes tipos de medidores de umidade em gases e de desempenho de ventiladores, compressores, bombas hidráulicas e torres de resfriamento, além de testes de componentes de sistemas como válvulas, filtros e conexões. “O laboratório passa a contar com instalações apropriadas para o estudo de controle de poluição e dos efeitos de cargas de vento em edifícios, torres de energia, pontes e outras estruturas”, explicou Pereira.

    O laboratório de vazão presta serviços às empresas de saneamento básico, tanto em atividades de calibração e testes em instrumentos e equipamentos quanto na análise de sistemas de distribuição de água e de coleta de esgoto, além de macro e micromedição. Possui credenciamento do Inmetro, estando habilitado a executar calibrações de medidores de gás e líquidos com certificação reconhecida em todo o território nacional, na Europa, Austrália, África do Sul e Nova Zelândia. É credenciado também pelo Deutscher KalibrierDienst (DKD), da Alemanha.

    Compósitos – No mesmo dia, o IPT assinou convênio com a Associação Brasileira de Materiais Compostos (Asplar) para a implantação do Centro Tecnológico de Compósitos (Cetecom). Criado nos moldes dos Centros Regionais de Inovação e Transferência de Tecnologia (Critt), instalados na França, o projeto prevê a formação de núcleo de tecnologia e capacitação de mão-de-obra, visando a expansão e modernização das indústrias brasileiras de plástico reforçado.

    Com o objetivo de promover e aumentar a competitividade do setor, o Cetecom oferecerá cursos de capacitação básica e de gestão de processos de inovação tecnológica. Parte do projeto entra em operação em seis meses. No total, serão pelo menos dois anos de trabalho e R$ 1.500 mil de investimentos, angariados junto à iniciativa privada e órgãos de fomentos tais como Fapesp, Finep e Fundo Verde Amarelo do ministério da ciência e tecnologia, entre outros.

    Para o diretor-superintendente do IPT Guilherme Ary Plonski, a parceria com a Asplar inaugura nova forma de atuação do instituto que, além do Cetecom, abrigará outros núcleos destinados a auxiliar a indústria nacional. “O projeto tem dois objetivos básicos: a aproximação do instituto com o setor de compósitos e a ampliação da experiência para outras áreas da economia”, afirmou o presidente da Asplar José Alaor Alves.

    De acordo com ele, as indústrias do setor geraram receita de 700 milhões de dólares em 2001, o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto. “Trata-se de um mercado com grande potencial de crescimento, porém com expressiva deficiência tecnológica.” Só 20% das empresas instaladas no País operam com equipamentos automatizados. “No exterior, a proporção é inversa”, ressaltou.

    O consumo nacional de materiais compostos também destoa das médias mundiais. “São 0,6 kg do Brasil contra 6 kg dos Estados Unidos”, comparou. Alves defendeu também a importância do Cetecom na ampliação das exportações, quase inexistentes. “Podemos e vamos gerar divisas para o País.” As críticas, como sempre, recaíram à tributação. “O plástico reforçado paga 15% de IPI, enquanto o amianto é taxado em 4%, o aço em 10% e o alumínio, isento ”, argumenta.



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