Tecnologia Ambiental

14 de agosto de 2009

Ambiente – Serra gaúcha tem aterro ISO 14000

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    ento Gonçalves, na Serra Gaúcha, é uma cidade identificada como principal polo nacional da produção de vinhos finos. Mas a preocupação com o meio ambiente é outra demanda muito bem administrada nessa comunidade de 120 mil habitantes, localizada a 80 km ao norte de Porto Alegre. Há dezoito anos, uma associação empresarial local avocou a responsabilidade pela destinação dos resíduos industriais e criou a Fundação Bentogonçalvense Pró-Ambiente, conhecida pela sigla Proamb.

    A principal obra da entidade ainda é uma solução fim de tubo, entretanto construída dentro de padrões técnicos internacionais. Trata-se de um conjunto de Aterros de Resíduos Industriais para Produtos Perigosos (ARIP) Classes I e II, já certificados na ISO 14000, por conta da excelência do projeto, tanto na concepção como na execução. Com o investimento de US$ 1,2 milhão, o ARIP da Proamb obedece aos padrões estabelecidos por uma instituição científica da Alemanha.

    Química e Derivados, Valas em fase de recebimento de resíduos, Ambiente

    Valas em fase de recebimento de resíduos têm cobertura provisória

    Os resíduos da Classe I, considerados perigosos, tais como restos de efluentes com metais pesados, areias fenólicas, borras de tinta e resíduos de curtumes, devem ser descartados em caixas de concreto com paredes de dez centímetros de espessura, medindo 80 x 20 metros, com 5 m de profundidade. As valas recebem uma cobertura de 30 cm de saibro compactado, mais uma geomembrana de polietileno de alta densidade de dois milímetros de espessura, outra geotêxtil de 4 mm de espessura, uma segunda membrana de PEAD de 2 mm e outra geotêxtil de 4 mm de espessura, denominada camada de proteção mecânica. O procedimento garante que os resíduos não contaminem o solo, o lençol freático ou águas subterrâneas.

    Além disso, todas as células são totalmente cobertas, o que evita a formação de percolado. Por questões de segurança, todas as células possuem sistema de drenagem de gás e de percolado. Quando ocorre o fechamento de cada célula do aterro industrial, a impermeabilização superior é concluída de tal forma que a infiltração seja inexistente. Dessa forma, a impermeabilização da cobertura superior é tão eficaz quanto o sistema de impermeabilização inferior empregado.

    Para lacrar a caixa no momento em que essa se esgota, é construída uma capa com dez centímetros de areia para nivelamento da célula, manta de PEAD de 2 mm, outra manta têxtil de 4 mm, uma camada de argila compactada e vedação total com concreto. As saídas de gases a cada cinco metros podem ser visualizadas. O chão de concreto pode receber solo original e cobertura vegetal com grama.

    As “Valas Classe II A” para resíduos considerados não-perigosos, não-inertes, engloba uma camada compactada de argila de 30 cm, geomembrana de PEAD de 2 mm, outra de proteção mecânica e, ainda, camadas impermeabilizantes, cobertura metálica e sistema de drenagem de gás e de percolado. Quando a célula do aterro industrial se esgota a taxa de infiltração na área deve ser igual a zero. Diversos pontos de coleta de amostras estão espalhados pela área do ARIP para conferir eventuais infiltrações de materiais para o lençol freático. Durante o período operacional, todas as valas têm um telhado de zinco montado sobre elas.

    Desde a entrada em operação, há aproximadamente dez anos, as valas da Classe I já acumulam 25,2 mil metros cúbicos de resíduos. As valas Classe II receberam 14,9 mil m³. Os ARIPs de Bento Gonçalves recebem materiais de diversas regiões do sul do país. A principal cliente é a cidade de Caxias do Sul, que para lá envia lodo galvânico e resíduo metal mecânico.

    O lodo só é recebido com baixa umidade. “Não queremos a formação de percolado, pois é muito difícil de tratar”, explicou a engenheira química Andressa Brandalise, uma das assessoras ambientais da Proamb. Da mesma forma, a logística é rigorosa. Os motoristas são treinados para identificar se uma carga destinada ao ARIP está embalada adequadamente. Já os caminhões, são vistoriados periodicamente e equipamentos com problemas de emissão não podem rodar.

    Além do aterro correto, a Proamb oferece uma série de serviços, dentre os quais se destacam projetos para estações de tratamento de efluentes, ampliação de sistemas de tratamento de resíduo industrial, plano de gerenciamento de resíduos sólidos, planejamento de segregação, acondicionamento e destinação final de todos os resíduos gerados na empresa. Dependendo da necessidade da empresa, a Proamb encaminha a documentação para os órgãos ambientais competentes com a finalidade de obter os licenciamentos, certificados e autorizações pertinentes.

    Há ainda projetos para captação e uso da água da chuva que podem diminuir em até 60% o volume de tratamento pré e pós-uso. Como explicou Andressa, com o aumento do volume de reutilização de materiais pós-uso, a reciclagem tem sido uma prioridade para a Proamb, no sentido de diminuir o volume destinado aos aterros.


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