Tecnologia Ambiental

13 de maio de 2013

Ambiente – RS debate reciclagem energética de resíduos sólidos urbanos

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    a sua terceira edição, o Fórum Brasileiro de Reciclagem Energética de Resíduos Sólidos com Ênfase em Plás­ticos – Energiplast 2012 apresentou novas tecnologias e cases de sucesso de geração de energia com o resíduo sólido urbano, além de temas como a reciclagem, gestão do lixo e utilização de créditos de carbono. No evento, promovido pelo Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do RS (Sinplast), o responsável por novas tecnologias da Estre Ambiental, Antônio Januzzi, abordou a experiência da UVR – Unidade de Valorização de Resíduos da empresa, localizada em Paulínia (SP), que produz Combustível Derivado de Resíduos (CDR), preparados com resíduos não perigosos, cuja utilização visa à recuperação de energia em unidades de processamento térmico.

    Conforme Januzzi, o CDR é usado para produzir calor industrial em caldeiras e fornos de diversas indústrias, sendo que o potencial de geração do combustível gira em torno de 40% do resíduo sólido urbano bruto. Na fábrica da Estre Ambiental foram investidos R$ 35 milhões, com a importação de uma planta da Finlândia, equipamento denominado Tiranossauro, com especificações técnicas de atendimento a normas ambientais europeias.

    A capacidade de produção da operação industrial é de 400 toneladas/dia. Inaugurada em fevereiro de 2011, a UVR ainda opera em ritmo de teste, pois o mercado do consumidor do produto ainda está se formando. Isso, entretanto, não tirou o otimismo do empreendedor, que já adquiriu uma segunda planta para a produção de CDR, mas ainda não definiu sua localização. Com relação ao processo industrial, Januzzi destacou que a primeira etapa é a da trituração primária, que objetiva rasgar os sacos. Logo após, o lixo é peneirado para extração das frações mais finas, com a eliminação de 55% de tudo que entra. A matéria-prima do CDR também utiliza o resíduo industrial de escritório, composto por papel e papelão.

    O combustível é utilizado na indústria do cimento, indústria sucroalcooleira e na caldeira da unidade térmica própria da Estre. Entre as vantagens de sua utilização em relação a outras fontes de energia, Januzzi destacou a racionalização do consumo fóssil, diminuição da quantidade de resíduos que vai para o aterro sanitário e o fato de existir uma fonte contínua de matéria-prima para a produção do produto. O executivo da Estre Ambiental ressaltou que o CDR já conta com unidades industriais na Finlândia, Polônia e Itália. “A intenção da empresa é a de continuar crescendo no segmento, podendo para isso fazer parcerias com prefeituras ou outras empresas”, finalizou.

    Química e Derivados, Diego Nicoletti, Grupo Solvi, termelétrica a biogás baiana

    Nicoletti apresentou usina termelétrica a biogás baiana

    O segundo case do Energiplast 2012 foi apresentado pelo superintendente operacional da Solvi (grupo que atua nas áreas de gestão de resíduos e saneamento), Diego Nicoletti, que apresentou a primeira termelétrica a biogás de aterro sanitário do Nordeste e a terceira do Brasil, a Termoverde Salvador. Ele informou que a usina teve o início de sua implementação em março de 2009 e foi inaugurada em janeiro de 2011, resultado de um investimento de R$ 50 milhões. A usina tem uma potência instalada de 19,72 MW e uma potência útil de 17 MW, o suficiente para abastecer uma população de 250 mil habitantes. Atualmente, a mão de obra direta é de 90 profissionais, enquanto os trabalhadores indiretos chegam a 120.

    Nicoletti ressaltou que a empresa é classificada como produtora independente de energia, com acesso à rede elétrica da Companhia de Eletricidade da Bahia (Coelba), através da subestação CIA III, em 69 KV, com uma extensão de aproximadamente 7,5 Km do ponto de geração. “Isso permite que a energia produzida vá direto para a distribuidora, chegando depois aos demais consumidores”, garantiu.

    O superintendente operacional lembrou que o biogás é gerado por meio da biodigestão anaeróbica da matéria orgânica presente nos resíduos sólidos. O processo industrial na usina envolve o pré-tratamento, sopradores e sistema de monitoramento, tendo como principais contaminantes a umidade, material particulado proveniente da areia, ácido sulfídrico (corrosivo) e siloxanos (que também corroem os equipamentos). Já o princípio de tratamento se dá pela troca térmica.

    Nicoletti observou que o investimento em biogás não se viabiliza em aterros sanitários de pequeno porte. No caso da Termoverde, o investimento foi projetado para 20 anos, sendo esperado o retorno de investimento em sete anos. “Em aterro sanitário, a exploração de biogás é sempre crescente, pois o local é uma fonte permanente de energia”, disse.

    Química e Derivados, Antonio Mallmann, Engenheiro e Consultor Ambiental, pirólise para transformar resíduos plásticos em energia

    Mallmann: pirólise para transformar resíduos plásticos em energia

    O último case apresentado no Fórum de Reciclagem Energética tratou da transformação de resíduos plásticos em energia utilizando o processo de pirólise. Conforme o engenheiro químico e consultor na área ambiental, Antonio Mallmann, o aumento do consumo de produtos “one way” tem aumentado a geração de resíduos, criando um dos grandes problemas do nosso século, pois o eficiente gerenciamento é necessário para fornecer um meio ambiente seguro e saudável para as pessoas.

    Mallmann explicou que a pirólise é um processo de decomposição de materiais orgânicos, obtido quando se aquece este material a uma temperatura entre 400 e 900 graus célsius na ausência de oxigênio por um período de 40 min. a 1 hora, que transforma a matéria em misturas líquidas e de gases e em material sólido, que gera cinza e carbono fixo.

    O engenheiro químico observou que os resíduos adequados para a pirólise são os sólidos urbanos, resíduos de aves e subprodutos de frigoríficos, plásticos em final de vida, pneus de carro e veículos pesados, resíduos de serviços de saúde, borras oleosas, o lodo de Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e alguns de efluente industrial.

    Quanto aos produtos gerados pela pirólise, Mallmann destacou o Bio-óleo usado como combustível de geradores de energia e para frota rodoviária, depois de passar pelo processo de craqueamento. Também citou o Gás de Síntese, que permite a partir de 20 toneladas de resíduo a geração de 1,4 MW de energia renovável verde, ressaltando que a pirólise tem um consumo médio de água, um percentual de sustentabilidade alto e uma flexibilidade de combustível superior e baixo impacto de poluição atmosférica, com pouca atividade de pré-tratamento média e de filtros. “A pirólise é uma solução para processar de 200 a 250 toneladas dia, ou seja, pequenas usinas”, manifestou.

    Química e Derivados, Marcino Rodrigues, Advogado especialista em direito ambiental, certificação de créditos de carbono não é processo simples

    Rodrigues: certificação de créditos de carbono não é processo simples

    O consultor ambiental informou que existem usinas de pirólise na Áustria, Japão, Bélgica, França e Alemanha. A pioneira foi a austríaca Pyropeq, que gera 2 MW de energia. No Brasil, Mallmann disse que existem dois projetos em andamento: um em Santa Catarina e outro no Rio de Janeiro, orçados em R$ 100 milhões, que poderão gerar algo em torno de 4 MW. “Não vejo como viáveis esses negócios no momento em virtude dos baixos preços praticados pelo mercado de energia. Essa tecnologia vai demorar um pouco para entrar no Brasil ainda”, concluiu. A Certificação de Créditos de Carbono também foi apresentada no Energiplast 2012. Conforme Marcino Rodrigues, advogado especialista em direito ambiental e internacional e consultor em sustentabilidade, não se trata de um processo simples, levando entre um ano e meio a dois para ser realizado, com um custo acima de R$ 150 mil entre taxas da ONU, despesas com auditorias, além do custo do projeto em si.

    Rodrigues acrescentou que no caso dos projetos de energias renováveis é preciso observar se a matriz energética tem escala para que a iniciativa seja viável economicamente, pois tem que se quantificar a redução de utilização do carbono, por meio da avaliação de uma auditoria independente. “O Brasil, atualmente, é o sexto país do mundo em volume de projetos certificados pela ONU”, afirmou.

    O aspecto social da Gestão dos Resíduos Sólidos em Porto Alegre foi apresentado no Fórum Brasileiro de Reciclagem Energética por Jairo Armando dos Santos, diretor da Divisão de Projetos Sociais, do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), de Porto Alegre. Ele informou que a cidade produz 1.200 toneladas de resíduos/dia, sendo que a prefeitura conta com 18 unidades de triagem, que são cedidas em comodato para serem administradas por associações de catadores.

    Jairo dos Santos ressaltou ainda que o município repassa R$ 2,5 mil por mês para manutenção e custeio das unidades e compra de equipamentos de proteção individual (EPI), disponibilizando acompanhamento técnico através do DMLU. “Essas unidades geram renda para 630 mulheres e 120 homens, servindo como forte instrumento de inclusão social”, revelou.

    Já o coordenador do fórum e diretor do Sinplast, Luiz Henrique Hartmann, destacou que o evento tem crescido a cada ano, ressaltando a importância do valor energético do lixo e o atual desperdício dessa riqueza no país. Hartmann lembrou que as duas primeiras edições do Fórum de Reciclagem Energética debateram novas tecnologias e cases de reciclagens energéticas elétricas, enquanto essa atual apresentou soluções nas áreas do Biogás, Pirólise e Térmica. Hartmann observou que esse tema é muito amplo, apontando a reciclagem energética como parte da solução para a gestão do lixo nas cidades.



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