Tecnologia Ambiental

14 de julho de 2011

Ambiente – Porto Alegre quer reciclar lixo tecnológico

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    prefeitura de Porto Alegre, por meio do gabinete de Inovação e Tecnologia (Inovapoa) e em parceria com a Cetrel (empresa de Proteção Ambiental do grupo Braskem, que opera no Polo Petroquímico de Camaçari-BA), trabalha para que a capital gaúcha seja a primeira cidade brasileira a implantar um sistema de coleta, triagem e reaproveitamento de resíduos tecnológicos. Segundo o coordenador geral do Inovapoa, Newton Braga Rosa, o projeto surgiu da necessidade de se destinar corretamente o lixo eletrônico formado, principalmente, por computadores e aparelhos de telefonia celular.

    Rosa salienta que a entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em agosto de 2010, ao criar a obrigação da logística reversa – que determina que fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores recolham as embalagens usadas e também vários produtos descartados, como pilhas, baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas e eletroeletrônicos –, criou o marco legal para que as prefeituras enfrentem o problema.

    O técnico ressalta que a capital gaúcha realizou uma experiência de recolhimento de lixo eletrônico com a Feira do Resíduo Tecnológico, em dezembro de 2010. No evento, foram recolhidos em um dia 13 toneladas de resíduos, lotando quatro caminhões, para serem reaproveitadas as peças pelo Centro Social Marista, em seu programa de inclusão digital no Bairro Mário Quintana, na região nordeste da cidade, além de mais um caminhão ocupado pela metade com equipamentos de informática em perfeito estado de funcionamento.

    Paralelamente a essa promoção, foram criados três postos de recolhimento do lixo eletrônico, além de buscar convênios com empresas privadas para realizar essa tarefa. Esse estágio avançado em relação ao processo logístico, com a parceria de cooperativas de triagem e reciclagem já existentes, além de uma empresa privada do setor, atraiu o interesse da Cetrel em estabelecer negociação com a prefeitura de Porto Alegre para implantar uma unidade de reciclagem especializada nesses eletrônicos.

    Alexandre Machado, líder de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Cetrel, considera essa facilidade logística de Porto Alegre como o grande incentivo para o país investir nesse processo, há anos aplicado em outros países mais desenvolvidos. Por isso, estão sendo preparadas parcerias com diversas entidades, como a Finep, para levantar os recursos necessários para o projeto.

    Segundo Machado, atualmente, um metro cúbico de resíduos eletrônicos vale US$ 25 mil, acrescentando que reciclar é ainda mais vantajoso, sobretudo por causa dos metais nobres, como ouro, cobre e paládio contidos nas placas eletrônicas. Ele ressaltou que, com o volume de lixo eletrônico descartado no Brasil, atualmente estimado em 996,8 mil t/ano, seria possível obter um faturamento de, no mínimo, R$ 6 bilhões/ano, apenas contabilizando o reprocessamento do ouro contido nesses resíduos.

    Revista Química e Derivados, Lixo Eletrônico, Metais Nobres, Porto Alegre

    Metais nobres podem ser reaproveitados de placas eletrônicas

    Para o líder de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Cetrel, o Brasil está vendendo para o exterior ouro, prata e uma lista de 14 metais nobres contidos nas placas eletrônicas e descartados como lixo, que poderiam ser reaproveitados por aqui mesmo, aumentando a geração de emprego e de renda para os recicladores, bem como protegendo melhor o meio ambiente.

    O lixo dos produtos eletrônicos, de acordo com o coordenador do Inovapoa, é composto por plásticos, metais e placas de circuito impresso. Desses componentes, o plástico e os metais têm compradores certos, restando a necessidade de investir em tecnologia para o aproveitamento das riquezas presentes nas placas de circuitos que hoje estão presentes em 50 milhões de aparelhos de computadores e 200 milhões de aparelhos celulares.

    Segundo Alexandre Machado, di­­versos elementos químicos já têm excelente resultado no processo de reciclagem. Ele cita que no caso do enxofre, por meio do processo de hidrometalurgia, com a utilização do solvente, é possível recuperar 70% do produto original, que pode ser vendido para indústrias farmacêuticas e de cosméticos, destinando as impurezas para a indústria de fertilizantes.

    Em relação ao mercúrio, o pesquisador líder da Cetrel destaca que duas soluções foram encontradas. A primeira consiste em estabilizar o produto, a outra é torná-lo insolúvel, para ser usado novamente mais adiante. Já para o ouro, a prata e o cobre, a pesquisa desenvolvida pela empresa apontou que a melhor medida é lixiviar os produtos individualmente, retirando impurezas.

    De acordo com Alexandre Machado, a Cetrel investe em pesquisa 7% do seu faturamento total. Instalada no Polo Industrial de Camaçari na Bahia, a empresa é responsável pela operação dos sistemas de proteção ambiental do local, com um investimento de US$ 250 milhões. Criada em 1978, a Cetrel foi privatizada em 1991. Atualmente, a empresa tem 75% das suas ações no controle do grupo Braskem e 25% pertencem ao governo do estado da Bahia.



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