Tecnologia Ambiental

27 de setembro de 2003

Ambiente: Pneu velho volta à estrada, misturado no asfalto

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    atizada de asfalto-borracha, a mistura composta por 70% de revestimento asfáltico derivado de petróleo e 30% de elastômero apareceu como a solução promissora para os 30 milhões de pneus descartados por ano no Brasil. Em 2001, a concessionária de rodovias Univias, administradora de aproximadamente mil quilômetros no Rio Grande do Sul, testou o material num trecho de 70 metros na BR-116, entre Guaíba e Camaquã. Atualmente, 200 quilômetros desse pavimento rodoviário cobrem o chão de estradas brasileiras, principalmente no Estado, e de forma incipiente em São Paulo.

    Química e Derivados: Ambiente: Mistura asfalto-borracha aumenta em 43% a vida útil da rodovia.

    Mistura asfalto-borracha aumenta em 43% a vida útil da rodovia.

    É justamente a função ambiental o motivo da comemoração em torno do desenvolvimento do asfalto-borracha. Sua disseminação poderá extinguir gradativamente os depósitos clandestinos de pneus, material capaz de permanecer 400 anos no ambiente sem se degradar. Além disso, o asfalto-borracha aumenta em 43% a durabilidade da superfície da pista, melhorando significativamente a aderência e diminuindo a ocorrência de acidentes ocasionados por derrapagens e aquaplanagem. A solução tecnológica da Univias contou com a pesquisa da área de polímeros da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, responsável por encontrar a melhor composição entre asfalto e elastômero, numa operação de seis meses com pesquisas em laboratório e testes em superfície piloto.

    “Era uma herança maldita do progresso sobre rodas e nos últimos cinco anos conseguimos encontrar uma saída ecologicamente correta e economicamente sustentável”, comemorou Sérgio Coelho da Silva, presidente da Univias, no dia 6 de agosto, por ocasião da entrega de mais 10 quilômetros de estrada emborrachada, dessa vez no trecho da BR-386 entre Lajeado e Pouso Novo, na Serra do Vale do Rio Pardo. Coelho confia na difusão rápida da tecnologia para os outros estados.

    Por enquanto, a industrialização do asfalto-borracha ocorre no Paraná, mas segundo o presidente da Univias o produto é simples de ser obtido e novas unidades de produção podem surgir em cada unidade da federação para cobrir a demanda necessária, bastando para isso, apenas vontade política e a integração entre as diversas partes envolvidas, como as concessionárias de rodovias, o DNIT, a indústria de asfalto e as empresas responsáveis pela coleta de pneus descartados. “Não tenho dúvidas. Todas as condições para o surgimento da cadeia produtiva estão lançadas”, reforça Coelho.

    O governo gaúcho também está adotando o asfalto-borracha nos trechos rodoviários cobertos pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER), o órgão oficial responsável pela manutenção das rodovias controladas na esfera estadual. Por conta da novidade, os engenheiros do DAER desenvolveram um equipamento de ensaio de intempéries e desgaste físico para testar o revestimento em condições de uso. Os aparelhos conseguem simular, em 60 dias, o desgaste de dez anos de uso sob a ação de 50 toneladas de massa por minuto, incluindo a produção de chuva artificial.

    O trecho piloto do asfalto borracha a cargo do DAER fica na RS-122, entre Bom Princípio e São Vendelino, na rota da serra gaúcha. Na opinião do secretário de Transportes do Estado, Jair Foscarini, a nova tecnologia é a solução perfeita para resolver o problema do descarte de pneus. Como cada quilômetro de asfalto borracha demanda mil pneus, a cobertura de 10% da malha rodoviária do país consumiria 16 milhões de pneus.



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